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Reportagens
Educação Ambiental

Educar para a consciência

     Dentre os palestrantes, a arquiteta urbanista e ambientalista Roseane S. Palavizini, ao falar sobre experiências de governança para a sustentabilidade foi a que mais enfatizou a necessidade de que é preciso educar para a consciência, para a sustentabilidade e não para o hábito.

     Mudar hábito é importante, mas não é suficiente, pois já vem sendo feito na maioria das escolas brasileiras há anos, e já está provocado, não consegue mudar as atitudes das pessoas, especialmente em relação às decisões de consumo.

     Ao mesmo tempo em que mostrou experiências bem sucedidas de implantação de reservas, chamou a atenção para o fato de que nenhum projeto ambiental tem êxito, se as pessoas que vivem na área atingida, não abraçarem a causa e participarem efetivamente da gestão com voz, voto, conhecimento, consciência e decisão.

     E para isso, entre outras ações é preciso tirar o planejamento dos documentos oficiais, de uma linguagem que poucos entendem e levar, numa linguagem acessível para a comunidade, para ser trabalhado nas escolas, nas associações de moradores e nas demais comunidade de modo que todos possam entender o projeto, o sistema de gestão, a tecnologia implantados.

     Em sua palestra,  Roseane frisou que "a educação ambiental é fundamental e é transformadora, mas não é suficiente, porque o objeto dela, não é capacitação e nós precisamos também de capacitação. Então na educação para a sustentabilidade nós temos a educação para a gestão, porque as     pessoas, hoje, por lei, devem e têm espaço legal para participar da gestão de seu território. Só que participar da gestão não é ouvir e dizer sim e não compreender o que está acontecendo, é ter condições, conhecimento de dialogar, interagir, refletir e decidir".

     E acrescentou que a educação para a gestão precisa trabalhar com a educação legal, com a cultura de mediação e da comunicação pacífica, compreensiva para que as pessoas não se coloquem sempre num campo de batalha. É preciso trabalhar também na educação para educadores que são tecnologias pedagógicas para formar outras pessoas, seja na educação formal nas escolas, quanto de adultos nas comunidades e até mesmo para as empresas, de técnicas empresariais.

     A este conjunto, é preciso acrescentar ainda a educação tecnológica, necessária, por exemplo, para capacitar comunidade de pescadores para que ele desenvolva suas atividades de modo não tão impactante ao meio ambiente. 

     Além destes aspectos da educação para a sustentabilidade, há a  educomunicação, ou a educação difusa, que usa os meios de comunicação de massa para multiplicar as idéias e contribuir para uma educação pela paz. Já que o homem precisa entender que o problema está na relação dele com o ambiente do qual é parte.  É o ser humano que deve mudar seu paradigma, deixando de se entender como o dominador, o explorador dos demais organismos e sistemas do planeta.

     A ambientalista alertou que, ao se implantar uma unidade conservadora, ou uma reserva, não basta dizer às pessoas e empresas o que não pode, é preciso ajudar para que tanto as indústrias, como os pescadores, como os municípios, quando os agricultores, enfim, todas pessoas e entidades da comunidade, passem a buscar soluções para que suas atividades sejam  sustentáveis, dentro desse compromisso da nova visão de sustentabilidade e o menos impactante possível ao meio ambiente.

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