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Projeto Perfil

Todos participam das atividades normalmente

     A inclusão de crianças com necessidades especiais no sistema regular de ensino  já acontece há alguns anos. Atualmente, 110 alunos com necessidades especiais, estão freqüentando as aulas nas turmas regulares dos estabelecimentos de ensino da rede municipal desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental.

     Para garantir o atendimento adequado as crianças que precisam de ajuda específica a Secretaria de Educação tem como ação concreta a contratação de 27 atendentes educativos.

     Os atendentes têm formação na área educacional e auxiliam o educando no que for preciso, desde preparar material didático adequado, auxílio na locomoção, alimentação e na comunicação com os colegas e professores. As turmas que  têm alunos com Necessidades Especiais possuem menor número de alunos em classe.

     Os alunos inclusos participam das mesmas atividades que os outros e os professores estão em constante formação para oferecer ensino eficiente e de qualidade a todos.

Família x escola

     Richard B. Queiroz, 12 anos, estuda na EBM Baselisse C.R.Virmond, atualmente freqüenta a 6a série, acompanhando a turma em que foi incluso desde 2004. O menino tem paralisia cerebral e é cuidado por sua tia, Ermelinda Belitzki há mais de oito anos, quando nasceu seu irmão do segundo casamento da mãe.

     Além das aulas, o menino faz tratamento com psicólogo e fisioterapia e, por conta disso, seus movimentos aumentaram. O menino já é capaz de se alimentar, pintar e até jogar vídeo game sozinho”.

     A escola ajuda a família na busca por uma nova cadeira de rodas, possível de ser adaptada à carteira da sala de aula e uma lupa, pois há alguns meses foi diagnosticada, também, deficiência visual severa.

     A ajuda da atendente educacional, Josleine Travinski é indispensável durante todo o período em que o estudante permanece na escola. Em casa é a tia quem cuida dele todo o tempo. A atendente prepara material didático especial com antecedência para facilitar a leitura e a aprendizagem de Richard. 

     No início, o estudante chorava muito, mas atualmente já está totalmente adaptado e, no final ano passado, concordou em diminuir a quantidade de faltas, para continuar com a mesma turma, que o acolheu e com a qual já participa, inclusive de apresentações de trabalhos em equipe.

     Em casa, Richard é uma criança como qualquer outra, tenta impor sua vontade à tia e fica bravo, mas seu tormento é ouvir outras pessoas brigarem. "Ele fica apavorado, não pode ouvir e nem ver briga", garante a tia.

     "A gente se desdobra, faz o que pode, tentamos até colocar um computador em sala para ele mesmo copiar as coisas, mas não deu certo. A atendente deste ano é muito dedicada, os dois se entendem muito bem e ele está ótimo", assegura a diretora da escola,  Cléia Nara Tureck, enquanto conversa sobre os meios de conseguir a nova cadeira e a lupa para Richard.

     No pátio do Centro de Educação Infantil Municipal Peter Pan as crianças brincam umas com as outras, rolam na grama ou disputam os brinquedos do parque, sob o olhar atento das professoras e da atendente. Brincam e correm ao ver uma máquina fotográfica, abrem um sorriso e se aproximam dos colegas.

     O pequeno Mateus F. A  de Souza, de 5 anos,  com Síndrome de Down está entre eles, totalmente integrado. O aluno participa de praticamente todas as atividades desenvolvidas na turma em que está inserido há dois anos.

     Entre os colegas, há aqueles com quem tem mais afinidade, os que cuidam dele e outros que não se preocupam tanto, ou seja, não há qualquer tipo de discriminação.
Órfão de mãe, Mateus volta para casa, geralmente, rindo e brincando com o pai Godofredo, que o leva no ombro. Para realizar algumas atividades Mateus conta com o apoio de uma atendente educativa, que já construiu vínculo e por isso consegue acalmá-lo ou convencê-lo a participar das atividades, nos poucos momentos de maior agressividade.

     Já a menina Renata Becker não se comunica, usa fraldas e é totalmente dependente da atendente educativa. Matriculada no CEIM Peter Pan desde 2002,  não tem coordenação motora, é Autista, leva tudo que conseguir pegar na boca e depende de ajuda praticamente todo o tempo.

     Com comportamento e motricidade instável, há momentos em que surpreende participando das atividades normalmente, como qualquer outra criança. Um exemplo foi a apresentação de uma peça teatral, durante a noite cultural. 

     Durante a apresentação, Renata fez "tudo direitinho", embora no ensaio geral sequer tenha se interessado em participar, comentou a diretora Cleusenir Cordeiro, acrescentando que após a apresentação, a menina sorriu com o olhar, como que dizendo, "viu? Eu fiz tudo certo",  todos ficaram emocionados.

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