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Araquari

História - Açorianos, africanos e indígenas iniciaram a história de Araquari (Março/2011)

 
A figueira da rua Rocha Coutinho, conhecida como Rua de Baixo já não existe mais. Conta-se que os escravos teriam enterrado potes de ouro sob a figueira e todos que tentaram encontrar esses potes, sofreram algum tipo de dano à saúde.
 
 


Em 1540, apenas 40 anos após a chegada de Cabral à costa brasileira, o navegador espanhol Álvaro Nunes Cabeza de Vaca aportou onde hoje é o município de Barra Velha. O explorador incentivou a colonização da região norte do estado, até então habitada por indígenas da etnia Carijós. 
A expedição composta por europeus, escravos africanos e índios catequizados pelos jesuítas, levou cerca de um mês para chegar ao local onde seria fixado o povoado. A primeira denominação dada ao local foi  Paranaguá Mirim ou Enseada Pequena, em Tupi Guarani. O nome Paraty (Tainha Pequena) veio mais tarde. E somente a partir de 1943 a cidade ganhou a denominação de Araquari, ou rio de refúgio dos pássaros, em Tupi-Guarani.
Em 1658, os primeiros bandeirantes portugueses fixaram-se na região. Mas o município de Araquari foi colonizado basicamente por imigrantes açorianos, que chegaram no litoral catarinense entre os anos 1748 a 1756.
  Entretanto, a fundação efetiva da vila só aconteceu em 1848, com a chegava de  Joaquim da Rocha Coutinho. Ao chegar, o senhor de escravos, já encontrou estabelecido à margem esquerda do rio Parati, o português Manoel Viera. Os dois decidiram fundar uma vila. 
Joaquim da Rocha Coutinho e Manoel Viera são considerados os fundadores da freguesia de Senhor Bom Jesus do Paraty, parte do município de São Francisco do Sul. As casas eram construídas às margens do rio Parati e Cubatão, local onde ainda hoje existem ruínas de casarios antigos. 
O arraial do Parati, como era chamada a localidade, pertencia a então vila de Nossa Senhora das Graças do Rio São Francisco e foi elevada à categoria de freguesia (ou distrito) pela Lei Provincial Número 375, de 8 de junho de 1854. 
A emancipação política aconteceu por meio da Lei Provincial Nº 797, de 5 de abril de 1876. A instalação oficial se deu em janeiro de 1877 e o primeiro prefeito, Francisco José Dias de Almeida tomou posse somente em 1887.
Em 1923, o município perdeu a autonomia e voltou a pertencer a São Francisco do Sul por dois anos, quando foi administrado por um Conselho Municipal, composto por cinco membros. 
A cultura açoriana enraizou-se e caminhou de mãos dadas com as mais diversas culturas, a indígena e a africana. Todas importantes na construção das povoações desta região, criando um mosaico cultural e o sincretismo religioso.
 
Religiosidade e misticismo
Araquari é uma cidade impregnada de religiosidade e misticismo. Seus pontos turísticos e patrimônio histórico são cercados por lendas e histórias de devoção. 
A  Matriz da Freguesia Senhor Bom Jesus do Parati foi construída por determinação da Coroa Portuguesa e concluída em 1858 com o esforço dos devotos, em terras doadas por Manoel Pereira Lima e sua mulher. 
Entre as atrações da nova igreja, reconstruída no mesmo lugar um século mais tarde, está a “sala dos milagres”. A Igreja recebe milhares de romeiros e turistas, principalmente para a festa religiosa do Senhor Bom Jesus de Araquari. 
A festa realizada anualmente entre os dias 28 de julho a 6 de agosto há mais de 150 anos e é uma das principais atrações turísticas do município. Após as novenas, os festejos culminam com a procissão do Senhor Bom Jesus, no dia 6 de agosto, pelas ruas da cidade.
Outras comunidades da cidade realizam suas festas de padroeira, mas a mais tradicional é a da comunidade de Nossa Senhora do Rosário, de Itapocu, que realiza, desde o ano de 1854, na semana do Natal, o Catumbi, folguedo de origem africana. 
A localidade de Itapocu era conhecida como Porto do Sertão, um reduto de negros escravos e libertos oriundos das regiões vizinhas e de outras do país, que mantinham o Catumbi como uma de suas manifestações culturais. 
Em 1854, os negros criaram a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e incluíram a festa no calendário religioso. Apesar de ter sofrido algumas intervenções da Igreja Católica Romana pela posse das terras da igreja usada pelos negros da comunidade, e migrado para a Igreja Católica Brasileira, o grupo sobrevive ao longo desses 157 de história, como um marco de resistência, organização cultural e como referencial de vida para os negros da região. (leia reportagem sobre o Catumbi nesta edição). 
 
 
 
 
A Festa do Senhor Bom Jesus realizada há mais de 150 anos, tem início no dia 28 de julho e termina no dia 6 de agosto com a procissão que percorre as principais ruas da cidade. Durante muitos anos, um trem de passageiros fazia viagens especiais para trazer centenas de fiéis à Festa. 

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