A invasão das graduações a distância (Edição Janeiro/2007) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
13-Fev-2007


     O Brasil é um país de dimensões continentais e nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste as distâncias, muitas vezes, são insuperáveis por estradas. Algumas cidades e vilas são somente acessíveis por rio e essas distâncias impõem a necessidade dos cursos de graduação a distância naquelas regiões, já que a tecnologia possibilita uma interação em tempo real via satélite, interligando os lugares mais remotos.

     Mas há outras razões para a expansão de tais cursos. O preço das mensalidades dos cursos presenciais é uma delas. A interação com os professores, a estrutura de uma universidade que precisa manter laboratórios, biblioteca e uma quantidade reduzida de alunos por sala, torna o curso presencial caro para a maioria dos jovens brasileiros.

     O tempo de permanência em sala de aula e o deslocamento de pequenas para médias e grandes cidades são outras razões.  Há ainda os brasileiros maiores de trinta anos que não teriam tempo nem paciência; as mulheres donas de casa, que não podem ausentar-se diariamente para freqüentar uma faculdade.

     Ou seja, são várias as razões e motivos para optar por um curso a distância. E para atender a essas pessoas é preciso oferecer alternativas. O curso a distância, com uma aula presencial por semana, pode ser uma delas.

     No entanto, assim como acontece com os cursos presenciais, é preciso ter cuidado com a qualidade do curso a distância. Nos últimos anos, boa parte dos municípios da nossa região, firmaram convênios com a UDESC para que seus professores   de   séries iniciais fizessem curso de pedagogia a distância. A grande maioria considerou proveitoso o curso tendo em vista que o público era específico e já tinha a experiência prática, fazendo a interação teoria e prática durante todo o curso.  

     As discussões em relação à qualidade do ensino e à formação de professores são recorrentes no Brasil. Após a universalização do Ensino Básico, quando os professores precisaram lidar com alunos de diversas peculiaridades esta questão ficou ainda mais evidente.

     Neste início de ano, passavam a vivenciar a realidade de que a maioria dos cursos à distância oferecidos pelas três novas escolas que se instalaram em Joinville são de licenciatura.

     Nada contra os cursos, mas os alunos devem ficar atentos, especialmente porque o professor precisa ter mais do que um diploma para ser admitido como docente em uma escola. Nas escolas públicas, o acesso é somente por concurso e nas particulares a seleção é geralmente entre os melhores e que já têm alguma experiência de magistério.

     Entre os requisitos para se ter conhecimento, freqüentando um curso a distância, está a interação em tempo real com os professores, preferencialmente via satélite e em tempo real. Este é essencialmente o motivo pelo qual o curso a distância é tão mais barato. Um único professor profere sua aula em São Paulo, por exemplo, e seus alunos, das diversas turmas existentes no Brasil, fazem seus questionamentos e têm a resposta imediatamente.

     Deste modo, o aluno de Joinville, interage com o da sala de um município distante, do Acre por exemplo. Este contato enriquece o curso, tanto do ponto de vista teórico, como do prático.

     Outro aspecto importante é o monitor. Uma pessoa que tem como finalidade exclusiva controlar o comportamento e ligar a televisão para que o aluno assista a um programa gravado em outro momento, seria a ideal para este tipo de curso?
Vale salientar também que o curso a distância precisa atender as mesmas exigências dos cursos presenciais no que se refere ao vestibular, carga horária, disciplinas básicas obrigatórias, estágio curricular e sua supervisão por profissional habilitado, avaliação, dentre outros.

     Portanto, antes de ingressar num curso a distância, mesmo pagando 30% do valor de um curso presencial, o candidato deve verificar se a instituição está autorizada pelo MEC a ministrar aquele curso especificamente, a distância e, principalmente, analisar e ter consciência da própria condição de vida, de sua autonomia e disposição para ser, ao menos em parte, um autodidata.

 
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