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A única maneira de aprender e de gostar de ler é lendo(Abril/2008)

A Matemática sempre foi o "bicho-papão" da escola brasileira até que, há pouco mais de uma década, os apaixonados pelo raciocínio lógico decidiram implementar ações para acabar com este mito.

Entretanto, tão logo o "monstro matemática" foi dominado, seu lugar foi tomado por outro "bicho-papão" , a Língua Portuguesa.

O desconhecimento do brasileiro acerca de sua Língua Pátria decorrente especialmente da falta de hábito da leitura é o maior de todos os monstros da atualidade.

Situação absolutamente compreensível se considerarmos o fato de que quem não sabe ler, entendendo ler como interpretar e compreender qualquer texto de quaisquer gêneros, jamais conseguirá resolver qualquer problema matemático. E se não consegue resolver o mais simples dos problemas matemáticos, como resolverá os problemas da vida pessoal e, especialmente, profissional? Qual empresa teria colocação para um analfabeto funcional?

Afinal, não é a empresa que deve adaptar-se ao trabalhador, mas este à empresa. A tecnologia, os relatórios de controle de produção, os equipamentos e a necessidade de trabalho em equipe são uma realidade em todo e qualquer espaço do planeta Terra.

Com a consciência de que o problema não era a Matemática, mas a interpretação do problema, as pessoas envolvidas no processo educacional foram logo encontrando novos culpados pelo fracasso escolar: o professor das séries iniciais, o professor de Português e a pressão dos gestores para reduzir os números da reprovação.

Aos professores de Português foi atribuída a grande tarefa de ensinar a ler e interpretar, como se estas habilidades fossem possíveis de serem ensinadas somente durante as aulas da Língua Portuguesa. Novamente especialistas e apaixonados foram em busca de soluções e criaram programas de incentivo à leitura. Este ano será realizada a primeira Olimpíada da Língua Portuguesa.

Mas como incentivar à criança, ao adolescente, ao jovem ou mesmo ao adulto a ler? Assistir a uma contação de história, uma dramatização ou mesmo a um recital de poesias não é, definitivamente, um incentivo ao desenvolvimento do hábito da leitura. No máximo, os assistentes vão se encantar pela história e talvez, um entre mil, resolva ler a história. O que, convenhamos, é bastante raro, já que ele já a conhece por inteiro.

Neste mês de abril, durante as comemorações do Dia Internacional e do Dia Nacional do Livro Infantil muitos equívocos, como este, voltaram a acontecer.

Repetimos, não se desenvolve o hábito da leitura e não se aprende a interpretar textos, sem ler sempre e muito e sem exercitar a interpretação e a compreensão do texto diariamente! Obviamente, só se aprende a ler, lendo sempre e muito!

Professores, e não somente os de Português, precisam encontrar formas de levar seus alunos a ler e interpretar, pois nossa história, geografia, matemática, enfim, a vida é incompreensível para quem não sabe ler. E quem não sabe ler, não sabe estudar, não sabe resolver problemas, não sabe se comunicar...

É impossível viver no mundo globalizado pela Internet, sem saber ler e interpretar as relações entre a vida e a morte no planeta Terra.

Quem lê aprende, raciocina, sabe estudar, descobre outros mundos, outros modos de viver. Quem não lê, não vive, apenas sobrevive. E só se aprende a ler, LENDO.

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