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 A professora de séries iniciais Andréia Betina Legatzke Klitzke é uma das dez  finalistas do Prêmio Victor Civita 2009 - Educador Nota 10, com o projeto "Construindo o conceito de ângulo", desenvolvido com os alunos do 5ºAno, na disciplina de Matemática, na Escola Municipal Karin Barkemeyer.  
A professora recebeu  R$10 mil, troféu e terá seu trabalho publicado tanto na Revista Nova Escola e na TV Escola. O resultado foi divulgado oficialmente no dia 11 de agosto pela Fundação Victor Civita, de São Paulo. 
 
São Paulo/Joinville - Ainda na categoria Matemática, o projeto “Pirando com a Matemática e Esbanjando Saúde”, da professora  matemática, Suzana Beatriz Kotovicz, da EMEB Paulo Fuckner, de Campo Alegre (ver reportagem na página 8) e outro da professora Ana Lúcia Pintro, de Criciúma, também ficaram entre os 50 finalistas. 
Joinville teve mais duas finalistas. Na categoria Língua Estrangeira, a professora Patrícia Momm dos Santos, da Escola Municipal Valentim João da Rocha, com a pesquisa "Bullying: ele está presente em nossa escola?", projeto do qual a filha da professora Andréia participou como aluna. 
E na categoria Educação Infantil, com o projeto "Reinventando o Espaço", a professora  Ieda Marisa Arcega, do CEI Morro do Meio. Todos os finalistas receberão um certificado de destaque e os dois trabalhos joinvilenses também serão publicados na Revista Nova Escola. 
 
Construindo um projeto vencedor

Na edição de 2008 do prêmio, a professora inscreveu o projeto construindo noções de ângulos com o giro do corpo e medição. Mas apesar da avaliadora da categoria da matemática ter lhe telefonado pedindo mais material, não ficou entre as finalistas. “O material que eu tinha era insuficiente.  “Eu era inexperiente e não tinha fotografado as diversas fases, então quando a avaliadora ligou, eu não tinha mais material para mandar”, garantiu. 
A experiência motivou Andréia a “fazer tudo certo” para conquistar o prêmio este ano. A professora atribui sua eliminação no ano passado, ao fato de não ter registrado adequadamente, por meio de fotos, filmes e relatos detalhados, todas as fases da execução do projeto. 
“Desde o momento em que não fui classificada, comecei a planejar, a estudar e a aperfeiçoar meu projeto. Porque por não ter registrado, perdi muitas falas de alunos, muitos detalhes que se não forem registrados na hora, no momento seguinte, estarão perdidos. E os detalhes são muito importantes no concurso. E dá muito trabalho. Além disso, é preciso prestar atenção às sugestões e orientações do site do concurso, planejar e estudar muito”, reforça.

Página virtual
A professora planejou e registrou cada aula das 14 usadas com o projeto, uma por semana, de fevereiro a junho. Todas as fases e conteúdos estudados estão registrados no blog de Andréia (http://andreia-klitzke.blog.uol.com.br). O blog pode  servir como guia para os professores das séries iniciais, nas aulas de geometria, especialmente para ensinar noções de ângulos a partir do giro do corpo e, na sequência, construir um medidor, usar o transferidor e até mesmo iniciar o estudo de polígonos. 
 “Para prepara uma única aula cheguei a gastar quatro horas.  Aprendi a fazer tudo. Editei filmes, criei o blog, produzi apresentações multimídia, preparei aulas na sala informatizada, tive que me deslocar à noite para filmar profissionais que usam o ângulo em sua profissão, usei minha máquina fotográfica também para filmar. É muito difícil porque a gente não tem tempo, com quarenta horas em sala de aula, para diversas turmas do quinto ano, registrava tudo no blog, sempre à noite. Enfim, deu muito trabalho, mas valeu a pena. 

Sem descanso

A motivação para o projeto nasceu a partir do curso “Mathema” para professores de series iniciais, do qual Andréia participou representando a escola, juntamente com a supervisora pedagógica da escola, Zélia Janning, com a incumbência de serem multiplicadoras. 
Após repassar para as colegas da escola as sequencias didáticas aprendidas no curso; e para repassar também a três professoras que estavam em licença no período em que foi feito o repasse na escola, a supervisora Zélia propôs fazer o repasse no período noturno e chamar outros professores da rede municipal para participar. Andréia foi convidada a acompanhar a supervisora e, juntas, ministraram o curso de geometria de 40 horas, a um grupo de professores da rede municipal. O trabalho voluntário era realizado duas vezes por semana.
Vale registrar que na  Escola Municipal Karin Barkemeyer, os professoras das series iniciais dividem as disciplinas entre si. O acordo com a coordenação pedagógica possibilita que cada professora ministre a disciplina com as quais tem mais afinidade. Esta foi uma das razões que levou Andréia a ser selecionada para representar a escola na capacitação denominada Mathema. 
Andréia que sempre teve preferência pelo matemática, ensina esta disciplina a diversas turmas. As demais professoras também ministram as disciplinas segundo suas preferências. O acordo, feito há três anos, após a constatação de que ao ter que ministrar todos os conteúdos, a professora tende a dar preferência à disciplina com a qual sente mais afinidade. Pois, por conta desta preferência pessoal,  naturalmente terá maior interesse e dará maior ênfase aos conteúdos daquela disciplina, em detrimento das demais. E todas são essenciais para a aprendizagem do aluno. Portanto, a atitude que pode prejudicar a aprendizagem do aluno.

Sequência didática 
 
Outro diferencial da escola, é a transferência de alguns conteúdos previstos para o quarto ano para a grade curricular do quinto ano, como é o caso dos ângulos. Após analisar o conteúdo e o desempenho dos alunos na prova aplicada pelo MEC para determinar o IDEB de cada município, e comparando com a sequencia de estudos estipulada pela Secretaria da Educação como ideal para as séries iniciais, a professora detectou a necessidade de rever alguns conteúdos matemáticos trabalhados nas séries iniciais, principalmente no que diz respeito a geometria. “Entendo que o trabalhado deva ser sistemátizado e sistemático”, afirma a professora.
“Na proposta oficial, os alunos deveriam usar o transferidor para medir ângulos de um polígono já no quarto ano. Mas não adianta solicitar que os alunos meçam ângulos de um polígono, se não aprenderam ainda o que é um polígono, ou se ainda estão com dificuldades de nomear figuras planas e sólidos geométricos”, esclarece.
“Ou seja, primeiro precisam entender o que é um ângulo e um polígono. Uma coisa tem que ser sequencia da outra e somente depois, deverão usar o transferidor. No meu projeto, os alunos constrõem um medidor de ângulos através de dobradura. Não é uma régua, algo pronto e acabado que colocam sobre a figura e vão dizer 'aqui tem 90º, sem entender o porquê”, completou. 
“Então entrei em acordo com a coordenação pedagógica fizemos a transferência de um assunto do 4ºAno para o 5ºAno. E resolvi aplicar o projeto no início do 5º Ano, usando a aula de geometria da semana.  Desta forma, oportunizei aos alunos de quinto ano a construção do conceito matemático sobre ângulo e não simplesmente que os mesmos utilizem  mecanicamente o transferidor para medir ângulos sem compreendê-los”, explicou. 
A professora defende que ao ensinar matemática, a preocupação maior deva ser  em não apresentá-la de maneira muito teórica, e sim compreendida e proveitosa pelos alunos.

 Início em janeiro
 
Andréia começou a trabalhar ainda no mês de janeiro, em plenas férias escolares. “Fiquei quinze dias no mês de janeiro envolvida no meu projeto”, registra. Neste período, definiu quais materias, sequência de estudos, e cada recurso a ser usado nos três meses seguintes.
 “No ano passado, o projeto não envolvia a parte gráfica e usava pouca tecnologia. Neste ano, poucas aulas do projeto foram tradicionais”, garante Andréia. 
Ao mesmo tempo,  todas as aulas, falas dos alunos e movimentos foram registrados em fotos, filmes e em relatórios postados no blog http://andreia-klitzke.blog.uol.com.br.
 Assim,  quando abriu o período de inscrição, de 12 de junho a 13 de julho, foi só enviar o relatório e aguardar o resultado. Mas a professora não pretende parar por aqui. 
Com a aplicação do projeto no 5ºAno, percebeu que precisa conversar com os professores das series finais e talvez, introduzir também a classificação dos ângulos. 
“No final do ano, vou conversar com os professores para saber se não estaria antecipando um conhecimento que viria somente mais tarde, entrando 'na área deles'”, acrescenta, demonstrando sua disposição em aperfeiçoar ainda mais o projeto. 
“Tenho vontade de voltar a participar do prêmio, agora que já sei as sequencias didáticas e tudo mais. Mas vejo minhas amigas fazendo trabalhos maravilhosos e elas não participam porque é muito cansativo. 
A gente chega em casa cansada de um dia inteiro de trabalho e tem que registrar, porque não pode perder uma fala do aluno, pois quando você vai mandar o projeto, as coisas que você julgava irrelevantes, fazem a diferença. Então é preciso estudar muito, se dedicar  e ter muito amor à carreira”, finaliza.