Reflexes natalinas sobre a profisso de professor (Dezembro/2009) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
16-Dez-2009


Outro dia, conversando com uma colega professora que est com o processo de aposentadoria em anlise e j est afastada da sala de aula h oito meses, ouvi que este o melhor fim de ano dos ltimos 27 de sua vida.
O primeiro final de ano em que est conseguindo vivenciar o tal esprito natalino junto famlia e amigos, sem o estresse de exame final, recuperao, dos pedidos infindveis de ajuda aqui, d ponto ali,passa meu filho por favor, ele j passou no vestibular, etc...
Num primeiro momento, senti como se ela ainda estivesse ficado aprisionada ao cotidiano escolar, mesmo estando em licena prmio e, somente no final do ano, tivesse conseguido desvencilhar-se dos grilhes que a profisso de professora lhe imps ao longo de sua carreira.
Sabemos que comum o professor sair de frias fisicamente, mas ficar ligado escola e aos alunos, mesmo durante o recesso escolar. E que, sob a presso de decidir a vida de um grupo significativo de crianas e adolescentes, no final de cada ano, sente-se aprisionado numa bola de neve, que cresce a cada ano, em pleno pas tropical.
Ento, sem neve fsica, a proximidade do vero nos proporciona um Natal absolutamente diferente do que estamos acostumados a ver nos filmes. E um final de ano, cheio de incertezas.
Em vez de desejos de Feliz Natal, dvidas e pedidos de ajude-me.
A conversa com minha colega, levou a uma reflexo acerca da profisso de professor. O final de ano, talvez seja o momento em que, diante das notas auferidas pelos alunos, os professores faam a avaliao de seu trabalho e, baseado no resultado da aprendizagem de seus alunos, descobresse um bom ou um pssimo profissional.
Qualquer que seja a deciso. A de dar a nota que o aluno precisa para ser aprovado ou a de manter as notas auferidas ao longo de um ano de estudos, reprovando-o, o professor sente o peso da responsabilidade sobre seus ombros. como se estivesse atrasando ou adiantando o relgio da vida de seu aluno.
Mas h ainda aqueles que levam para o lado pessoal. O aluno aprovado ou reprovado porque educado ou mal educado em suas relaes com o professor, os colegas e as demais pessoas da escola, no porque aprendeu ou deixou de aprender 70% dos contedos curriculares adequados a seu nvel de ensino.
Aps esta rpida reflexo, consegui perceber a sensao de leveza de suas palavras e aquele tom de - j fiz minha parte neste mundo de sofrimento infindvel vivenciado pelos professores a todo final de ano letivo. E talvez esta seja a nica mensagem que minha colega quis passar.
Ainda bem que o ano de 2009 est acabando e que nestes ltimos dias, tudo o que temos a fazer reclamar da presso e analisar um ou outro caso que precisa de uma anlise mais acurada porque passou no vestibular ou estava com algum problema de sade fsica ou mental, no dia do exame. E mais, importante no deixar para decidir em 2010, isto seria transferir para o incio do ano, um sentimento negativo, que ofuscaria o brilho da esperana de ter alunos melhores no novo ano.
Nestes ltimos dias do ano, tudo so lembranas. As incertezas da adaptao aos novos administradores municipais; as violncias verbais e, em alguns casos, at fsicas, sofridas por profissionais da educao no exerccio de sua funo; a deciso do TFJ alterando artigos da lei do Piso Nacional do Magistrio. Tudo no passa de lembranas. Apesar de que, para alguns, esta lembrana beira ao limite do inaceitvel e gera muito desconforto.
O ano letivo que comeou com a triste notcia da morte de uma menina num dos CEIs de Joinville e acabou com a absteno absurda na prova do ENEM, deixou mostra que ainda temos muito por fazer pela e na educao brasileira, para conseguirmos nveis de qualidade de ensino que tornem os finais de ano mais agradveis tanto para quem ensina, quanto para quem aprende, ou depende da educao para tocar a vida adiante.
 
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