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Eleição para presidente do Brasil ainda não terminou!? (JE319)

Para centenas de milhares de brasileiros, eleitores radicais, as eleições para presidente do Brasil para o mandato 2019-2022 ainda não terminaram. A disputa pela preferência dos eleitores continua especialmente pelas redes sociais, com discurso de ódio cada vez mais radical, de lado a lado.


De um lado, os eleitores de Bolsonaro, presidente da República Federativa do Brasil, o maior país da América do Sul. De outro, os defensores do mais popular dos petistas, o presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil entre 2003 e 2011, mas que foi impedido de candidatar-se nas últimas eleições.


O primeiro trouxe à tona as memórias do período de regime de exceção, dito pelos segundos, de ditadura militar. A prisão de Lula tem como base vantagens financeiras indevidas em decorrência de cargo público e de sua popularidade durante e posteriormente ao seu mandato. Esse grupo defendem que Lula é preso político.


O militar de carreira é também o patriarca de uma família de políticos. Político eleito para cargos legislativos consecutivos há três décadas, em sua base eleitoral o Rio de Janeiro, o patriarca da família Bolsonaro, conseguiu eleger os três filhos do primeiro casamento, para cargos políticos eletivos. Enquanto tenta implementar algumas modificações na máquina administrativa, é acusado de dar mais ouvido à opinião dos filhos do que a de seus ministros.


O discurso de ódio é ainda mais ampliado pela cobertura da imprensa. Os grandes veículos de comunicação que têm em seus quadros grande número de profissionais formados em universidades federais, que seriam os principais redutos ‘da esquerda ideológica brasileira’, quatro meses após a implantação do novo governo, ainda não encontraram o modo adequado para cobrir a nova forma de governar e fazer política no governo federal.


Já para os brasileiros minimamente conscientes da realidade política, é impossível compreender a motivação para tanto posicionamento político partidário e discurso de amor x ódio, neste período imediatamente posterior ao pleito.


A única justificativa para a manutenção desse movimento de ódio entre brasileiros, talvez seja a dúvida entre os vencedores, de que ou quem efetivamente levou o PT à derrota, sem ter conseguido levar Bolsonaro à vitória.


Apesar do aval das urnas ter beneficiado o atual presidente, o sentimento predominante é que não foi ele quem ganhou a eleição, mas sim os petistas que a perderam.
O atual presidente conseguiu se eleger com a ajuda de evangélicos, militares, políticos tradicionais, jovens conectados à internet e redes sociais e até mesmo empresários.


Os eleitores viram nele a chance de tirar o PT do poder e esta já era razão suficiente para multiplicar mensagens, posts e até fake news que contribuíram para mudar o rumo das eleições na reta final do pleito.


Desaparelhar a máquina pública, acabar ou pelo menos diminuir, a corrupção sistematizada no governo e evitar à derrocada da economia brasileira e das próprias empresas que pagavam as propinas aos políticos em troca dos contratos com o setor público, foram as grandes molas propulsoras dos movimentos empresariais em prol da eleição do atual presidente.


A corrupção governamental desbaratada pela operação Lava Jato foi a gota que faltava para ‘transbordar o copo da paciência’ da classe média. Afinal, paciência tem limites, ignorância e arrogância, não. Cansada à exaustão de ser explorada em forma de pagamento de impostos e nenhum retorno em serviços públicos de qualidade, a classe média foi às ruas e às redes sociais em busca de votos que tirassem aqueles governantes do poder.


Pagando cada vez mais impostos e recebendo cada vez menos serviços públicos de qualidade, a classe média passou a ter a percepção de que o seu copo estava vazio e o dos políticos governantes, sempre e rapidamente, mais e mais cheio. Milhares de pessoas de norte a sul se mobilizaram para garantir o fim da era petista no país.
O objetivo era vencer as eleições e mudar radicalmente a máquina governamental. As esperanças de mudança foram depositadas no candidato que se apresentava como melhor opção nas urnas.
Ou seja, não foi uma escolha pela melhor proposta ou pelo candidato mais preparado para governar. Decorre dessa escolha, as dificuldades referidas pelo presidente logo no início do seu governo.
Desde o início da campanha, o objetivo foi desaparelhar a máquina pública e “colocar o país nos trilhos da economia em crescimento”. O que significa disser que os atuais embates entre a pseudo esquerda e a pseudo direita brasileira não têm qualquer viés ideológico.
Foi sim a perda de fonte segura de renda (mesmo que ilegal) da classe política então no poder. Vale ressaltar que o Brasil não tem nem esquerda que se sustente ideologicamente e nem direita, ideológica e filosoficamente falando.
Portanto, pode-se inferir que o real motivo para tanta disputa eleitoral fora de época talvez seja a ignorância ideológica de um lado, ou a ausência de certezas do outro. Ambos os grupos adotam postura semelhante. Cada um se auto declara do bem e acusa o outro lado de ser do mal.

Em meio às palavras de ódio de um e outro lado, a maioria dos brasileiros, permanece no meio do caminho, feito as pedras de Drummond, tentando apaziguar os ânimos e retardar a fadiga de suas retinas, até que os ‘lutadores’ se rendam ao cansaço e recolham-se aos próprios pensamentos, sem compartilhar tantas palavras e acusações insensatas e infundadas sobre o seu ‘pseudo opositor’.
Enquanto isso, ninguém consegue esquecer que há uma grande pedra no meio do caminho dos brasileiros.