Universitrios podem pagar formao com trabalho (Maro/2008) PDF Imprimir E-mail
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07-Abr-2008


Nas primeiras semanas de maro, os brasileiros tomaram conhecimento, por meio de jornais e telejornais, de que o Ministrio da Educao disponibilizar dinheiro s universidades federais desde que as instituies que hoje atendem a uma minoria da populao, se comprometam a cumprir metas.

As principais diretrizes visam reduzir drasticamente os ndices de reprovao e abandono dos cursos e aumentar consideravelmente o nmero de vagas em cursos noturnos. A primeira vista, pode parecer bvio, mas se considerarmos os ndices de reprovao que em alguns cursos passam de 50%, as universidades pblicas tero muito a fazer nos prximos anos, se quiserem receber mais dinheiro.

Nos primeiros anos da aprovao do sistema de cotas, o Jornal da Educao j levantava a discusso sobre a necessidade das universidades pblicas se prepararem para receber um pblico diferente do que costuma ter em suas salas de aula.
Com a obrigatoriedade de aceitar estudantes advindos de escolas pblicas e minorias tnicas, as universidades pblicas passaram a receber no somente as "mentes brilhantes", os melhores colocados em praticamente todos os vestibulares, mas tambm jovens brasileiros que, muitas vezes, sequer tiveram "notcia" do contedo curricular mnimo obrigatrio da Educao Bsica.

Estes estudantes, advindos de classes populares, levaram as universidades a repensar suas aes. Desde ento, preciso dar conta de atender as necessidades intelectuais e, em alguns casos, materiais dos estudantes que receberam um diploma de Ensino Mdio sem ter tido sequer o nmero de aulas a que tinham direito. Ou porque seus professores estiveram diversas vezes em greve, ou porque estudavam em cursos noturnos e/ou em escolas, nas quais a quantidade de horas aulas menor do que as 800 anuais estipuladas pela LDB.

Alm disso, os espaos sociais de onde vm, no oferecem acesso cultura erudita, no raro, sequer s mdias digitais. Ao mesmo tempo, reportagens mostravam a evaso de grande parte dos estudantes que ingressaram pelo sistema de cotas, para trabalhar.

Na semana seguinte, os jornais anunciavam o envio de um projeto propondo que estudantes que tenham financiado seus cursos de licenciatura em Matemtica, Biologia, Fsica e Qumica pelo FIES possam pagar as mensalidades com servios prestados em escolas pblicas.
J os estudantes de medicina devem prestar servios nas cidades do interior, onde no h mdicos. Outros cursos podero ser contemplados com este projeto, especialmente os de engenharias, profisses em que h maior carncia de profissionais no mercado.

Alm de pagar a dvida, os formados recebero seus salrios normalmente e iro adquir experincia profissional.

A proposta no nova, a novidade sua formalizao e envio ao Congresso para votao, e, mais uma vez, estratgia para "apagar o fogo" e no para prevenir o incndio. O MEC justificou a proposta informando que faltam mais de 100 mil professores das quatro disciplinas para atuar em todo o pas. E que as populaes das pequenas cidades, especialmente nas regies Norte e Nordeste, nascem, vivem e morrem sem nunca ter recebido atendimento mdico.
Diante desta dura realidade, o ideal seria aproveitar o momento e juntar a esta, outra proposta que exigisse dos formados em universidades pblicas, o mesmo tipo de trabalho comunitrio, para que devolvessem, pelo menos em parte, o investimento do pas em sua formao acadmica.

Afinal, tambm estes estudantes se formaram s expensas dos cofres pblicos e, diga-se de passagem, custaram bem mais caro, do que aqueles que pegaram financiamento estudantil para estudar em escolas particulares.

 
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