PELA REFORMA DO ENSINO MÉDIO, URGENTE!(JE299) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
15-Dez-2016


O Brasil tem um dos piores níveis de ensino do mundo. A situação é a cada ano mais degradante. Mesmo as escolas particulares enchem seus dias letivos de assuntos mortos, de pouca ou nenhuma relevância, sem ensinar o aluno a pensar, a buscar, a filtrar, a analisar informações e construir o conhecimento que necessita quando busca assimilar e compreender as descobertas e interações que faz com o mundo. 
O aluno brasileiro é, nas escolas, um ser passivo, com uma abertura na parte posterior do cérebro, que recebe letras e números sobre fatos que ele não entende para que sirvam na sua vida e que não se ligam às situações nem de seu cotidiano, nem de seu imaginário, nem de uma situação-problema.
Nossos professores não constroem dúvidas para serem sanadas num ensino dinâmico e atual, nem instigam questionamentos capazes de suscitar o interesse. Prezam pelo “conteudismo” cada vez mais absoluto, numa pressão de vencer a gama de assuntos elencados em planos de curso ou apostilas ou livros-base cada vez mais extensos.
Há enorme pressão em escolas privadas para que os professores terminem o assunto até a “última página da apostila”, para que os pais não reclamem de terem pagado por algo que não usaram e para que não surjam questionamentos de que seus filhos “aprenderam menos” porque o professor “não passou todas as matérias”. 
Uma neurose absurda, desmedida, que mistura quantidade de “nadas” com velocidade de ensino que em nenhum momento favorece o aluno ou desenvolve nele o gosto pelos estudos. 
Depois, se espantam quando há verdadeira festa e comemoração por um dia sem aula ou a chegada de um feriado.
Afinal, construímos uma reprodução da sociedade doente dentro das escolas ou as escolas estão adoecendo a sociedade? Produzindo neuróticos em série, bovinamente amansados e adestrados para absorverem tópicos necessários ao ENEM e a vestibulares é, de fato, educar nossos filhos?
Já do outro lado do abismo, as escolas públicas sucateadas no Brasil afora, principalmente nas redes estaduais, pintam e bordam com suas ocupações. 
Lideradas por vagabundos e grevistas profissionais, ou por “alunos universitários profissionais”, vindos de universidades públicas recheadas de “marxistas de Iphone e MacBooks e carrinhos do papai”, manipulando a cabeça de alunos que sequer sabem pelo que estão protestando. 
Quando tem aulas, são com professores com severas defasagens, em sua maioria, desmotivados e sem o devido treinamento e estimulação por méritos em seus resultados. Os alunos sofrem para poder entender os assuntos, seja por um ensino incipiente no ensino fundamental ou pela falta de perspectivas futuras. A maioria dos alunos não vê relação dos assuntos da escola com a vida, como apontam as pesquisas.  
Muitos, das escolas públicas, sequer sabem que as universidades públicas poderiam ser o próximo passo. O pouco que sabem é que os ricos, que estudam nas escolas particulares, pegam as melhores vagas e ficarão nos melhores cargos, perpetuando a desgraça nacional, chamada de desigualdade social, patrocinada pela pior distribuição de renda do planeta.
Frente a este quadro caótico, a proposta de um ensino médio com áreas profissionalizantes e uma montagem de currículo de acordo com a escolha do aluno a partir do segundo ano seria muito bem vinda, se fosse entendida. 
A reforma é imprescindível e sim, com as aulas de sociologia, filosofia, educação física e artes como optativas, ou presentes nas grades dos cursos mais voltados para ciências humanas ou da saúde. 
Querer inchar com tudo que é disciplina de forma obrigatória é deixar tudo como está!
A proposta da reforma educacional do ensino médio, quando veio do corrupto e inepto governo Dilma, era celebrada como genial pelas esquerdas e vista com temor pela oposição, mais liberal. 
Agora, a mesma reforma proposta pelo governo Temer, mais liberal, sofre com o terrorismo ideológico dos simpatizantes dos corruptos vermelhos, dizendo que a reforma é a encarnação de Satanás!
Prova cabal do uso político e ideológico da educação. Esperar por 567 emendas de deputados que nada sabem de educação e sala de aula é outra aberração. Assim como deixar que as senhoras centenárias, “donas” do MEC e seus tecnicismos ditem as regras da reforma é outro tiro no pé!
Ou se aprova uma reforma ligada ao mercado de trabalho e ligada nas novas tendências mundiais de um conhecimento dinâmico e vivo, onde o aluno seja integrado ao saber, à pesquisa e à praticidade ou a última chance deste país ser consertado irá para a latrina, como a Ética na política já foi.

Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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