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Histórias da Educação

Nova leitura da nacionalização do ensino (Dezembro/2008)

No último mês de novembro, o Exército brasileiro marcou presença no território catarinense para auxiliar os desabrigados e desalojados das enchentes que castigaram vários municípios, especialmente no Vale do Itajaí. A chuva impiedosa e ditadora invadiu ruas e casas e provocou a queda de morros, ocasionando pânico e morte.
 Nesse novembro chuvoso e dramático, um outro fato lembrou a intervenção do Exército em Santa Catarina. Trata-se do lançamento do livro “Santa Catarina, 1930: da degenerescência à regeneração” (Editora da UFSC), de Cynthia Machado Campos – professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O livro aborda a nacionalização autoritária da cultura e da educação durante o “Estado Novo” (1937-1945), período da ditadura chefiada por Getúlio Vargas. O poder estadonovista mobilizou o Exército brasileiro para reprimir imigrantes ou descendentes de imigrantes que falassem a língua alemã ou italiana. Essa ação militar produziu medos, perseguições e mortes.
 O livro de Cynthia Campos faz uma releitura da Revolução de 30, percebendo-a como um marco na construção da nacionalidade brasileira, a partir da implantação de uma “modernidade regeneradora”. O desafio dos revolucionários de 1930 era concretizar uma sociedade homogeneizada a partir da forma nacional, como ocorria em vários países do mundo. O binômio saúde-educação estabeleceu-se com o intuito de formar cidadãos saudáveis, produtivos, dóceis e obedientes. Esse fito coloca-se de forma cuidadosa no início dos anos 1930, mas se consolida, de forma autoritária, durante o Estado Novo.
 É a partir dessa perspectiva que o livro “Santa Catarina, 1930: da degenerescência à regeneração” visibiliza a emergência de instituições regeneradoras de caráter educativo-assistencialista, nas décadas de 1930 e 1940, voltadas particularmente para as classes populares. É nessa conjunção que são projetadas e criadas instituições de isolamento específicas para diferentes grupos sociais desfavorecidos, como o Abrigo de Menores, a Penitenciária da Pedra Branca e o Hospital Psiquiátrico Colônia Sant`Ana.
 Por outro lado, o livro de Cynthia Campos mostra que, em Santa Catarina, a construção da normalização nacionalizada deu-se de forma intensa e dramática devido à formação multiétnica da sociedade catarinense, que tem expressiva presença de descendentes de imigrantes europeus. Após a Revolução de 1930, armou-se um projeto com o propósito de suprimir as chamadas “escolas étnicas”, que se concretizaria, de modo centralizador e autoritário, durante o Estado Novo. Para substituí-las, o Governo Estadual criou um grande número de escolas públicas, que contribuiria para a nacionalização do ensino.   
 O livro “Santa Catarina, 1930: da degenerescência à regeneração” proporciona um novo e instigante olhar sobre a nacionalização da cultura e do ensino em Santa Catarina. Por isso, ele merece leitura atenta e reflexão demorada.

 

 


 

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