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O Professor precisa tirar a cara da frente da mão do aluno (Junho/2008)

Em meados de junho os telejornais noticiavam que a cada semana, seis professores são agredidos fisicamente no Distrito Federal por alunos, ou ex-alunos. Em Santa Catarina, não existem estatísticas oficiais, mas ao abrir ou assistir a jornais, diariamente encontraremos reportagens sobre a violência que se instala nas escolas.

Precisamos lembrar que a escola não é uma ilha desvinculada da sociedade. Ao contrário, é uma instituição social e, se estamos numa sociedade que vê aumentar diariamente a violência, é natural que a escola viva esta realidade também e encare a escalada dos índices da violência social ou siga com a onda.

Ninguém sabe explicar ao certo as origens de tal violência. E para entrar diretamente no problema, ninguém consegue entender o porquê e as razões que podem levar um adolescente, um jovem ou mesmo uma criança, a rebelar-se contra um profissional que esta ali exclusivamente para educá-lo e ajudá-lo a melhorar sua vida. Um profissional que, todos sabem, já é injustiçado pelo salário auferido e pelas condições de trabalho. Daqui a pouco, os professores terão de receber adicional de periculosidade?!

Mas afinal, em que momento o professor passou a ser o alvo dos tapas, socos, pontapés, palavras de baixo calão e insultos por parte de seus próprios alunos? A resposta talvez esteja na construção da escola para a inclusão de todos. Atualmente todos são obrigados a freqüentar a escola. Assim, a escola passou a ser entendida como um lugar onde todos devem estar, sabendo ou não a razão e o objetivo de a freqüentar. Sem entender sua finalidade, a escola se transforma numa espécie de prisão para todos. E prisioneiros, se rebelam contra tudo o que representar autoridade.

Se revidar o tapa, a agressão, a pressão psicológica ou a ameaça, o professor será incriminado, pois é o adulto, apesar de ser um funcionário público no atributo de sua profissão e, portanto, estaria protegido pelo Código Penal. Mas essa deve ser mais uma dessas leis que não são cumpridas neste país da impunidade. E, quanto mais impunidade, maior a violência.

Depois de bater, insultar, ameaçar, ridicularizar a professora tanto na escola quando na internet, o aluno, por ser menor de idade, volta para casa, tem a vaga garantida na escola, etc... Então, o que fazer para tirar a cara da frente da mão do aluno?

Seguramente não se pode continuar a superproteger as crianças, adolescentes e jovens deixando-os e a seus pais, sem limites, sem metas a serem alcançadas.

E também não se pode permitir ser o s professores transformados em alvos dos insultos daqueles que deveriam estar educando pelos mesmos professores.

A escalada da violência certamente teve início com o aumento da quantidade de pessoas nas escolas, porque a violência está dentro e já nasce com cada ser humano.

A questão não é se somos ou não violentos, mas sim, se temos ou não autocontrole e civilidade suficiente para conviver pacificamente com nossas carências, perdas, virtudes e, principalmente, com as nossas e as limitações humanas dos alunos.

Efetivamente, a saída para tirar a cara da frente da mão do aluno é fazer com que aqueles não optem por levantar a mão ou a voz contra o professor. E se ser violento ou não, é uma opção individual, uma questão de autocontrole e de respeito, é preciso, antes de tudo, trabalhar estes valores nas escolas.

Os alunos não têm consciência de que estão presos na cadeia social da escolaridade, mais por imposição social (e profissional) do que pela motivação natural de aprender, de superação de desafios.

Para escapar da escalada da violência, as escolas precisam implantar mecanismos de aprendizagem efetiva de cidadania, autodisciplina e convivência pacífica, possibilitandos aos alunos participarem efetivamente das decisões, como faz a Escola da Ponte, em Portugal.

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