JE registra ações sociais das escolas por 20 anos (Edição Agosto/2007) PDF Imprimir E-mail
Classificação: / 1
PiorMelhor 
Escrito por Jornal da Educacao   
31-Ago-2007


     Esta edição marca os vinte anos de circulação ininterrupta do Jornal da Educação. Num país onde a maioria das micro e pequenas empresas sucumbem no primeiro ano de vida e os pequenos jornais desaparecem seis meses após a primeira publicação, completar 208 edições, ou  2500 páginas sobre educação, é um feito que merece respeito.

     O registro da história, opinião e ações desenvolvidas por profissionais da educação e estabelecimentos de ensino, ao longo destes 20 anos, tem mostrado que, em sua essência, a educação brasileira ainda não atende aos parâmetros básicos do que poderia ser considerado educação de qualidade.

     Iniciativas individuais e algumas coletivas têm conseguido melhorar, em alguns aspectos, o ensino oferecido a nossas crianças, jovens e adolescentes. O Jornal da Educação divulgando algumas destas ações e participando de outras, como o Congresso Sul-Brasileiro da Qualidade na Educação e o Encontro de Gestores Educacionais, vem dando sua contribuição ao setor educacional.  

     Nascido da vontade dos profissionais da educação ligados a Associação de Professores de Joinville -APJ, o JE vem registrando a história educacional das regiões nordeste, norte, do Vale do Itapocú e Vale do Itajaí desde agosto de 1987.

     A primeira edição foi publicada num momento em que os professores de escolas públicas lutavam pela implantação da democracia no País, pela participação popular na formulação da Constituição Brasileira e, principalmente, por melhores salários e condições de trabalho para os professores e demais trabalhadores que fazem, efetivamente, a educação acontecer na sala de aula.

     A situação do país é bastante diferente da descrita na primeira edição, há 20 anos atrás, entretanto, os motivos que levaram a sua criação perduram ainda hoje. Dentre estes motivos, está a busca pela qualidade do ensino e a necessidade de comunicação e troca de experiências entre os professores e instituições educacionais, efetivamente preocupados em melhorar sempre mais a qualidade do ensino.

     Muitas dificuldades foram suplantadas e a renovação constante, não somente do ponto de vista da sobrevivência econômica, mas também editorial, tem garantido a continuidade das publicações. O apoio vem de diferentes setores, seja o educacional, empresarial ou público.

     Nestes vinte anos, registramos o fato da escola deixar de ser o centro do saber para alguns, para ser o local de socialização para todos, inclusive os portadores de deficiência física e mental.

     Acompanhamos os pais afastando-se da escola e deixando de arcar com o custo do ensino de seus filhos. Os alunos passaram a receber da escola desde o transporte e material escolar à merenda e uniforme e,em alguns casos, até mesmo serviços especializados como os de psicólogo, dentista, fonoaudiólogo etc.

     Noutro ponto, a escola possibilita aos pais receber inclusive dinheiro vivo de programas sociais, pelo simples fato da criança freqüentar à escola.  As funções da escola foram sendo ampliadas e, de meio para melhorar a qualificação pessoal, a cultura e a qualidade de vida pessoais, a escola passou a ser o centro de formação integral para todos.

     A instituição que há vinte anos era o meio para alcançar o sucesso pessoal e profissional passou a ser o lugar por onde todos precisam passar para se socializar. Já não se sabe exatamente qual sua função primordial, mas a escola passou a ser essencial na vida de todo e qualquer brasileiro.

     Entretanto, ao mesmo tempo, em que foi sendo transformada no centro  da sociedade, a escola foi perdendo sua essência. Hoje, precisa dar conta de tudo, e talvez tenha deixado de dar o essencial, o conhecimento científico.

     Esta mesma sociedade que ampliou o alcance social e deu à escola incumbências mil, ainda a coloca como o único espaço capaz de promover a igualdade entre os cidadãos.
Talvez, se conseguir superar  os desafios, especialmente de ordem econômica, por mais 20 anos, o JE possa registrar o retorno da escola à sua  função   primordial: transmitir às novas gerações, não somente o conhecimento produzido pela humanidade, mas também ensinar nossas crianças, adolescentes e jovens a beneficiar-se e à coletividade destes conhecimentos, diferenciando a informação importante, da opinião sectária e ideológica que beneficia a grupos específicos, em detrimento da coletividade.
Nesses vinte anos, a educação deixou de ser para poucos e passou a ser para muitos, do mesmo modo, o Jornal da Educação deixou de ser privilégio dos joinvilenses e tornou-se acessível a todos, desde a criação da página na internet (www.jornaldaeducacao.inf.br), em abril de 2001.

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Qual a sua opinião?