Falta de vontade política também afeta escolas (Julho/2009) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
10-Ago-2009


O aumento da violência nas escolas tem em sua essência, a falta de vontade política tanto das escolas, quanto dos governos, cada um em seu nível, de resolver a situação.  A resolução dos problemas sejam de violência contra os alunos, os pais, os professores, os colegas ou contra o patrimônio, necessariamente será fruto somente de uma ação conjunta. 
É preciso atuar a partir da casa das pessoas, pois a violência começa, sem dúvida alguma, dentro da cabeça de cada um, passa pela relação familiar, pela escola, pela sociedade, e infelizmente, quando as instituições sociais não fazem sua parte, termina nas penitenciárias (quando termina). De casa para a  escola, a igreja, o bairro, a cidade, para as ruas é só um pulo, muitas vezes sem nenhuma barreira a ser ultrapassada.
Ao longo da história, a humanidade criou as instituições que deveriam continuar a educação para a convivência social iniciada no lar. Entretanto, muitos pais estão perdidos, a justiça está presa ao Estatuto da Criança e Adolescente e a escola deixa muito a desejar na sua tarefa de ensinar os conteúdos científicos e teóricos necessários à apropriação dos conhecimentos capaz de provocar mudanças de atitudes, e modificar para melhor, o comportamento dos membros das sociedades. 
As escolas, alegando um certo “amor pedagógico” tomaram para si a responsabilidade de educar e esqueceu-se de preparar os alunos para serem cidadãos do mundo. Não raras são as vezes em que, diante de alguma dificuldade, gestores e professores confundem indisciplina com dificuldade de aprendizagem e respeito à diversidade com simpatia. 
Muitos dos problemas sérios de violência física ou psicológica são mascarados ou tratados como casos de indisciplina comum. Agredir física e psicologicamente ou ameaçar um colega ou um professor, não é problema de indisciplina, é crime previsto no código penal e no ECA. E precisa ser punido exemplarmente.
Mas não raras são as situações em que as agressões, inclusive as que chegam às vias de fato, no pátio da escola, ganham “solução caseira”  e nem mesmo um Boletim de Ocorrência é registrado.  O temor de passar por indelicado, ser acusado de autoritário ou de retrógrado, faz com que tudo seja permitido. 
Por outro lado, toda vez que os movimentos educacionais cobram ações que julgam necessárias por parte dos governos, dão como causa principal, a falta de vontade política. Esconder-se por traz de um temor individual não é opção política de gestores e professores? 
Mas vejamos, muito se fala em priorizar a educação e diz-se que falta vontade política dos governantes, pois quanto mais o povo estiver desisformado e inconsciente de seus diretos, melhor para o governo. 
Entretanto, nas escolas, implementar ações que realmente  provoquem mudanças significativas nos hábitos dos estudantes, seja de  estudos, seja de relacionamento com o meio, com os colegas ou consigo mesmo, necessita de coragem, implica agir de modo firme e, às vezes, nada popular. 
Nas inúmeras reuniões pedagógicas fala-se  muito, faz-se avaliações, perde-se tempo, mas nada de prático acontece. Fala-se muito em disciplinar os alunos para chegar no horário, entregar trabalhos na data marcada, respeitar o cronograma e estudar para as provas, mas pouco se faz no sentido de cobrar verdadeiramente este respeito. 
Na primeira “dor de barriga” do aluno, um bilhetinho assinado duvidosamente pelo pai,  é suficiente para a escola permitir ao aluno fazer a prova noutro dia, sem cobrar um centavo por isso, como se o professor estivesse ali para fazer o que o aluno bem quer. Na escola é permitido jogar lixo no chão do pátio, na sala de aula e riscar as carteiras. Mas tudo isso não é patrimônio público que deve ser preservado, do mesmo modo que uma árvore?  Efetivar estas ações não depende, esclusivamente da vontade política dos profissionais do magistério? 
Outro exemplo é a coleta seletiva. Se o conteúdo é ensinado, será preciso instalar coletores para que os próprios alunos depositem o lixo no recipiente adequado e o resultado da venda deste material deve reverter em benefícios aos alunos. 
Este tipo de ações precisa ser permanente, se não for efetivada, é falta de ética. Afinal, não é pelo dinheiro, é pelo ensino, pela concretização  de ações de educação verdadeiramente dita. Mudanças de atitudes não acontecem de um dia para o outro, é preciso persistir. 
Mais uma vez, basta vontade política para efetivar ações desta natureza. Efetivamene não haverá comunidade que se negue a doar latas ou latões para a escola. E não há escola, mesmo as de educação infantil, que não possam adornar estas latas ou latões como trabalho de artes, envolvendo os próprios alunos no processo.
Na questão da violência, não é diferente. Tratar um aluno com a firmeza que a mais simples ação de indisciplina exige, é o primeiro passo. As pessoas que fazem a escola, e são sempre as pessoas, precisam atuar firmemente desde a primeira vez que o aluno riscou a carteira, mesmo que o tenha feito a lápis e apagado em seguida. 
Se a criança pegou a borracha emprestada sem pedir, ou “esqueceu de devolver” o lápis do colega, conversou durante a explicação, tudo isso pode ser considerado apenas como indisciplina normal de sala de aula. Ou este seria o início de um processo do “eu tudo posso”?. 
Afinal, qual a diferença entre pegar a borracha sem a permissão do colega de turma e invadir um banco para pegar dinheiro, que não é seu, sem permissão da sociedade? Resguardadas as diferenças no âmbito social e penal, não teriam ambas as ações o mesmo peso no caráter de quem o praticou? 
Ou seja, tudo passa pela vontade política de enxergar a realidade e tomar atitudes exemplares para evitar confusão de limites no futuro. E não adianta dizer que os governantes não têm vontade política para resolver os problemas de violência, que pode ter começado com um inocente empréstimo de um lápis ou  borracha, sem permissão do coleguinha de turma.  
 
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