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Jornal da Educação-JE ISSN 2237-2164   impresso

JECC 3 - A LUDICIDADE COMO PRINCÍPIO DO PLANEJAMENTO DOCENTE

LUDICITY AS A PRINCIPLE OF TEACHER PLANNING

 

 

Aruana de Macedo1

Rafaela Fabricia Grauppe Pereira2

 

RESUMO: O presente artigo objetiva refletir as experiências realizadas durante o estágio curricular no Curso de pedagogia da UDESC, em 2021, integrado ao Programa Residência Pedagógica. A intervenção ocorreu em uma Escola Municipal de Balneário Piçarras/SC, com uma turma do segundo ano do Ensino Fundamental do período vespertino. Foram dez dias de intervenção, perfazendo cinco semanas, constituídas por dois dias semanais. O tema escolhido para o planejamento e desenvolvimento das atividades foi "Eu e minha família", o qual teve o objetivo de refletir sobre a estrutura familiar, com ênfase ao relacionamento entre as pessoas, bem como as que rodeiam, a fim de oportunizar atividades que despertem o respeito e o interesse pelos diferentes grupos familiares.

 

 

Palavras-chave: Alfabetização; Docência; Pedagogia.

 

ABSTRACT: This article aims to reflect the experiences carried out during the curricular internship in the Pedagogy Course at UDESC, in 2021, integrated into the Pedagogical Residency Program. The intervention took place in a Municipal School in Balneário Piçarras/SC, with a class from the second year of Elementary School in the afternoon. There were ten days of intervention, making up five weeks, consisting of two days a week. The theme chosen for the planning and development of activities was "Me and my family", which aimed to reflect on the family structure, with emphasis on the relationship between people, as well as those around them, in order to create opportunities for activities that arouse respect and interest in different family groups.

 

Keywords: Literacy, Teaching, Pedagogy

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

As experiências e reflexões fazem de um percurso de formação vinculada ao Curso de Pedagogia a distância da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), desenvolvidas no primeiro semestre de 2021, em uma Escola Municipal de Balneário Piçarras/SC, com uma turma do segundo ano do Ensino Fundamental. Foram dez dias de intervenção docente, perfazendo cinco semanas, constituídas por dois dias semanais.

Abordamos neste artigo, a trajetória da nossa docência, de acordo com o Programa Residência Pedagógica. Foram realizadas atividades tais como observações, intervenções docentes e demais situações vividas. O tema escolhido para o desenvolvimento e planejamento das atividades foi "Eu e minha família", o qual teve como objetivo uma reflexão sobre a estrutura familiar, desde o relacionamento entre as pessoas da família, como com as demais pessoas que as rodeiam, a fim de oportunizar atividades que despertem o respeito e o interesse pelos diferentes grupos familiares.

Para a realização do referido estágio, buscamos embasamentos teóricos em documentos pedagógicos e normativos que regem a Educação Básica, em particular a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL/BNCC, 2017). Também destacamos nossa participação no I Colóquio Interdisciplinar na Formação de Professores, organizado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), sob a coordenação das professoras Cléia Demétrio Pereira e Gabriela Dutra de Carvalho, cujas temáticas, além de outras, “O lúdico no processo de alfabetização e letramento” e “Conversando sobre educação sexual: alguns saberes e fazeres no cotidiano escolar” o que contribuiu para também embasar a realização de tal estágio”.

Optamos por abordar um tema que fosse significativo para os alunos, subsidiado por atividades voltadas para o aspecto lúdico, necessário no processo de alfabetização. Como o ano de 2020 foi atípico, vivenciamos um processo de ensino e aprendizagem no formato remoto, para o qual os professores ainda não estavam preparados, principalmente tratando-se de alfabetização, cujos desafios eram grandes tanto para os docentes como para os discentes.

O tema escolhido para a organização de sequências didáticas foi "Eu e minha família". Nesse sentido, levamos em conta todo o contexto que estamos vivenciando, bem como, a busca por procuramos atender o que preconiza a BNCC (BRASIL, 2017) que propõe as seguintes atividades: oralidade, leitura/escuta, produção textual gênero textual, conexões e escalas, formas de representação e orientação espacial e registros obtidos na comunidade e entre os familiares dos alunos. A partir do tema transversal Orientação Sexual, exploramos as configurações das famílias envolvidas. Consideramos também aspectos sociais, culturais e humanos dos alunos.

 

2 O LÚDICO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

 

A BNCC (BRASIL, 2017) destaca em seu contexto que os dois primeiros anos do Ensino Fundamental devem ter como foco o processo de alfabetização. É importante que nesse período se elaborem atividades que possam ser permeadas pela ludicidade, visto que os alunos são oriundos da educação infantil e como tal precisam, nesse primeiro momento, de uma acolhida para que as crianças estabeleçam relação entre os conteúdos abordados na sua passagem pela educação infantil e os novos conhecimentos a serem obtidos no processo de alfabetização e letramento. Durante a mesa temática I, sobre Ludicidade nos anos iniciais, foi demonstrado que o planejamento de atividades lúdicas é um importante aliado no processo alfabetizador, conforme afirmam Odinino, Volken e Marçal (2014, p. 94):

 

Para que a atividade escolar se converta em trabalho-jogo, a mediação do professor tem que levar em conta o seu planejamento didático e sua intervenção pedagógica, pois brincar na escola não é o mesmo que brincar na rua ou em casa. Na instituição, há um direcionamento educativo do jogo, embora isso não deva transparecer à criança, senão a brincadeira não seria mais do que uma tarefa escolar destituída de sua condição lúdica.

 

Para tanto, foi preciso considerarmos todos os conteúdos disciplinares estudados para que pudéssemos realizar a prática. Ainda necessitamos levar em conta também a atual situação de pandemia da COVID-19, que trouxe obstáculos os quais precisaram ser transpostos para que a prática se tornasse efetiva. Para isso, novas metodologias foram adotadas com o intuito de melhor atender as necessidades dos alunos e alunas. O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) orienta:

 

É em função de tais evidências que precisamos recriar as metodologias de alfabetização, garantindo um ensino sistemático que, através de atividades reflexivas, desafiem o aprendiz a compreender como a escrita alfabética funciona, para poder dominar suas convenções letra-som. (BRASIL, 2012, p. 7).

 

 

2.1 A Família a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

 

O contexto familiar está relacionado à educação desde sempre. Os principais documentos norteadores que regem as estruturas da educação pontuam o quanto é importante existir essa relação entre a escola e o reduto familiar dos educandos, uma vez que é de extrema importância que a família esteja envolvida no processo de ensino-aprendizagem de seus filhos e netos. A BNCC (BRASIL, 2017) apresenta certos aspectos pertinentes a esse tema quando propõe o seguinte:

As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas (BRASIL, 2017, p. 58).

 

Desse modo, trabalhar questões que envolvem a família dos alunos e alunas e seu contexto familiar, facilita a compreensão das diversas áreas do conhecimento. Isso acontece dado ao fato que certos exercícios em diversas linguagens, assim como o estudo dos conteúdos de história e de geografia, ainda podem ser adequados ao tema transversal Orientação Sexual, uma vez que as diferentes configurações familiares devem ser tratadas nessa ocasião.

Vale destacar que, na contemporaneidade, não se reduz a família apenas à compreensão da união entre pai e mãe, unidos pelo casamento, e seus filhos/as. Família hoje é marcada pelo afeto que une seus membros, coabitando em um mesmo lar ou não, mas que dividem esse sentimento de família, de responsabilidade e companheirismo mútuo. Portanto, quando falamos em famílias, buscamos marcar a multiplicidade que ela representa.

Para o sociólogo Anthony Giddens (2008), precisamos falar em famílias, uma vez que as mudanças provocadas no âmbito da família, a partir da admissão de diferentes configurações e agregados familiares, é um aspecto distintivo de nosso tempo. A BNCC (BRASIL, 2017) propõe objetivos e habilidades bastante específicas quanto ao tema contexto familiar. A História, por exemplo, propicia “(EF02HI08)" compilar histórias da família e/ou da comunidade registradas em diferentes fontes” (BRASIL, 2017. p. 409). Já para disciplina Língua Portuguesa, a BNCC descreve a importância dos laços familiares, a partir de determinado campo de atuação, como por exemplo o tema Campo da Vida Cotidiana, por meio do qual sugere atividades que destacam a inserção da escrita e da oralidade a partir de situações vividas rotineiramente na comunidade e com os familiares dos alunos.

Consideramos que as relações familiares ajudam a construir a historicidade das crianças a partir de sua vivência, do seu desenvolvimento social, cognitivo e devem promover uma melhor aprendizagem discente. Desse modo, o docente, pode conhecer melhor os vínculos familiares do alunos e alunas e como eles estão inseridos em seu reduto familiar, tornando-se um atributo importante para o planejamento do professor, uma vez que conhecer a comunidade e a realidade do aluno é o primeiro passo para compreendermos o tipo de atividade pedagógica a ser implementada, porém desde que este respeite as normas e diretrizes que norteiam sua prática pedagógica.

Nesse período tão emblemático, com o surgimento da pandemia do COVID-19, o tratamento dessas questões se faz ainda mais importante, justamente porque retomamos algumas situações de interação social entre o aluno e aluna e seus pares, ao discutirmos com eles o ressignificado de certas estruturas da sociedade em que estão inseridas, para que eles valorizem suas raízes. Segundo alguns estudos, apontados por certos autores, a educação “é o principal agente de socialização da criança, que influencia na aquisição de suas habilidades, comportamentos e valores apropriados para cada cultura, constituindo-se em uma dimensão essencial na vida dos indivíduos” (OLIVEIRA et al., 2008, p. 87).

Partindo desse princípio, não podemos deixar de destacar o quanto é importante falar sobre as diversas configurações familiares, existentes desde outrora, já que esse assunto pode se adequar ao tema transversal Orientação Sexual, previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). A inserção de temas transversais ao currículo educacional possibilita, no caso das configurações familiares, que os alunos percebam as diferenças que existem entre os diversos ambientes e assim possam a melhor respeitar os vínculos de familiaridade com algo importante em seu cotidiano para que elas possam desconstruir certos tabus.

 

O papel da escola nesse sentido seria o de mostrar que existem diferentes tipos de família e que nem essa ou aquela estrutura é certa ou errada. À escola, como promotora da socialização da criança e do adolescente, compete um papel fundamental de acolher toda a família, sem preconceitos, tendo-as como parceiras no desenvolvimento psicológico e de aprendizagem em busca da superação desses preconceitos, de melhor qualidade de vida e de ensino dos alunos (MACHADO; VESTENA, 2017, s/p).

 

Diante da contribuição das autoras e de conceitos apontados pela BNCC e pelos PCNs, acreditamos que, de acordo com toda essa fundamentação que norteia o tema escolhido, este tema adotado continua atual e importante, ainda mais neste momento de relativa desestruturação da família brasileira. A interdisciplinaridade também é estratégia que facilita o tratamento desse tema, pois são muitas as possibilidades de integração das atividades propostas, por meio das quais elaboramos um projeto que contemplou com qualidade todas as atividades e conteúdos ora apresentados.

 

2.2 Análises e reflexões sobre nossa experiência docente no campo de estágio/residência pedagógica em tempo de pandemia

 

Este momento do fazer docente, contemplado pelo Programa Residência Pedagógica, foi muito esperado. A partir do ano de 2020, demos início às atividades do nosso estágio, com base nos estudos da BNCC (BRASIL, 2017). Para esse fim, cada aluna realizou um trabalho sobre uma área específica, contida nesse documento. A socialização deste momento foi realizada de forma remota, com relatos significativos, os quais nos auxiliaram na compreensão dos principais pontos desse documento normativo para os anos iniciais do Ensino Fundamental.

A participação no I Colóquio também nos trouxe as contribuições dos professores e professoras, as quais se destinaram à finalização do referido projeto, elaborado no formato de resumo expandido. O tema abordado no projeto foi a ludicidade presente nos anos iniciais, estratégia que nos auxiliou no momento da elaboração das atividades de docência. Como parte da atividade proposta na 7ª fase do Curso de Pedagogia da UDESC, elaboramos uma sequência didática interdisciplinar com a intenção de utilizarmos essa sequência no nosso fazer docente. Esta, por sua vez, está presente no planejamento de intervenção nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Porém, para podermos aplicá-lo durante nosso fazer pedagógico, foram necessárias algumas adequações.

No início de dezembro de 2020, elaboramos, juntamente com a professora preceptora da Residência Pedagógica, uma atividade remota para finalizar o ano, quando foram gravados dois vídeos para os alunos e alunas do 1º ano regido por ela. O primeiro vídeo constitui-se na contação de história chamada “A lenda do pinheirinho”. O segundo vídeo teve como objetivo a elaboração de uma árvore de Natal de papel, feita a partir da técnica de dobradura. Como devolutiva, alguns alunos e alunas enviaram vídeos nos quais eles agradecem o envio da história, dizendo o quanto gostaram dela, enquanto eles apareciam nos vídeos realizando e enfeitando a referida dobradura.

Considerando que tivemos um ano no qual as atividades ficaram restritas ao formato remoto, portanto sem contato físico dos envolvidos, o feedback dos alunos/as gerou um momento de emoção extrema. Acreditamos que mesmo por meio de gravação de atividades foi possível realizarmos parte do nosso fazer docente e termos a percepção do quanto a escola é importante na vida dos alunos/as.

Após esse período, iniciamos a elaboração do projeto de intervenção docente para 2021, mas sem a certeza de como estaria esse contexto diante da COVID-19. Diante da impossibilidade de realizarmos o referido estágio de forma presencial, precisamos adaptar as atividades descritas no primeiro projeto de sequências didáticas, e elaboramos as atividades relacionadas à alfabetização, como previa o Programa Residência Pedagógica. Assim, o nosso projeto, sob o tema “Família”, foi adaptado, por meio de muitas atividades lúdicas, previstas para tornar processo de alfabetização prazeroso e producente.

A intervenção docente foi realizada no período vespertino, durante cinco semanas, ocorrendo duas vezes por semana. Devido à pandemia, a turma foi dividida em dois grupos: o amarelo e o azul. Cada grupo vinha à escola em semanas alternadas (numa semana o azul e na outra o amarelo). As atividades foram elaboradas de acordo com as habilidades propostas na BNCC (BRASIL, 2017) e seguiu a dinâmica da professora regente. Assim, eram organizadas as mesmas atividades por duas semanas, para contemplarmos os dois grupos.

Iniciamos atividades a partir da contação da história. “O grande e maravilhoso livro das famílias”, o qual retrata, de maneira humorística, diferentes experiências familiares a partir de situações do nosso cotidiano. Logo em seguida, promoveu-se uma roda de conversa sobre os diferentes tipos de famílias e suas configurações, ocasião em que perguntamos aos alunos/as com quem moravam, quantas pessoas haviam na casa de cada um deles, se a casa era grande ou pequena, se tinham animais de estimação e qual era o lazer preferido por eles. Depois dessa conversa e de conhecê-los melhor, elaboramos um gráfico onde cada um dos alunos/as desenhou seus familiares que moram em casa. Ao finalizarem essa atividade, os desenhos foram colados e eles contaram e escrevessem números correspondentes ao número de familiares de todo o grupo. Ainda questionamos: Quais alunos têm o mesmo número de familiares? Quem tem a família maior? Quem tem a família menor? Quem tem família com dois pais? Quem tem família com duas mães? Seguimos com uma atividade numérica, distribuindo cartelas com números e massinha de modelar. Então pedimos para que as crianças fizessem bolinhas para representar a devida quantidade de familiares.

Assim, contemplamos o que orienta a BNCC (BRASIL, 2017) orienta que, dentre suas habilidades, o aluno utilize os números naturais como indicadores de quantidade ou de ordem em situações de seu cotidiano, estabelecendo comparação entre eles próprios. Ainda foram propostas atividades lúdicas com o uso de letras, entre elas uma cruzadinha em tamanho grande, aludindo personagens do âmbito familiar, e ao mesmo tempo os alunos iam montando conjuntos de palavras. A partir dessa atividade, percebemos que alguns alunos revelaram bastante dificuldades para identificar as letras apresentadas, deixando lacunas no momento de concluir uma palavra, ou por dificuldade de reconhecimento das letras ou por não a assimilarem seu sentido, muitas vezes por falta de atenção.

Outra atividade que revelou as dificuldades da turma foi a “salada de letras”, também com os personagens do âmbito familiar. Apresentamos as letras embaralhadas e eles tinham que descobrir o sentido delas para depois escrevê-las. Consideramos, nos termos da BNCC (BRASIL, 2017), a importância de os alunos distinguirem as letras do alfabeto de outros sinais gráficos e também sua capacidade quanto à habilidade da escrita. Para concluir essa primeira sequência didática com o uso do alfabeto móvel, foram distribuídas letras avulsas, para os alunos formarem palavras de acordo com o que com o conteúdo trabalhado nesse período.

Seguindo o cronograma, a segunda sequência didática foi iniciada com a proposição de um jogo de boliche com números de um (1) a dez (10), por meio do qual os alunos iam jogando, somando seus pontos e anotando num quadro. Nessa atividade, pudemos perceber que um dos alunos conseguia somar mentalmente, sua pontuação, enquanto os demais tiveram dificuldade até mesmo para contar nos dedos. Observando a sua respectiva pontuação, alguns dos alunos até deduziram quem estava na frente e apontavam o possível ganhador.

Também trabalhamos um bingo de letras, o que foi bem-sucedido. Nessa atividade, foi possível perceber que os alunos estão aptos quanto ao reconhecimento do alfabeto. Já na atividade “palavras fatiadas”, eles tiveram um pouco de dificuldade, porque se tratava de uma espécie de quebra-cabeça, no qual as crianças tinham que encaixar desenhos e sílabas que se correspondiam. Alguns até perceberam que ao montar o desenho corretamente, este correspondia a uma palavra, outros só focavam no desenho, esquecendo que tinha que ter harmonia entre os dois.

A ideia de fazer com eles o “ditado estourado”, com letras e sílabas, foi para estimular o reconhecimento de certas letras, a leitura e a escrita. Desta maneira, percebeu-se que a maior dificuldade de alguns alunos é ler as sílabas, pois identificam que letras estão ali no papel, mas revelam dificuldades ao fazerem junção das palavras. Também foi proposto o jogo “loto leitura”, solicitamos que eles montassem palavras de acordo com as imagens. Para finalizar, trabalhamos um pouco mais com quantidades, porém os números e as quantidades de certos elementos estavam dispostos de modo que os alunos precisavam identificá-los como pares.

Durante a docência não houve equívocos quanto ao que foi experienciado, ao contrário, foram dias de uma aprendizagem significativa. Ressaltamos que, antes de estar em sala, havia muita apreensão, até mesmo por conta do momento vivido, pois levamos em consideração também as dificuldades que os alunos-alvo vivenciaram no ano anterior, durante as suas aulas online. Considerando-se a importância do processo de alfabetização, portanto, foi muito gratificante poder contribuir positivamente para a aprendizagem desses alunos.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Sintetizamos os principais momentos da nossa residência pedagógica, destacando nessa produção, nossa experiência docente e demais situações que foram vivenciadas nesse período de estágio. Assim, considera-se que os momentos vividos em uma sala de aula com alunos/as de anos iniciais com os quais experienciamos um importante processo de ensino e aprendizagem, nos oportunizou a alfabetização de alunos/as dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tornada uma ação pedagógica gratificante e produtiva tanto para as estagiárias como para os discentes.

Mesmo vivendo a pandemia da COVID-19 atualmente, em seu estado mais crítico no país, todos os devidos cuidados se tornaram necessários para a realização da docência presencial e importante para a turma, mediados que foram durante a sua exposição ao conhecimento. Entretanto foi desafiador e encorajador interagir com alunos que haviam cursado o primeiro ano do Ensino Fundamental que no ano anterior foram mediados apenas com aulas totalmente remotas. Por isso, precisamos reinventar nossas estratégias de ensino para podermos interagir com esses alunos/as que passaram por ano letivo marcado por situações delicadas quanto aos processos de ensino e de aprendizagem.

Na condição de acadêmicas, vivenciamos esses momentos por meio dos quais foi possível exercitar o fazer docente, o que é de extrema importância para a área da educação, mesmo que esta apresente especificidades quanto à nossa atuação docente que diferem de certas atividades por nós vivenciadas como servidoras na esfera técnico-administrativa educativas que não nos preparam para atuarmos em sala de aula. A residência pedagógica mostrou como o planejamento é importante para nossa prática docente, principalmente por meio da pesquisa-ação.

Durante essa etapa, aprimoramos nossa prática pedagógica por meio de um olhar reflexivo. Isso nos torna os profissionais que queremos ser. Essa reflexão, portanto, garantiu nossa compreensão de que não basta avaliar somente os/as alunos/as quanto às atividades que são realizadas, e sim nos avaliarmos a nós mesmos, principalmente quando percebemos que alguma atividade não está condizente com o objetivo que queremos alcançar.

Mesmo com a pandemia, que impossibilitou a realização de alguns momentos de interação, que alterou significativamente a forma de realizar a prática docente, com menos alunos do que geralmente se costuma ter em uma sala de aula, foi possível alcançar os objetivos propostos que havíamos estabelecido no planejamento.

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Ensino Fundamental: Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, Volume 1. Brasil: MEC/SEF 1998.

 

_____. Ministério da educação. Base nacional comum curricular. Brasília, DF: MEC, 2017.

 

_____. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: a aprendizagem do sistema de escrita alfabética: ano 1: unidade 3 / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. - Brasília: MEC, SEB, 2012.

 

MACHADO, D.de A., & VESTENA, R. de F. (2017). Diferentes configurações familiares na escola: Uma reflexão para o seu acolhimento. Itinerarius Reflectionis, 13(2), 01-18. Disponível em: <https://doi.org/10.5216/rir.v13i2.46042> Acesso em 10 de dezembro de 2020.

 

GIDDENS, Anthony. Famílias. In.: GIDDENS, Anthony. Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008

 

ODININO, Juliane di Paula Queiroz. Educação Lúdica: caderno pedagógico/Juliane di Paula Queiroz Odinino, Luciane Volken, Mônica Teresinha Marçal - 1. ed.. - Florianópolis: UDESC: UAB: CEAD, 2014, 126 p.

 

OLIVEIRA, Debora de et al. Impacto das configurações familiares no desenvolvimento de crianças e adolescentes: Uma revisão da produção científica. Interação em Psicologia, v. 12, n. 1, 2008.

 

PARR, Todd. O livro da família/ Todd Parr. 1ª ed. – São Paulo: Editora Panda, 2003. Disponível em: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxnZWVtcGlhbmRvc2VtcHJlfGd4OjVmYmFjYjk3MTg5NjI4N2E. Acesso em: 03 de novembro de 2020.

1 Acadêmica do Curso de Pedagogia/UDESC. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

2 Acadêmica do Curso de Pedagogia/UDESC. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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