O Professor precisa tirar a cara da frente da mo do aluno (Junho/2008) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
08-Jul-2008


Em meados de junho os telejornais noticiavam que a cada semana, seis professores so agredidos fisicamente no Distrito Federal por alunos, ou ex-alunos. Em Santa Catarina, no existem estatsticas oficiais, mas ao abrir ou assistir a jornais, diariamente encontraremos reportagens sobre a violncia que se instala nas escolas.

Precisamos lembrar que a escola no uma ilha desvinculada da sociedade. Ao contrrio, uma instituio social e, se estamos numa sociedade que v aumentar diariamente a violncia, natural que a escola viva esta realidade tambm e encare a escalada dos ndices da violncia social ou siga com a onda.

Ningum sabe explicar ao certo as origens de tal violncia. E para entrar diretamente no problema, ningum consegue entender o porqu e as razes que podem levar um adolescente, um jovem ou mesmo uma criana, a rebelar-se contra um profissional que esta ali exclusivamente para educ-lo e ajud-lo a melhorar sua vida. Um profissional que, todos sabem, j injustiado pelo salrio auferido e pelas condies de trabalho. Daqui a pouco, os professores tero de receber adicional de periculosidade?!

Mas afinal, em que momento o professor passou a ser o alvo dos tapas, socos, pontaps, palavras de baixo calo e insultos por parte de seus prprios alunos? A resposta talvez esteja na construo da escola para a incluso de todos. Atualmente todos so obrigados a freqentar a escola. Assim, a escola passou a ser entendida como um lugar onde todos devem estar, sabendo ou no a razo e o objetivo de a freqentar. Sem entender sua finalidade, a escola se transforma numa espcie de priso para todos. E prisioneiros, se rebelam contra tudo o que representar autoridade.

Se revidar o tapa, a agresso, a presso psicolgica ou a ameaa, o professor ser incriminado, pois o adulto, apesar de ser um funcionrio pblico no atributo de sua profisso e, portanto, estaria protegido pelo Cdigo Penal. Mas essa deve ser mais uma dessas leis que no so cumpridas neste pas da impunidade. E, quanto mais impunidade, maior a violncia.

Depois de bater, insultar, ameaar, ridicularizar a professora tanto na escola quando na internet, o aluno, por ser menor de idade, volta para casa, tem a vaga garantida na escola, etc... Ento, o que fazer para tirar a cara da frente da mo do aluno?

Seguramente no se pode continuar a superproteger as crianas, adolescentes e jovens deixando-os e a seus pais, sem limites, sem metas a serem alcanadas.

E tambm no se pode permitir ser o s professores transformados em alvos dos insultos daqueles que deveriam estar educando pelos mesmos professores.

A escalada da violncia certamente teve incio com o aumento da quantidade de pessoas nas escolas, porque a violncia est dentro e j nasce com cada ser humano.

A questo no se somos ou no violentos, mas sim, se temos ou no autocontrole e civilidade suficiente para conviver pacificamente com nossas carncias, perdas, virtudes e, principalmente, com as nossas e as limitaes humanas dos alunos.

Efetivamente, a sada para tirar a cara da frente da mo do aluno fazer com que aqueles no optem por levantar a mo ou a voz contra o professor. E se ser violento ou no, uma opo individual, uma questo de autocontrole e de respeito, preciso, antes de tudo, trabalhar estes valores nas escolas.

Os alunos no tm conscincia de que esto presos na cadeia social da escolaridade, mais por imposio social (e profissional) do que pela motivao natural de aprender, de superao de desafios.

Para escapar da escalada da violncia, as escolas precisam implantar mecanismos de aprendizagem efetiva de cidadania, autodisciplina e convivncia pacfica, possibilitandos aos alunos participarem efetivamente das decises, como faz a Escola da Ponte, em Portugal.


Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
diretora, editora e jornalista do Jornal da Educao (ISSN 2237-2164)e do Jornal do Santos Anjos.Mestre em Educao e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membrodo Comit de Planejamento Estratgico de Educao, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentvel de Joinville, do Comit Regional de Educao da SDR-Joinville. voluntria na Comisso OAB vai Escola, da seccional de Joinville.
 
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