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JECC 3 - RELATO DE EXPERIÊNCIA _ ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM TEMPOS DE PANDEMIA: EXPERIÊNCIA ÚNICA

SUPERVISED CURRICULUM INTERNSHIP IN TIMES OF PANDEMICS: UNIQUE EXPERIENCE

 

Kelin Blanke Cunha1

Luzia Kienen Padilha2

 

RESUMO: Este texto apresenta o relato de experiência da atuação docente referente às atividades do estágio curricular integrado ao Programa Residência Pedagógica do curso de Pedagogia, da Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC. A prática docente aconteceu em uma Escola Municipal, localizada no município de Jaraguá do Sul/SC, no primeiro semestre de 2021. A docência foi desenvolvida com turmas de 2° ano (com idade de 7 a 8 anos). O planejamento foi elaborado a partir da observação e contextualização do campo de estágio. O momento de intervenção docente contribuiu para o enriquecimento da formação docente, permeada por experiências que oportunizaram reflexões constantes sobre as práticas pedagógicas, no momento pandêmico em que vivemos. De fato, podemos dizer que o estágio realizado no período de pandemia foi muito significativo para nossa aprendizagem enquanto futuros professores da Educação Básica.

 

Palavras-Chaves: Docência; Estágio; Residência Pedagógica.

 

 

ABSTRACT: This text presents the experience report of the teaching performance regarding the activities of the curricular internship integrated to the Pedagogical Residency Program of the Pedagogy course, at the University of the State of Santa Catarina/UDESC. The teaching practice took place in a Municipal School, located in the city of Jaraguá do Sul/SC, in the first semester of 2021. Teaching was developed with 2nd year classes (aged 7 to 8 years old). The planning was developed from the observation and contextualization of the internship field. The moment of teacher intervention contributed to the enrichment of teacher education, permeated by experiences that provided opportunities for constant reflections on pedagogical practices in the pandemic moment in which we live. In fact, we can say that the internship performed during the pandemic period was very significant for our learning as future Basic Education teachers.

 

Keywords: Teaching, Phase, Pedagogical Residence.

 

 

 

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Este relato de experiência apresenta as experiências vividas durante o Estágio Curricular vinculado ao Projeto Residência Pedagógica do Curso de Pedagogia a Distância, do Centro de Educação a Distância, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A intervenção docente ocorreu no período de 26/02/2021 até 16/04/2021, nos turnos matutino e vespertino, em uma Escola Municipal, localizada no município de Jaraguá do Sul/SC, com as turmas de 2° ano (crianças de 7 a 8 anos) que participaram do Projeto Residência Pedagógica, o qual teve como finalidade auxiliar esses alunos no processo de alfabetização e letramento. Essa intervenção nos oportunizou reflexões sobre as experiências adquiridas nesse período.

Primeiramente apresenta-se a caracterização do campo de estágio. Em seguida a contextualização e compreensão dos processos de intervenção docente como práxis pedagógica na Educação Básica. A partir dessa compreensão apresenta-se as impressões acerca das experiências obtidas em campo. Por último, as considerações finais e as referências que fizeram parte desta escrita.

 

2 CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

A Escola Municipal de Educação Básica está integrada ao Sistema Municipal de Educação, criado pela Lei Complementar nº 2.561/99, e autorizada pela Portaria nº 19, de 09/09/1936, e na Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul pela Portaria nº 40 de 06/06/1939 a qual alterou o nome da escola.

Para patrono da referida escola, foi escolhido um pintor brasileiro, Vitor Meirelles, que nasceu em Desterro (hoje Florianópolis), Santa Catarina, em 1832 e que morreu em 1903. Foi um dos dois grandes pintores voltados para o registro dos eventos marcantes da história oficial do Brasil. Estudou pintura no Rio de Janeiro e, depois, em Florença, Roma e Paris. Para pintar a Primeira Missa no Brasil, o pintor apoiou-se no conteúdo da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. A motivação para essa obra foi enaltecer a convivência supostamente pacífica entre brancos e índios.

 

2.1 A Intervenção Docente como Práxis Pedagógica nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental/Residência Pedagógica

 

Os Anos Iniciais se constituem uma etapa da escolaridade focada no desenvolvimento intelectual e social do aluno, quando se procura formar as bases do pensamento da criança por meio de atividades lúdicas e brincadeiras.

Nesse sentido, consideramos que o profissional docente e sua práxis necessita de um trabalho educativo pautado na consciência crítica e no compromisso social, pois o professor deve ser capaz de mediar e recriar saberes, promover a autonomia dos seus alunos na aquisição de conhecimentos qualificados, norteado pela inovação da sua prática educativa. E a práxis no ensino durante o Estágio Supervisionado possibilita que o futuro educador obtenha noções básicas do que é ser professor nos dias atuais.

Dessa forma, o estágio juntamente com o Programa de Residência Pedagógica favorece ao futuro professor um espaço privilegiado para vivenciar experiências pedagógicas de modo a inovar a profissão docente. Os conhecimentos e as atividades que constituem a base formativa do Curso de Pedagogia também são essenciais, pois oportunizam ao futuro educador apropriar-se de instrumentos teóricos e metodológicos para que ele compreenda as necessidades do sistema educacional.

O processo de formação dos professores acontece de modo contínuo, pois, através do conhecimento que será construído, eles se tornarão educadores que irão realizar práticas pedagógicas por meio de metodologias, teorias e conceitos. Dessa forma, o docente será norteado para desenvolver suas competências como futuro profissional da educação, mediando, por meio de uma pesquisa reflexiva, a relação entre o espaço escolar e a realidade de cada educando. Nestes termos, desenvolve-se um saber-fazer integrado a um saber-porque-fazer, que privilegia tanto a sua formação quanto o processo de ensino-aprendizagem do discente.

A Pesquisa-Ação propõe a formação de professores críticos e reflexivos, capazes de perceber os condicionantes de suas práxis pedagógicas e, consciente deles, intencionar uma compreensão teórica do contexto educativo em que atua, para então, propor intervenções que visem propiciar uma formação humana e integral com seus educandos.

Acreditamos que o ensino é “[...] uma prática social que busca a concretização de pretensões educativas” (FRANCO, 2005, p.44), por meio das quais o docente realiza a mediação dos conhecimentos de acordo com os valores e intenções presentes na sociedade, deixando de ser apenas um reprodutor de valores e práticas transformadoras, vigentes na sociedade, o que lhe possibilita a formação de cidadãos críticos para “ ler e escrever” de forma crítica a realidade na qual estão inseridos.

Assim, a Pesquisa-Ação nos proporciona condições de desenvolver conhecimentos e saberes epistemológicos, para que futuramente possamos desempenhar com propriedade e competências adequadas à função educacional, crítica e reflexiva durante as nossas práticas pedagógicas. Conforme Pimenta e Lima (2004, p.12):

 

Nesse processo, o papel das teorias é o de iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação, que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e, ao mesmo tempo, se colocar elas próprias em questionamento, uma vez que as teorias são explicações sempre provisórias da realidade.

 

De acordo com as autoras, podemos salientar que as relações entre professor e aluno, escola e sociedade, teorias e práticas pedagógicas, fazem parte do processo de construção e do desenvolvimento de uma ação educativa consciente. Em suma, o processo de Pesquisa-Ação no Estágio Supervisionado/Residência Pedagógica auxiliou-nos no estabelecimento sistemático de reflexões sobre tais relações, permitindo analisá-las em seus fundamentos, e assim transpô-las do nível teórico para o nível prático.

Por estarmos ainda vivendo um momento atípico, desde 17 de março de 2020, após uma reunião do Comitê Municipal de Análise ao Covid19, tivemos a suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino de Jaraguá do Sul, tanto nas escolas como nos centros de educação infantil, como medida de segurança ao combate contra a propagação desse vírus.

Segundo publicou a chefe de gabinete municipal, Emanuela Wolf:

 

Foi, com certeza, uma decisão muito difícil. Mas acreditamos ser o mais prudente para reduzir a circulação de pessoas. O foco é preservar a saúde da população. Isso vai passar, vamos superar. Quanto antes tomarmos as precauções, mais cedo sairemos desta crise de saúde pública que afeta todo o mundo. Agora é preciso consciência e união. (https://www.jaraguadosul.sc.gov.br/news/prefeitura-de-jaragu-do-sul-suspende-as-aulas-at-o-dia-20-de-abril)

 

A partir do dia 02 de abril de 2020, as escolas iniciaram as aulas virtuais no município. Logo após o decreto de suspensão das aulas presenciais, foram criadas 995 salas virtuais no Google play store (sala de aula no Google), nas quais os alunos foram inseridos. E o processo de ensino e aprendizagem foi constituído de forma remota para que os alunos pudessem concluir o ano letivo de 2020.

No entanto, neste ano de 2021 as aulas da rede municipal de Jaraguá do Sul – SC iniciaram no dia 08 de fevereiro, as quais estão sendo realizadas por meio de ensino híbrido. Dessa forma, cada turma está dividida em 3 grupos: grupo A grupo B e grupo C. O grupo A iniciou a primeira semana de aula de forma presencial, enquanto o grupo B participava das aulas de forma remota, e assim os dois grupos foram alternando as aulas presenciais, uma semana uma turma, na outra semana a outra. Já o grupo C, cujos alunos são considerados grupos de risco, realizaram todas as aulas de forma remota.

Nesse contexto de pandemia, o Comitê Municipal de Análise ao Covid19 não permitiu a presença de estagiários em sala de aula por questões de prevenção à saúde pública. Por isso, estamos adaptando parte do Programa Residência Pedagógica - CEAD/UDESC, que tem por objetivo “Aproximar estudantes de Licenciatura em Pedagogia ao cotidiano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental I da Educação Básica, para desenvolver capacidades específicas da docência, com destaque para os direitos de aprendizagem das crianças e aspectos teóricos e metodológicos relacionados à alfabetização por meio de múltiplas linguagens, envolvendo a “literacia e numeracia." De acordo com esse viés, tivemos a oportunidade de atuarmos em sala de aula, ao mesmo tempo que computamos as horas de Residência Pedagógica para o Estágio Supervisionado IV.

Registramos ainda nossa participação em momentos de formação no II semestre de 2020. Entre os eventos realizados, destacamos: 1º Colóquio Interdisciplinar na Formação de Professores UDESC, realizado no dia 08/09/2020, por meio do qual participamos da primeira mesa temática desse Colóquio. O primeiro debate voltou-se para o seguinte tema: “A Ludicidade nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental”.

No dia 22/09/2020, a mesa abriu o debate sobre a Alfabetização e Letramento de Estudantes Surdos, com o objetivo de compreendermos os processos de aquisição do português para esse público como segunda língua. No dia 28/09/2020, participamos da terceira mesa temática: O Ensino de Geografia nos Anos Iniciais que nos fez compreender que a ciência da linguagem cartográfica é responsável pelo estudo e elaboração de representações dos espaços.

No dia 06/10/2020, participamos da quarta mesa temática: Conversando sobre educação sexual:  alguns saberes e fazeres no cotidiano escolar. Por meio de debates, buscou-se estimular reflexões críticas sobre possibilidades e limites de vivenciarmos processos emancipatórios de educação sexual, assim como compartilhamos experiências bem-sucedidas do nosso trabalho com Educação Sexual Intencional na Educação Infantil e Séries Iniciais da Educação Básica.

No dia 20/10/2020 tivemos a quinta mesa temática: A Escola para Todos: do planejamento à avaliação. Nesse ponto, tivemos a oportunidade de compreender que o planejamento e a avaliação, na prática pedagógica, são dois eixos de extrema importância para um bom trabalho docente.

Já no dia 03/11/2020 tivemos a sexta e última mesa temática: O Ensino de História nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: Experiência e Desafios. Durante essa Mesa Temática, tivemos a oportunidade de compreender que o Ensino de História se obtém de um conjunto de informações sobre processos e fatos ocorridos no passado e que esses contribuem para a compreensão do presente.

Participamos, também, da Semana Acadêmica das Atividades de Licenciaturas do CEAD, quando tivemos a oportunidade de compreender o tema “acessibilidade nas práticas de ensino para estudantes público e não público alvo da educação especial”. De acordo com essa abordagem, tornamo-nos motivados para o nosso melhor ao promover o desenvolvimento de nossas crianças e proporcionar a elas momentos de aprendizagem de forma a enriquecer seus conhecimentos já adquiridos.

 

2.2 Análises e Reflexões sobre a Experiência Docente no Campo de Estágio/Residência Pedagógica em Tempo de Pandemia/Residência Pedagógica

 

No ano de 2020 conseguimos dar início a algumas atividades práticas com as preceptoras. Algumas residentes deram início às atividades presenciais e outras realizaram atividades de forma remota. Neste momento, realizamos nossas atividades de forma remota e confeccionamos jogos pedagógicos para auxiliar os alunos em seu desenvolvimento cognitivo e psicomotor.

No dia 26 de fevereiro de 2021, iniciamos as atividades presenciais, com foco no processo de ensino-aprendizagem da alfabetização. Nesse momento foi evidenciado as dificuldades dos alunos de adaptação ao ensino remoto devido à pandemia do Covid-19.

Entretanto, depois de um ano de ensino remoto, tornou-se difícil o retorno dos alunos às atividades presenciais devido aos problemas que estavam enfrentando. Além disso, o distanciamento social e as medidas de segurança que o momento exige, também foram causadores de defasagem na aprendizagem. Na turma na qual realizamos nossa intervenção, apoiados no Projeto da Residência Pedagógica, no segundo ano do Ensino Fundamental, há muitas crianças que ainda não estão alfabetizadas, inclusive há alunos que nem reconhecem as letras. Além disso, as dificuldades encontradas em todas as turmas ocorrem sucessivamente.

O Estágio/Programa de Residência Pedagógica nos oportunizou novas vivências, quando obtivemos várias experiências que nos permitiram adequar toda a teoria que vimos estudando nas disciplinas do Curso de Pedagogia as quais favoreceram nossa prática docente. Percebemos, então, a importância de um planejamento rico em atividades lúdicas, que despertem o interesse das crianças.

Assim, relembramos que, em 2009, foram publicadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL/DCNEI, 2009) com orientações que visam ao desenvolvimento integral da criança desde antes da sua alfabetização.

Nesse sentido, as DCNEIs abordam a seguinte concepção sobre a criança, preconizando que ela é um:

[...] sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (BRASIL, 2010, p. 12).

 

Dessa forma o educador e educadora necessita reconhecer a importância do lúdico no desenvolvimento da criança em sua multiplicidade e integridade, pois a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL/BNCC, 2017) propõe a necessidade de conviver, brincar, explorar, participar, expressar e conhecer-se, quando preconiza que o brincar deve ser tratado como direito e principal recurso para assegurar o desenvolvimento da criança.

Com essa intenção, foi proposto um planejamento que incluísse histórias, vídeos, atividades variadas e muitos jogos por meio dos quais as crianças pudessem manusear, tais como, recorte de jornais contendo sílabas para que eles montassem palavras. Todos os jogos foram confeccionados com papel contact, material que permite esterilização com álcool após o uso.

O planejamento foi estruturado de acordo com as seguintes etapas: de 26/02/2021 a 05/03/2021, as sequências didáticas foram divididas em quatro momentos. No primeiro momento propusemos que os alunos ouvissem histórias cujos sons das letras fossem bem pronunciados para que eles percebessem o som inicial dos nomes deles antes destes serem mostrados na lousa. No segundo momento as crianças ouviram e interagiram com a história do Godofredo e suas aventuras a fim deles explorassem as vogais e seus sons dentro das palavras, ainda deviam separar silabicamente as palavras oralmente, e, ao mesmo tempo, bater palmas para elas verificarem quantas vogais continha cada vocábulo. A atividade do terceiro momento foi o registro dessas palavras. No quarto momento propusemos diversos jogos com as palavras estudadas.

Entre os dias 12/03/2021 e 19/03/2021, trabalhamos quatro momentos. O primeiro momento se destinou à audição das histórias das letras para eles perceberem o som inicial dos nomes de cada um, mostrando-lhes as referidas letras na lousa. O segundo momento se destinou à continuação da história do Godofredo e suas aventuras. Exploramos com as crianças o som da letra B, ilustrando-a com as seguintes palavras: Balão, Bolo, Bomba e Brigadeiro. Procuramos silabicamente as palavras, oralmente, ao mesmo tempo batendo palmas, para que os alunos verificassem quantas vezes abrimos a boca para eles emitirem os sons das sílabas contidas nas palavras. No terceiro momento realizamos algumas atividades de registro escrito. Trabalhamos, no quarto momento, com um jogo através do qual os alunos retiravam uma figura do monte de cartas. Ainda exercitamos a contagem das vezes que os alunos abriam a boca para falar a palavra que constavam da figura. Solicitamos que as crianças colorissem as figuras conforme a quantidade de sílaba. Ganhava quem chegasse na letra B em primeiro lugar.

Entre os dias 26/03/2021 e 09/04/2021, desenvolvemos mais quatro momentos de atividades. No primeiro momento voltamos à contação da história do som da letra C. No segundo momento continuamos a história do Godofredo e suas aventuras. Então explorar o som da letra C, explorar palavras iniciadas com som da letra C, acompanhadas de vogais. Para o terceiro momento, apresentamos aos alunos atividade de registro escrito. E no quarto trabalhamos como jogo da roleta.

A última etapa ocorreu entre os dias 09/04/2021 e 16/04. No primeiro momento, assistimos um vídeo com no qual exploramos o som da letra D https://www.youtube.com/watch?v=vUUeZJ6Cg7s. No seguinte momento promovemos novamente a contação da história do Godofredo e suas aventuras até o slide 9. E ainda exploramos o som da letra D. No terceiro momento desenvolvemos o jogo de estourar balões. Durante essa ação, os alunos expressaram oralmente o nome de algumas figuras, pautando-as em sílabas. No quarto momento, solicitamos que os alunos montassem palavras iniciadas com a letra D. Deu-se também uma atividade de registro e segmentação de palavras, recortadas de jornais, e que depois foram coladas em papel sulfite.

A professora regente de cada turma passou uma relação dos alunos com maior necessidade de participar do nosso projeto. Para que as crianças ficassem interessadas em participar, usamos a desculpa de que eles foram “escolhidos” ou “sorteados” para fazer uma aula “diferente”.

Foi possível observar também que muitos alunos apresentam insegurança para se manifestarem, tirar dúvidas e fazer perguntas, pois houve situações nas quais certas crianças tinham o conhecimento da letra ou palavra e mesmo assim apresentavam insegurança ao se expressarem. A grande maioria das crianças permaneceu por um curto período em atitude de concentração durante as atividades. Entretanto havia alunos que já estavam em nível mais avançado, pois reconheciam letras e fonemas, e que conseguiam realizar as atividades com mais facilidade.

Entre todos os alunos atendidos no projeto, existia um aluno do segundo ano que apresentou um comportamento bem diferenciado dos demais, negando-se a sentar para participar da aula, jogando os materiais no chão, desafiando as residentes o tempo todo.

Considerando que todo planejamento é flexível, foi necessária uma atenção redobrada a ele, obrigá-lo a sentar para fazer as atividades não seria conveniente. Foi necessário desviar a atenção dessa criança por meio de um diálogo, durante um passeio pela escola, quando conversamos sobre coisas do seu interesse até que ele aceitasse voltar à sala nos surpreendendo ao começar a participar das atividades com vontade e rapidez, praticamente tornando-se alfabetizado.

No que diz respeito aos joguinhos, essa atividade é a mais esperada por todos os alunos. Muitos deles interpretavam os desenhos e, aos poucos, relacionavam-nos com as sílabas. Essa foi uma estratégia bem interessante para trabalhar a alfabetização, pois as crianças aprenderam brincando. Por meio da intervenção realizada, tivemos a oportunidade mediar conhecimentos com os alunos e, ao mesmo tempo, adquirir saberes extremamente importantes para nossa formação docente.

Segundo Freire (1996, p. 72):

Ensinar exige alegria e esperança, há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podem aprender ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos a nossa alegria.

 

De acordo com Freire, podemos salientar que durante o processo de intervenção, proporcionado pelo Estágio Supervisionado/Residência Pedagógica, tivemos a oportunidade de vivenciar momentos de interação com as crianças que, através do processo de ensino e de aprendizagem, se deu a troca de conhecimentos e saberes.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

O relato ora apresentado, que compartilha experiências vivenciadas no Estágio Curricular, orientado pelo Programa Residência Pedagógica, nos proporcionou a oportunidade de desenvolver práticas, com segurança, para que possamos atuar na em sala de aula, e de vivenciar o ambiente escolar. Tornou-se, portanto, uma oportunidade de complementação dos nossos conhecimentos teóricos para a implantação da nossa prática pedagógica, por meio do cumprimento das atividades relacionadas à prática docente. Em nossa intervenção, pudemos vivenciar a realidade de estarmos inseridos em sala de aula.

Considerando-se que a primeira experiência de um/a professor/a costuma ser muito desafiadora em relação ao perfil das suas turmas, saber o que fazer e como agir diante de determinadas situações atípicas no ambiente escolar vai além das teorias ensinadas nas disciplinas de uma graduação. Por isso, a vivência na rotina de uma instituição escolar é essencial para nossa formação, e devido ao trabalho de intervenção pudemos vivenciar experiências ora relatadas.

Como ainda estamos vivendo um momento atípico que é a pandemia do Covid-19, enfrentamos algumas dificuldades, tais como: dar continuidade às atividades presenciais, manter o distanciamento entre os alunos (pois as crianças acabam esquecendo e se aproximam uns dos outros), pois também encontramos dificuldade quanto ao uso das máscaras, pois, os alunos ficam evitando essa forma de proteção, colocando-as no queixo nos momentos de fala. No entanto, nós, os residentes e os/as professores/as, também estamos sentindo dificuldades quanto ao uso da máscara, pois esta dificulta a comunicação e o entendimento de quem está ouvindo. No entanto, sabemos que o distanciamento social e o uso de máscaras é extremamente importante nesse momento e o que nos resta é a esperança de que tudo isso vai passar.

Além do período de intervenção, ainda tivemos a oportunidade de participar das reuniões acerca da construção do nosso projeto, quando trocamos ideias com as preceptoras, coordenadora e as demais residentes do projeto. Nessa ocasião, também socializamos o estudo realizado acerca dos conteúdos da BNCC (BRASIL, 2018), além de adquirirmos novas experiências por meio de importantes vivências.

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília: MEC, SEB, 2010.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 2018 – Brasília.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 37. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

FRANCO, Maria Amélia Santoro. A pedagogia da pesquisa-ação. Educação e Pesquisa, v. 31, n. 3, São Paulo, set./dez. 2005.

 

PIMENTA, Selma G.; LIMA, Maria Socorro L. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez Editora, 2004.

 

https://www.jaraguadosul.sc.gov.br/news/prefeitura-de-jaragu-do-sul-suspende-as-aulas-at-o-dia-20-de-abril)

 

 

1 Acadêmica do Curso de Pedagogia. UDESC/CEAD.

2 Acadêmica do Curso de Pedagogia. UDESC/CEAD.

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