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Psicologia e Educação

O NOVO NORMAL NA EDUCAÇÃO: A ESCOLA FORA DA ESCOLA

Neste momento, vivemos a segunda onda da pandemia de COVID-19, com aumento de casos em quase todos os estados, principalmente no Sul do Brasil. Enquanto se cogita a volta às aulas presenciais, mesmo com o número crescente de casos e com a fragilidade e incertezas dos protocolos de segurança a serem cumpridos pelas escolas, os professores seguem fazendo das tripas coração para trabalharem os conteúdos de forma remota.

Poucas famílias querem que seus filhos voltem ao ambiente escolar durante a pandemia. Em geral, os pais que querem seus filhos de volta à escola pertencem a um grupo que minimiza a pandemia e os efeitos do vírus, transformando um problema de saúde pública num problema político-ideológico. Eu, particularmente, acho o ensino domiciliar uma excrescência de paranoicos, antissociais e pessoas excludentes.

Mas, paradoxalmente, sou a favor de um novo modelo que poderá vir a ser implantado no mundo todo, que inclui o ensino domiciliar parcial mesclado com o presencial.
O novo normal trará mudanças de atitudes nas pessoas, embora a única atitude que vemos da maioria da sociedade é a falta de cuidados no distanciamento social e o desprezo pelo uso das máscaras, mas isso se deve a ignorância do povo e do modelo de negação da doença por parte de políticos populistas.

Dentre as mudanças em curso está uma nova dinâmica na forma de lidarmos com o processo de aprendizagem. Os educadores foram forçados a inserirem a Informática em suas aulas, em buscarem mais interatividade com o aluno e com o conteúdo. Finalmente!! A internet já tem 25 anos e praticamente era uma desconhecida do universo da maioria dos professores, principalmente nas escolas públicas. Sem contar que ainda usamos pouco e muito mal a rede mundial e seu conteúdo: sobra informação inútil e futilidades e falta transformar os dados em conhecimento útil em nossas vidas.

Os alunos estão aprendendo a usar as ferramentas da Informática para além de jogos e redes sociais, tendo de construir conteúdos, fazer pesquisas, participarem de atividades online, fazerem reuniões em grupos virtuais. Aqueles que não tinham o hábito de assistirem complementos das aulas no YouTube (onde os alunos dizem que as explicações são mais claras, mais didáticas) nem de frequentar as plataformas virtuais (quase toda rede particular tem, mas com atividades pouco interessantes ou pouco exploradas), viram-se obrigados a buscar novas formas de entender o conteúdo.

Os professores tiveram de reaprender a ensinar, agora com ferramentas e manejos didáticos diferentes e dinâmicos, mas ainda usam poucos recursos. Ainda tem muito professor que acha que ensino remoto é só falar para a câmera! Claro, pesquisar e criar conteúdos interativos cansa. Isso mudará, com a aquisição de habilidades na construção das alternativas, pois ainda engatinhamos no uso útil da internet para nosso desenvolvimento.

A nova onda que virá, por efeito da pandemia, é um ensino híbrido entre aulas online e aulas presenciais. Serão menos dias por semana na escola, para atividades complementares. É a tendência: mesclar aulas online com conteúdos aprimorados, com vídeos editados previamente com conteúdo interativo, cheios de links, de vídeos mais didáticos, explicações dinâmicas, exercícios online, dinâmicas e games fazendo parte do desenvolvimento do raciocínio e da forma de ensinar, atraindo a atenção dos alunos. Até porque se for para ensinar conteúdos remotos assim, somente com os professores falando para a câmera, mas mantendo o blábláblá, é melhor mandar que estudem o conteúdo pesquisando sozinhos. E sim, os alunos veem explicações longas como blábláblá! Não serve mais para esta geração! E os alunos não vão mudar, quem deve mudar a didática e caçar o interesse é, sim, o professor.

As aulas presenciais tenderão a ser para atividades esportivas e culturais, para dinâmicas de grupo, para debates e atividades de interação, creio que duas vezes por semana, no máximo. Assim, além de manterem a socialização, diminuirá a praga da indisciplina (fruto de aulas desinteressantes, de famílias sem a devida estrutura e filhos sem a orientação), elevará a segurança, poderemos ter grupos menores dia a dia, enfim, novas oportunidades surgirão.

Mas um fato é inequívoco: a tendência é que as crianças estudem mais em casa e interajam mais nas escolas, como deveria ser desde o início da educação formal. Um novo normal, porque a escola verdadeira é aquela que dá conta de equilibrar o sujeito fora da escola, na vida. E foi um vírus desgraçado que teve de vir para descobrirmos isso...

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