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JECC 3 - A PRÁTICA DOCENTE MEDIADA PELAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO-APRENDIZAGEM

      1. TEACHING PRACTICE MEDIATED BY INFORMATION AND COMMUNICATION TECHNOLOGIES AS A TEACHING-LEARNING STRATEGY

 

Fabiana Lorenço1

Gilmara Fátima dos Santos2

Rudinéia Tamagno3

 

Resumo: Este trabalho apresenta o resultado das práticas docentes decorrentes do Estágio Curricular, no Curso de Pedagogia/UDESC. A intervenção docente ocorreu no primeiro semestre de 2021, em uma Escola Municipal localizada no município de Navegantes de Santa Catarina. O trabalho foi desenvolvido com um grupo de alunos do 5º ano do Ensino Fundamental que apresentava dificuldades de aprendizagem. Foram desenvolvidas sete sequências didáticas com três grupos de alunos, as quais foram trabalhadas através da plataforma Google Meet. Para promover a aprendizagem dos alunos foram utilizados recursos digitais, tais como o quadro interativo, o Google Jamboard, uma plataforma de jogos interativos IXL, e sites que continham atividades pedagógicas. O estágio supervisionado, mesmo desenvolvido durante a pandemia, serviu para ampliar a aprendizagem no grupo de acadêmicos, pois, além de proporcionar novas experiências por meio de práticas pedagógicas, possibilitou vivências de mediações docentes com o uso das Tecnologias de Comunicação e de Informação.

 

Palavras-chaves: Docência, Educação, Tecnologia.

 

 

ABSTRACT: This work presents the result of teaching practices resulting from the Curricular Internship, in the Pedagogy Course/UDESC. The teaching intervention took place in the first semester of 2021, in a Municipal School located in the municipality of Navegantes de Santa Catarina. The work was developed with a group of students from the 5th year of elementary school who had learning difficulties. Seven didactic sequences were developed with three groups of students, which were worked through the Google Meet platform. To promote student learning, digital resources were used, such as the interactive whiteboard, Google Jamboard, an IXL interactive game platform, and websites that contained educational activities. The supervised internship, even developed during the pandemic, served to expand learning in the group of academics, as, in addition to providing new experiences through pedagogical practices, it enabled experiences of teacher mediation with the use of Communication and Information Technologies.

 

Key Words: Teaching, Education, Technology.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Um dos momentos em que o acadêmico entra em contato com a realidade escolar é o estágio. Podemos dizer que nós, as acadêmicas da 7ª fase do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), tivemos oportunidade de aprimorar nossos conhecimentos científicos através das disciplinas de Estágio Curricular Supervisionado (I, II, III e IV), as quais foram ofertadas nas 4ª, 5ª, 6ª e 7ª fase do referido curso. Consideramos que uma disciplina complementou a outra e juntas possibilitaram os acadêmicos articularem a teoria estudada com a prática pedagógica, fundamentando os conteúdos abordados durante nossa atividade docente como aconteceu durante nossa formação no decorrer de todo o curso de licenciatura.

O artigo aqui apresentado, portanto, se constitui em um registro histórico do estágio curricular supervisionado, ou seja, revela-se o fruto das experiências vivenciadas durante a nossa intervenção docente, na qual as estagiárias observaram os alunos de maneira remota, devido à atual situação da pandemia do COVID-19. Nossa atuação como docente ocorreu com a turma do 5º ano do Ensino Fundamental, em uma Escola Municipal, localizada na cidade de Navegantes. Após conversas com a professora regente, identificou-se a necessidade de retomarmos com os alunos conteúdos de Matemática, em especial a multiplicação e divisão. Nesse sentido, ainda foi solicitado que nós, os estagiários, trabalhássemos com alguns alunos individualmente, como forma de reforçar as atividades para aqueles que revelam dificuldade na aprendizagem de tais conteúdos.

O aporte teórico utilizado no projeto, subsidiou também a prática durante o processo formativo e para isso foram pesquisados documentos oficiais, que norteiam o sistema de ensino nos anos iniciais do Ensino Fundamental, em âmbito nacional, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), as Diretrizes Curriculares Nacional da Educação Básica (2013) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, 1996). No âmbito estadual, adotamos o Currículo Base da Educação Infantil e Ensino Fundamental do Território Catarinense (2019) e a Proposta Curricular de Santa Catarina (2014).

 

2 A INTERVENÇÃO DOCENTE COMO PRÁXIS PEDAGÓGICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

O momento do estágio no Ensino Fundamental contribui para a formação do futuro professor, promovendo reflexões e melhorando a compreensão quanto à problematização do que é observado em campo de estágio. É através do estágio que o professor em formação adquire a base necessária para sua reflexão e ação de acordo com as especificidades dessa etapa do processo de ensino e aprendizagem. De acordo com a realidade observada, o acadêmico de Pedagogia vislumbra possibilidades de agregar toda teoria estudada, colocando-a em prática de maneira fundamentada, de acordo com seus estudos durante todo o curso de licenciatura.

 

Nesse processo, o papel das teorias é o de iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação, que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos, ao mesmo tempo, colocá-las em questionamento, uma vez que as teorias são explicações sempre provisórias da realidade (PIMENTA; LIMA, 2005, p. 12).

 

É, pois, uma possibilidade de relacionar teoria e prática, ao garantir aos futuros docentes o processo de mediação do conhecimento durante o trabalho pedagógico. O estágio é uma extensão da universidade, o qual estimula o futuro professor a refletir acerca das suas práticas pedagógicas, levando-o a conhecer e vivenciar o cotidiano escolar de maneira segura, o que contribui para sua formação. Muitos profissionais da educação insistem em distanciar a teoria da prática. Porém, pode-se afirmar que seria um equívoco pensar a prática sem a teoria, pois ambas são indissociáveis, ou seja, uma complementa a outra, e seu estreitamento permite percorrermos caminhos fundamentados, o que nos possibilita ampliar nossa visão de mundo.

Ainda, sobre nossa a prática durante o estágio, teoria e prática permitem que o docente em formação faça suas reflexões a partir das dificuldades encontradas no campo de estágio, o que deve instigá-lo a encontrar soluções de acordo com o referencial teórico estudado e adotado por ele ao longo das diversas disciplinas oferecidas em seu curso de graduação. De acordo com as abordagens de alguns autores, a questão da pesquisa na formação de professores é uma excelente alternativa de estímulo ao futuro docente, para que ele se torne um futuro professor pesquisador, pois a pesquisa é, e sempre será, o alicerce de uma educação de qualidade.

Por isso, é importante desenvolver, nos alunos, habilidades para reconhecimento e análise das escolas, adotadas como campo de estágio, espaço institucional no qual ocorre o ensino e a aprendizagem, avaliar comunidades em que se inserem tais escolas. Além disso, a adoção do conhecimento favorece também, a avaliação de técnicas, métodos e estratégias de ensino a serem aplicadas em situações diversas. Entretanto, tudo isso exige habilidades de leitura quanto ao reconhecimento das teorias necessárias para sustentar as práticas pedagógicas das instituições. Nos termos a seguir, consideramos que “o estágio assim realizado permite que se traga a contribuição de pesquisas e o desenvolvimento das habilidades de pesquisar” (PIMENTA; LIMA, 2005, p. 20).

Segundo Franco e Lisita (2010), um dos grandes desafios na formação de professores é a desarticulação da teoria e prática, que separa e reduz a realidade das práxis pedagógicas. Por intermédio de uma reflexão crítica, é possível estabelecer as mediações entre teoria e prática, que esclarece os condicionantes que organizam as práticas anteriores, firmando ou mesmo contestando concepções que não estão mais presentes nos contextos atuais.

Seguindo esse viés, a pesquisa-ação oferece condições de transformar o professor em formação em um docente com autonomia, com flexibilidade criativa, um ser provido de um olhar crítico-reflexivo, capaz de transformar o ambiente educacional, de acordo com uma concepção cada vez mais unitária e sistemática do político-pedagógico que guia a sua atuação educativa.

Para Pimenta e Lima (2006), “a profissão do professor é prática, sendo umas práxis no sentido de fazer algo ou uma ação, aprendendo por imitação e reprodução, como também pela reelaboração de modelos que possam ser considerados bons”. Os autores complementam, sinalizando que a prática institucional é um traço cultural compartilhado, através do estabelecimento de relações que acontecem em certos espaços da sociedade e suas instituições. Sendo assim, é importante que o professor em formação compreenda as complexidades das práticas institucionais e das ações praticadas, como possibilidade de se prepararem para o exercício da docência.

Após essas reflexões, ainda temos a considerar que o estágio supervisionado IV foi realizado no 5° ano do Ensino Fundamental, ocorrendo de maneira remota devido a atual situação pandêmica em que vivemos e que resultou em algumas normativas sanitárias de prevenção contra a COVID-19. A educação como conhecemos foi fortemente impactada com a pandemia, e diante dessa situação, os professores tiveram que buscar suporte nas tecnologias digitais para poderem interagir com seus alunos, o que facilitou o processo de ensino-aprendizagem.

Na escola em questão, as aulas aconteceram em formato remoto, utilizando-se a plataforma Google Meet. Diante dessa utilização, a professora regente explicava o conteúdo de forma síncrona, momento em que os alunos tiravam suas dúvidas, corrigiam as atividades juntamente com a docente e debatiam assuntos pertinentes às aulas. Com o objetivo de estimular a socialização entre os alunos, em alguns momentos a professora abriu espaço para os alunos socializarem seus respectivos assuntos de interesses individuais.

 

2.1 Análises e Reflexões sobre a Experiência Docente no Campo de Estágio em Tempo de Pandemia

Durante o período de mediação pedagógica, no Estágio Supervisionado, as acadêmicas cumpriram sua intervenção de maneira remota e acompanharam por trinta dias a rotina dos alunos do 5° ano da referida escola. Nesse período, a professora regente relatou as dificuldades que alguns alunos estavam apresentando em relação à disciplina de Matemática. Por essa razão ela solicitou às estagiárias auxílio para sanar essas dificuldades dos alunos.

Então, juntas, professora e estagiárias, optaram por alterar o período de estágio, e passaram a realizar suas práticas docentes promovendo um reforço quanto à divisão e à multiplicação. Onze alunos, que precisavam de reforço em Matemática, foram divididos em três pequenos grupos de estudo, e cada estagiária ficou responsável por um subgrupo de alunos que apresentava dificuldades no processo de aprendizagem dos conteúdos de multiplicação e divisão.

Após receber autorização dos pais e responsáveis dos alunos, a professora regente passou seus contatos para que fossem formados grupos no WhatsApp e dessa forma desenvolveu-se a mediação entre alunos e professores, tanto de forma síncrona como assíncrona. Foram desenvolvidas sete sequências didáticas, com os três grupos de alunos, através da plataforma Google Meet. Para auxiliar a aprendizagem dos educandos, foram utilizados recursos digitais por meio do quadro interativo Google Jamboard, plataforma de jogos interativos IXL, além de apresentarmos sites de atividades pedagógicas.

Primeiramente, durante as atividades via Google Meet, as estagiárias se apresentaram e solicitaram que cada aluno se apresentasse. As acadêmicas explicitaram os objetivos do estágio, e destacaram que eles receberiam aulas de reforço na disciplina de Matemática. Após, passamos a estimular a observação e a compreensão dos alunos sobre a relação entre a multiplicação e a adição, apresentando também a Tabuada Cartesiana, porém de forma diferenciada, quando adotamos o Método Euclidiano, reforçando também a importância de eles conhecerem e internalizaram a tabuada, pois isso facilitaria raciocínio lógico para a facilitação dos cálculos de multiplicação e divisão. Também foram encaminhadas as seguintes atividades online: Jogos IXL - Compreendendo a multiplicação.

No segundo momento, via Google Meet, utilizamos o Jamboard para dar sequência sobre o conteúdo de multiplicação, reforçando as abordagens da aula anterior quando foram apresentados aos alunos problemas e cálculos de multiplicação. Para esse momento, durante o processo das orientações e explicações procuramos estimular os alunos a participar da aula, por meio de perguntas que instigassem o raciocínio lógico dos alunos. Finalizamos essa etapa com joguinhos sobre a multiplicação com um e dois fatores, depois de acessada à plataforma IXL - Logo: IXL – Noções da multiplicação.

No terceiro momento, continuamos a fazer uso da Plataforma Google Meet do recurso Jamboard. Deu-se assim a revisão dos cálculos de multiplicação e deu-se reforço à internalização da tabuada. Para isso, foi utilizado um modelo de tabuada para completar cada resultado. Foram repassadas orientações e explicações de como eles podiam elaborar a tabuada em casa. Após a revisão sobre multiplicação, foram iniciadas abordagens sobre a divisão, quando foi estimulando o raciocínio lógico dos alunos acerca dos problemas de divisão e foram cálculos mentais. A aula foi finalizada com o uso da Plataforma IXL, implementada com joguinhos matemáticos sobre a divisão. Permitimos que os jogos somente fossem realizados no final da aula de reforço, quando então os disponibilizamos aos alunos. Seguimos com Jogos IXL, acesso: IXL – Compreenda a divisão e Noções de divisão.

No quarto momento utilizamos o Google Jamboard, Vídeo do Youtube e a Plataforma de jogos IXL para darmos sequência aos cálculos de divisão, retomando a revisão ao abordarmos as funções do divisor, do dividendo, do quociente e resto. Retomamos conceitos básicos sobre a divisão por meio de um vídeo4. Após essa atividade, estimulamos a prática dos cálculos de divisão, por meio de exercícios básicos, como emprego do divisor de um fator, como forma de revisar esse conteúdo. Orientamos o passo a passo da divisão e reforçamos suas regras. Para finalizar essa aula, solicitamos aos alunos que acessassem os joguinhos disponibilizados no grupo de aulas de reforço, por meio desse aplicativo: Jogos: praticando Matemática no 5º ano: "Dividida por um número de dois dígitos sem resto”.

Também utilizamos o Google Jamboard, a Plataforma de jogos IXL e os vídeos do Youtube. No quinto momento do estágio, ainda abordamos a importância da divisão em nosso dia a dia e a importância de os alunos saberem fazer operações de divisão, além das demais operações básicas de Matemática, isto é, subtração, adição, multiplicação. Também foi reforçada a divisão exata e não exata. Como reforço, criamos o momento da tabuada, quando reforçamos a importância do número zero em cálculos de divisão. Após essa abordagem, mostrou-se na prática, passo a passo, cálculos de divisão com o número zero no quociente. As atividades de casa foram assistir ao vídeo explicativo sobre divisão com o uso do zero no quociente e exercitar a divisão com número 347:7 para que pudéssemos discutir o conteúdo do vídeo “Nunca Mais Erre Divisão!”

No sexto encontro, via Meet, utilizamos o recurso Jamboard, ocasião em que propusemos uma abordagem diferenciada, tornando o momento mais dinâmico e interativo com os alunos. Fazendo uso da Plataforma de jogos IXL, abordamos novamente a divisão, para obtermos a resposta dos que tinham de desenvolver o cálculo no caderno para então responder nossas perguntas. Por meio desse método, todos participam, exercitam as regras de divisão e interagem com o grupo. Para esse momento também foram reforçadas as regras passo a passo. Entretanto, um aluno não atingiu os objetivos acerca deste exercício: “Jogos: Praticando Matemática para 5º ano: "Dividida por um número de um dígito com resto”; Praticando Matemática para 5º ano: "Dividida por um número de dois dígitos sem resto”.

Finalizamos o sétimo encontro das aulas de reforço através do Google Meet quando fizemos uso do Jamboard. Abordamos novamente os jogos de divisão, por serem mais dinâmicos e estimular a participação de todos, permitindo também a revisão das regras trabalhadas durante os encontros de reforço. Para finalizar esse encontro, como reflexão apresentamos a seguinte frase de Thomas Fuller: “O conhecimento dirige a prática; no entanto, a prática aumenta o conhecimento” o que reforça a importância das seguintes atividades on line: Jogos: Praticando matemática para 5º ano: “Dividida por um número de um dígito com resto”; praticando matemática para 5º ano: “Dividida por um número de um dígito sem resto”.

Também, participamos das aulas síncronas da professora regente, realizadas através do Google Meet, com seus os alunos do 5º ano, turma 02. Durante essas aulas, a professora explicava o conteúdo e fazia a correção das atividades do dia anterior, com o intuito de deixar as acadêmicas familiarizadas com as rotinas do grupo remoto. Para que houvesse maior interação e observação do grupo de alunos, fomos incluídas no grupo do WhatsApp dos alunos e no dos pais e responsáveis.

Uma situação relacionada aos alunos chamou nossa atenção. Era visível a falta de concentração deles, mesmo que participassem por curto período, nas aulas síncronas. Desviavam-se das explicações e ficavam trocando mensagens com os colegas da sala e, dessa forma, perdiam o foco da explicação. Também se tornou evidente que os alunos ainda não possuem maturidade para, sozinhos, administrarem o seu horário de estudo, o que revela a importância do auxílio da família junto seus filhos, para que haja maior controle quanto ao tempo dedicado aos estudos.

Notamos também que houve evolução da autonomia de maioria das crianças, que seguem a rotina das aulas com responsabilidade e interesse, o que ficou evidente nas aulas síncronas. Os alunos diariamente questionavam a professora sobre o retorno deles ao Meet e empolgavam-se com a ideia de estarem virtualmente conectados, mesmo com os colegas da sua própria sala de aula.

Nosso estágio revelou momentos de reflexões e autoavaliações constantes durante nossa prática docente. Nos termos de Pimenta e Lima (2006), o estágio não é uma atividade prática, mas sim teórica do conhecimento, conforme eles afirmam da seguinte forma:

 

[...] atividade teórica, instrumentalizadora das práxis docentes, entendida esta como a atividade de transformação da realidade. Nesse sentido, o estágio atividade curricular é atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e intervenção na realidade, este sim objeto das práxis (PIMENTA; LIMA, 2006, p. 14).

 

Pensar nas metodologias, portanto, é adotar certas abordagens de forma que se concretize a teoria e prática. Nas aulas remotas isso não foi tarefa fácil, considerando-se o perfil dos alunos, mesmo que eles sejam ativos, participativos e questionadores. Percebemos que esses alunos necessitam de uma prática diferenciada daquela que eles vivenciavam com a professora regente. Sendo assim, foi preciso buscar ferramentas digitais e sites interativos de modo a possibilitar a participação constante dos alunos durante as aulas do nosso estágio, o que foi desafiador.

As principais ferramentas que nortearam a intervenção com os alunos foram o Google Meet, que possibilitou as aulas síncronas, o Google Jamboard, que mediou a visualização das explicações, substituindo a lousa digital, e ainda o site de jogos matemáticos IXL, o que chamou a atenção dos alunos, reavivando as aulas, mas como suporte para as atividades em casa para reforçar o processo de aprendizado Nesse sentido, a BNCC reforça a importância de recursos didáticos como ferramentas no processo do ensino e da aprendizagem, destacando: “[...] recursos didáticos como malhas quadriculadas, ábacos, jogos, livros, vídeos, calculadoras, planilhas eletrônicas e softwares de geometria dinâmica têm um papel essencial para a compreensão e utilização das noções matemáticas” (BRASIL, 2017, p. 278).

Foi possível reconhecermos que os recursos utilizados nas aulas de reforço garantiram a participação ativa dos alunos, de modo a refletir avanços na aprendizagem, especialmente nos momentos das atividades momento em que os alunos precisavam deles para realizar cálculos de divisão, o que se diferenciava das práticas vivenciadas com a professora regente. Esses recursos tecnológicos possibilitaram, também, momentos de interação entre os pares e a docente. Essa proposta tornou cada o momento mais dinâmico, porque as orientações eram reforçadas e quando uns alunos não conseguiam chegar ao resultado final, o conteúdo era explicado passo a passo, ao mesmo tempo que se reforçava as regras das operações matemáticas.

Além disso foi necessário retomar as orientações e explicações sobre a multiplicação, adição e subtração, diariamente reforçando a divisão, pois os participantes das aulas de reforço não eram os mesmos todos os dias, embora todos pudessem participar dessas aulas. Por razões particulares de certos alunos, alguns deles não eram os mesmos participantes todos os dias. Esse foi outro desafio encontrado nas aulas de reforço, sendo necessário retomar as explicações dadas nas aulas anteriores, por meio de abordagens diferenciadas, para que quem já tivesse participado da aula, revisão, recebesse uma orientação de forma distinta que despertasse seu interesse para ter condições de entender a explicação do novo conteúdo nos dias seguintes.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio supervisionado, realizado de modo peculiar durante a pandemia, serviu de importante aprendizado para os acadêmicos do Curso de Pedagogia da UDESC. Além de adquirirmos experiência em sala de aula, vivenciamos a prática pedagógica. Foi possível vivenciarmos algo novo, como reinvenção de uma prática realizada por meio das tecnologias de comunicação, o que revelou possibilidade de mediação do processo de aprendizagem. Porém, esse momento também mostrou que nada substitui as aulas presenciais, pelo menos na Educação Básica, pois, por mais que os recursos digitais contribuam para que seja possível dar-se continuidades às aulas com o ensino híbrido ou remoto, o desenvolvimento desse processo acontece de forma não muito satisfatória.

Importante ressaltar que após um ano, professores e alunos ainda não se adaptaram ao novo formato de ensinar e aprender. Além disso, com a situação da pandemia, o processo de ensino e de aprendizagem ficou comprometido, principalmente devido ao curto tempo de aulas síncronas. Devido à escassez de tempo para o uso das tecnologias, a mediação com a professora tornou-se prejudicada com relação à falta de maior interação durante as atividades. Acreditamos que a avaliação dos alunos também ficou prejudicada, pois não houve uma avaliação plena quanto à aprendizagem, já que nem todos recebem auxílio em casa (dos pais ou responsáveis) na realização das atividades avaliativas, ou seja, os professores não têm como acompanhar todo o processo de construção do saber pelo aluno.

A avaliação qualitativa da aprendizagem requer a participação e a interação dos estudantes no decorrer das aulas síncronas. Com isso o docente tem condições de identificar quais deles precisam de uma intervenção individual referente às suas necessidades escolares. Consideramos que, em algum momento, esse estudante com defasagem necessitará de um acompanhamento mais específico, a fim de minimizar as lacunas provocadas por este período de pandemia.

Apesar das dificuldades para a mediação nas aulas remotas, percebemos que o apoio da família fez diferença para que o aluno participasse das aulas, mesmo que não haja obrigatoriedade nesse tempo de Covid-19

Considerando também que os alunos ainda não têm a maturidade necessária e responsabilidade suficiente para manter o compromisso de participar das aulas de reforço, e por esse motivo não compreendem que isso é um fator fundamental para seu desenvolvimento intelectual, o que não aconteceria se fossem auxiliados na realização das atividades diárias pela professora regente.

A vivência no estágio supervisionado, desde o início das observações no ano de 2020, mesmo com a pandemia do COVID-19, possibilitou experiências e agregou mais conhecimentos aos acadêmicos do Curso de Pedagogia da UDESC. Também mostrou que se faz necessário inovar com o uso das TIC, como estratégias de mediação pedagógica no processo de ensino-aprendizagem.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: https://www.moodle.udesc.br/pluginfile.php/939542/mod_resource/content/1/BNCC_2017_versaofinal.pdf. Acesso em 08 dez. 2020.

 

FRANCO, M. A. S; LISITA, V. M. S de S. Pesquisa-ação: limites e possibilidades na formação docente. In: FRANCO, Maria Amélia Santoro; PIMENTA, Selma Garrido (Orgs.). Pesquisa em educação: possibilidades investigativo-formativas da pesquisa-ação. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2010. p. 41-70.

 

LIMA, M. S. L.; PIMENTA, S. G. ESTÁGIO E DOCÊNCIA: DIFERENTES CONCEPÇÕES. Poíesis Pedagógica, [S. l.], v. 3, n. 3 e 4, p. 5–24, 2006. DOI: 10.5216/rpp.v3i3e4.10542. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/poiesis/article/view/10542. Acesso em: 15 maio. 2021.

1 Acadêmica do Curso de Pedagogia. UDESC/CEAD. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

2 Acadêmica do Curso de Pedagogia. UDESC/CEAD. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

3 Acadêmica do Curso de Pedagogia. UDESC/CEAD. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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