Quem foi Jesus?(JE301) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Fernando Bastos   
28-Mar-2017


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Entre os primeiros cristãos, havia quatro linhas de pensamento sobre a verdadeira natureza de seu líder: 1. Um homem normal; 2. Um enviado de Deus; 3. O filho de Deus; 4. O próprio Deus que se fez homem. Em 325, no Concílio de Niceia, Jesus foi oficialmente declarado Deus, e, a partir daí, seu nome foi ganhando cada vez mais projeção, fazendo do cristianismo a maior religião do planeta, hoje com cerca de 2,3 bilhões de adeptos.
 
Já para a maioria dos judeus, ele foi um falso messias. Os muçulmanos acham que ele foi um enviado de Deus, mas não é o Filho de Deus. Algumas pessoas pensam que ele veio de outro planeta, ou ainda que foi um avatar, isto é, um ser plenamente espiritualizado. 
Quem tem razão? 
A ciência vem tentando descobrir nos últimos séculos quem foi o rabi da Galileia. A tarefa não é fácil. Os textos mais antigos do Novo Testamento foram escritos vinte anos após a sua morte (cartas de Paulo). Os evangelhos oficiais apareceram nos últimos anos do século um. 
Entretanto, eles não existem mais, e as cópias produzidas no decorrer dos séculos sofreram milhares de alterações e interpolações dos copistas, ou por erros não intencionais, por ideologias próprias ou a mando da Igreja. 
Além das fontes oficiais, temos os evangelhos apócrifos (não válidos pela Igreja), e alguns textos de escritores contemporâneos a Jesus, mas que dispensaram poucas linhas sobre ele.
Os céticos questionam: se Jesus é Deus, por que deixou provas de si tão frágeis? Por que eventos espetaculares como a visita do anjo à Maria, a legião de anjos anunciando seu nascimento a um grupo de pastores, a ressurreição e subida aos céus só foram registrados pelos seus seguidores? 
Em Mateus lemos: “E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas”.
Ora, será que esses eventos eram tão comuns, que os escritores da época não viram necessidade de contar em seus livros? 
Para muitos estudiosos, Jesus é um personagem mitológico, como Zeus, Baal, Odin, etc. Muitos pesquisadores sustentam a teoria de que Jesus não existiu de verdade, e que a Igreja construiu esse personagem plagiando as narrativas de deuses pré-cristãos: Hórus, Krishna e Perseu nasceram de virgens fecundadas por um deus. 
Krishna realizava milagres maiores do que Jesus. Dionísio transformava água em vinho. Esculápio ressuscitava mortos. Osíris, Mitra e Tamuz eram deuses ressurretos. Yama e Auramazda julgavam as almas. 
No entanto, a maioria dos historiadores atuais afirma que existe um Jesus histórico, mas sua biografia não é bem aquilo que os evangelhos nos contam. 
As narrativas fabulosas foram inventadas pelos seus seguidores, com o propósito de convencer judeus e pagãos a se converter à religião do Mestre recém-falecido. 
Os discípulos sabiam que se o rabi não ganhasse status de um ser divino, recheando sua vida de milagres, seria bem mais difícil expandir a doutrina de seu líder. 
Afinal, como conquistariam os pagãos, se Jesus não tivesse atributos parecidos aos deuses em que acreditavam? 
Seja qual for sua opinião sobre Jesus, o fato é que as falas atribuídas a ele têm sido usadas tanto para consolar, incentivar a caridade e dar esperança aos sofredores, bem como para justificar a intolerância contra ateus e outras religiões (Marcos 16,16), a separação de famílias (Mateus 19,29), e até assassinatos (Lucas 19,27). 
Mas, será mesmo que tudo que Jesus disse, ele falou de fato? Ora, como acreditar que o homem que mandava amar até nossos inimigos, e perdoar setenta vezes sete, seria o mesmo que condenaria ao inferno quem não fosse batizado e acreditasse nele? 
Cabe a cada cristão e admirador desse poderoso pregador decidir onde está a verdade, pois como o próprio Jesus teria dito: “A verdade vos libertará”. 


Fernando Bastos
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