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A avalanche da falta de qualidade de ensino sufoca o Brasil (Setembro/2008)


O Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro conseguiu preencher somente três das 50 vagas para Juiz, num recente concurso, no qual concorreram mais de 2500 bacharéis em Direito. Repetindo: somente TRÊS passaram no concurso que tinha 50 vagas.  Os processos continuam empilhados nos tribunais, será feito um novo concurso.
A má qualidade dos cursos de Direito foi apontada como a causadora de tal insucesso. Em todo o país são mais de 2000 faculdades e centenas de milhares dos formados que jamais conseguem passar no exame de qualificação da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB.
Sempre que se ouve este tipo de notícia, imediatamente, surge a pergunta: se também os licenciados (futuros professores) precisassem fazer um exame de qualificação para ingressar na carreira. Quantos passariam? E quem, na verdade, estaria reprovado, o licenciado ou a faculdade que o "formou"?
As perguntas não param. E se os médicos, os engenheiros, os políticos, os técnicos, os jornalistas, enfim, todos os profissionais formados em escolas brasileiras, precisassem fazer um exame aplicado por avaliador externo para referendar seus diplomas.
Vamos mais longe? E se as escolas e universidades públicas recebem verbas de acordo com o desempenho de seus formados nos exames, a exemplo do que acontece na Europa, Ásia e Estados Unidos.
Do mesmo modo, as instituições privadas pudessem cobrar mensalidades também de acordo com a nota de seus alunos, será que a qualidade do ensino no Brasil melhoraria? Será que o MEC poderia retornar a exigir como nota mínima do ENEM o 5,0 (50%) para a concessão de bolsas de estudos do PROUNI  em vez 4,5 atualmente exigido.
Ou o que falta não é um teste, mas os profissionais da educação e escolas de todos os níveis, levarem a efeito a missão de ensinar, como apregoam seus Projetos Políticos Pedagógicos?
Será que o Brasil precisa de um teste de avaliação para os licenciados e também para professores em exercício em sala de aula, como tentou implantar o governo Fernando Henrique Cardoso e que deixou os professores apavorados?
Ou será que criar leis "que não pegam" e distribuir indiscriminadamente o nosso  dinheiro arrecado em impostos e contribuições governamentais; como faz o governo Lula, sem avaliar o processo educacional, nos levará à melhoria da qualidade de ensino!
A falta de qualidade de ensino no Brasil não é um problema de financiamento, mas de gestão, avaliação e ação. Vivemos num país em que as pessoas não dão o melhor de si ao desempenhar uma função seja pública ou privada, e ainda conseguem sempre jogar a culpa no outro.
As escolas brasileiras, independe se de ensino básico ou superior, preferem culpar a falta de qualidade dos professores das séries iniciais para justificar o insucesso nas séries finais. As escolas secundárias culpam as de ensino fundamental e  as de ensino superior culpam as escolas secundárias pela falta de aprendizagem no ensino superior. As universidades culpam os estudantes, que culpam o sistema.  Ou seja, todos são culpados.
A bola de neve da falta da qualidade de ensino no país está descendo montanha abaixo e transformando-se numa avalanche incontrolável. O que se vê são sirenes anunciando o desastre, um grupo pequeno de "bombeiros abnegados" tentando chegar em tempo de salvar alguém, mas encontrando muitos obstáculos no caminho.
Diante do "branco total", um universo de espectadores assiste perplexo, mas sempre com a proteção invisível da tela, limitando-se a discursar e ler sobre o desastre iminente e inevitável.
 A bola de neve da falta de qualidade cresce à medida que desce a montanha e já há pouco o que se possa fazer para evitar que todos sejamos sufocados.
Será que a única coisa a fazer, que não é a solução, será remover os escombros, socorrer os moribundos e aguardar os comentários dos especialistas e estrategistas de plantão?

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