Seja ético também nas redes sociais (JE300) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
23-Fev-2017


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Você sairia colando cartazes e fotos de um corpo nu, seja de homem ou mulher, na sala dos professores de sua escola, com todos os colegas presentes, inclusive aqueles que você sequer conhece pessoalmente? 
Avisaria a todos os seus alunos e colegas de que há uma ótica, que você não conhece e nem sabe o endereço, distribuindo óculos de graça para crianças carentes?
Tem necessidade diária de sair por ai dando bom dia, boa tarde, boa noite e professando a “profundidade” de sua fé insistentemente, em todos os momentos do dia ou da noite impingindo às pessoas que precisam estar com você no mesmo local de trabalho, a ouvir tudo aquilo repetido a exaustão?
Você pega um mega-fone e sai espalhando notícias sobre crianças desaparecidas, carros roubados, doença da vaga louca ou o fim do mundo que está próximo em frente a milhares de pessoas e, principalmente, sem checar se a tal notícia é falsa ou verdadeira e qual a fonte? 
Você tem tanto tempo livre que consegue cuidar da vida dos outros e comparar com a própria vida? 
Consegue compartilhar e comentar idéias de outros no facebook e outras redes sociais? 
Tem tempo livre para replicar nos grupos de whatsapp, especialmente os criados com colegas de trabalho, tudo o que os outros postam, também sem critério e sem checar a informação?
Apesar da quase obviedade da resposta às perguntas acima,  é exatamente isso que pessoas e pior, muitos professores estão fazendo na internet. 
Estas pessoas esquecem que a internet é um grande mural mundial e que as ações efetivadas no mundo virtual, têm consequências semelhantes às do mundo real.
Ou seja, quem faz citações, replica informações, filmes, fotos e imagens muito e indiscriminadamente está levando seus colegas dos grupos, os chamados “amigos virtuais”, a construir uma imagem dela própria. 
Há um antigo ditado popular que diz: ‘diga-me com quem andas que te direi quem és’. Atualizando, para os tempos de redes sociais: ‘leio o que postas e direi quem és, como pensas e quanto desinformada(o), fofoqueira(o), solitária(0) e ignorante és’. 
Portanto, cuidado com o que postas, compartilhas e replicas. Cada bom dia seguido de Deus é fiel pode representar que foste traído pelo Homem ou por seus  atos, sentimentos e pensamentos. 
Por outro lado, seus colegas de trabalho não pensam (e nem devem), pensar do mesmo modo que você; e seus chefes, menos ainda. 
Lembre-se que educação vem de berço. E se você é professora ou professor, formador de opinião por força da profissão, tem obrigação de ensinar a seus alunos a identificarem as informações confiáveis ou não,  entre as centenas de milhares publicadas na internet,  sua falha é ainda maior. 
Quando você compartilha uma notícia falsa, como a que correu neste início de ano de que haveria uma ótica, que sequer tem loja em Joinville, doando óculos para as crianças carentes, você está difamando a tal Ótica e criando uma falsa espectativa, o que poderá gerar um pedido de indenização por danos morais.
Há ainda a ética profissional, outro aspecto das redes sociais a ser considerado. Especialmente nos grupos criadas com objetivo de facilitar a comunicação no ambiente de trabalho. 
Os grupos de trabalho foram criados com a finalidade de facilitar a comunicação entre os profissionais que atuam naquela escola (ou empresa), sejam homens ou mulheres, não para ocupar o tempo dos profissionais e a memória de seus smartphones com nudes,  piadas sem graça, propagandas e confissões de fé.
Portanto, há de se ter ética, e muita nestes grupos. A mesma ética cobrada dos alunos ao comunicar-se com os professores e amigos. Ou seja, em grupos compostos por colegas de trabalho, as postagens devem ser estritamente profissionais.
Assim como não se pode montar uma banca de venda e troca de produtos e serviços alheios ao ambiente escolar no pátio da escola, não cabe este tipo de postagem no grupo do whatsapp.
O mesmo vale para as postagens de corpos nus. A brincadeira entre grupos de amigos e amigas é muito válida, mas postar corpos nus dançantes ou caminhando na praia, mesmo que bonitos, não é ético. Para algumas pessoas, chega a ser inclusive uma agressão. 
E se esta postagem é feita por uma professora ou professor no grupo da escola em que trabalha com outros 60 profissionais da educação, é ainda pior, pois descabida.
A terceira lei de Newton afirma que “toda ação provoca uma reação de igual ou maior intensidade, na mesma direção e em sentido contrário”. Ou “as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”. 
É uma das grandes leis da física e com certeza indiscutível. Há provas suficientes na prática e na vida que comprovam essa lei. No dia a dia, cada vez mais, observamos as ações e reações que são provas sempre renovadas da lei do retorno. 
E quanto mais religiosa for a pessoa, maior a certeza de que tudo faz parte de um plano infinitamente maior do que nós. 
Portanto, para ser e agir com ética, é necessário respeitar o ponto de vista, o tempo, a intelectualidade, a crença religiosa (ou a inexistência dela), a liberdade de escolhas e principalmente, os princípios de cada uma das pessoas de cada um dos grupos de whatsapp, facebook ou seja lá a rede social virtual ou real que for. 
A lei do progresso, da igualdade, do trabalho, da liberdade de expressão e o direito ao silêncio, ao recolhimento, a leitura, à convivência agradável e harmoniosa no ambiente de trabalho, seja o material ou o virtual, deve ser levado em conta por todos os membros do grupo. 
E, para aquelas pessoas “sem noção” que continuarem a postar, compartilhar ou replicar informações falsas, imagens pornográficas, desrespeitosas, mensagens religiosas pedantes ou lições de moral nos grupos, resta ao administrador do grupo ou a você bloquear, excluir ou simplesmente banir de sua convivência virtual,   do mesmo modo como se faz na vida real. 
Lembre-se que todas as coisas que saem de você, voltam para você. Portanto, não é preciso se preocupar com o que você irá receber, é melhor cuidar com o que você dará. 
Se der respeito, terá respeito, se compartilhar discórdia, jamais viverá em paz. Se falar mal de uma pessoa ou empresa... 
Por outro lado, não é preciso sair das redes sociais para ter privacidade. Configure suas regras de privacidade e diminua a quantidade de pessoas que poderão ler e ver seus posts. 
Em vez de ficar falando mal das pessoas que postam fotos das refeições, deixe de segui-la, não comente e nem curta as postagens. Não seja a platéia delas.
Os aplicativos e programas de redes sociais disponibilizam ferramentas para você manter privado o que quiser, mas não se iluda, caiu na rede, é monitorado. 
Poste somente aquilo que gostaria que as outras pessoas soubessem. Pois assim como na vida real, depois que saiu de sua boca, a palavra é de quem está ouvindo (ou lendo), você não tem mais como pegá-la de volta. 
Não caia na ilusão de que ao navegar pela internet está imune ou protegido pela ‘teia da rede social’. 
Lembre-se de que podemos ser prejudicados dependendo do que postamos, pois sempre somos responsáveis por nossas ações online, assim como o somos em todos os momentos de nossa vida real. 
Algumas situações podem até gerar processos por causa de uma leve brincadeira, isso sem contar demissões por justa causa, separações de casais, brigas entre amigos e até perda da credibilidade tanto por parte dos colegas de trabalho, como de amigos e familiares e, pior, dos seus alunos.
Todos sabemos que a internet abre possibilidades para nos expressarmos com mais liberdade, encontrarmos pessoas, mas é sempre bom lembrar que o seu direito termina onde começa o direito do outro”. E que educação vem de casa. 
Seus colegas de trabalho têm o direito de ver no grupo de whatsapp da escola, somente postagens e comentários relacionados ao trabalho. Não os faça perder tempo com mensagens vazias de conteúdo profissional, colocando em  risco sua credibilidade. 
Estudos comprovam que são necessários somente seis contatos para se alcançar qualquer pessoa na face da terra. 
Por isso, tome cuidados antes de postar. É importante manter uma postura ética não somente nas redes sociais, mas em toda a internet e na vida real. Na dúvida, não publique!

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
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