No basta estar em sala de aula para ser PROFESSOR! (Jan-Fev/2009) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
19-Fev-2009


No dia 9 de janeiro, o telejornal de uma rede nacional apresentou reportagem sobre uma adolescente que teve a ponta dos dedos amputadas porque um professor, havia fechado a porta em sua mo, no final do ano passado.
Durante toda a reportagem, o engenheiro voluntrio foi qualificado pelos apresentadores e at pela adolescente e seus familiares como professor, apesar de no o ser, nem de formao e nem de prtica profissional.
Na seqncia, a reportagem relatava no se tratar de um professor, mas de um engenheiro, que ministrava aulas de reforo de Matemtica, voluntariamente, na escola da rede pblica municipal, localizada no bairro de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro.
A prpria adolescente e seus familiares explicaram o acontecido. Durante uma das aulas, a garota discutiu com o voluntrio porque queria sair da sala. Na tentativa de evitar a sada da garota, o engenheiro encostou-se na porta prendendo a mo da adolescente.
Quem vive o dia-a-dia da sala de aula, facilmente consegue imaginar a cena e que um professor dificilmente usaria da fora fsica para manter a garota na sala de aula. Um professor teria argumentos tericos e pedaggicos ou, no mximo, permitiria a sada da garota especialmente porque ela estava transtornada.
Enquanto assistia a reportagem, recordava o relato do professor e escritor Celso Antunes, no Seminrio de Educao Inclusiva, realizado em Joinville. Na cronica relatada pelo escritor, uma enfermeira chegava desesperada a uma escola clamando por ajuda para operar um paciente e nenhum professor sentiu-se capacitado para ajudar. No entanto, praticamente todos os graduados se sentem capazes de ministrar aulas.
Ou seja, para toda a sociedade, basta estar em sala de aula para ser professor, no importa a qualificao. Se por um lado, a sociedade qualifica toda e qualquer pessoa que ensina como professor, por outro, qualquer um se considera capaz de ministrar aulas.
Afinal, o trabalho voluntrio precisa ser incentivado no Brasil, mas porque precisa ser exatamente no `calcanhar de Aquiles` do pas - a EDUCAO-, prejudicando ainda mais sua qualidade e desvalorizando a categoria dos professores.
Por outro lado, quando da implantao de programas de voluntariado nas escolas, as entidades sindicais ligadas ao magistrio alertavam para o perigo de se ter pessoas sem formao especfica, porque acidentes acontecem. E principalmente porque boa inteno no garante resultados positivos. A escola, neste particular, se assemelha ao papel- aceita tudo, especialmente por causa da carncia crnica que enfrenta h dcadas.
Mutilao fsica ou psicolgica de crianas e adolescentes um dos riscos de se aceitar voluntrios de toda ordem dentro das escolas.
O acontecido no Rio, fez lembrar tambm reunio do Conselho Regional de Educao da SDR de Joinville, no qual foram avaliados projetos de estudantes bolsistas do Artigo 170. Um dos estudantes de um curso tecnolgico pretendia ministrar aulas de Ingls em horrio extra-classe, por meio da msica, em uma escola da rede estadual.
O Conselho refutou os projetos alegando ser preciso respeitar o professor, permitindo que somente profissionais formados ministrassem aulas. Uma postura bastante adequada e de valorizao do professor.
Se naquela escola do Rio de Janeiro, o mesmo princpio fosse respeitado, seriam evitados acidentes com consequncias to graves como a mutilao da menina de 15 anos. As sequelas so irreversveis para a garota, para a escola e com certeza, para a imagem da categoria dos professores.
necessrio, tambm, informar a pais, aos alunos e sociedade em geral que nem todas as pessoas que trabalham na escola so professores.
Somente desde modo, poderemos ter, no futuro, alm da comunidade escolar, apresentadores de telejornais e jornalistas que saibam diferenciar um engenheiro voluntrio, de um professor de matemtica.

 
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