Rio realiza as Olimpíadas da PAZ (JE297) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
27-Set-2016


O Brasil realizou a primeira Olimpíada e  a Paralimpíada da América Latina com maestria. Os elogios continuam a chegar, tanto por parte de quem participou diretamente, quanto por quem assistiu ou acompanhou por meio da experiência de amigos e familiares. 
Até mesmo os espectadores que aproveitaram o evento para conhecer o verdadeiro Brasil, foram surpreendidos com a segurança e a acolhida da cidade Maravilhosa. Contrariando as espectativas dos cariocas (os que nasceram na cidade), e especialmente dos milhares de brasileiros que moram fora do país ou mudaram-se da cidade do Rio de Janeiro, “para fugir da violência”. 
A Olimpíada Rio 2016 (Brasil) tem sido considerada a mais segura e alegre de todas as já realizadas em mais de 200 anos. Nem mesmo os terroristas do Estado Islâmico conseguiram assustar. Alguns atribuem a inoperância daquele grupo aqui, ao desconhecimento da língua portuguesa, outros à cultura de paz do Brasil. 
O evento reuniu, numa mesma cidade, cidadãos de 206 países, de todos os continentes. Nada menos do que 22 chefes de estados estiveram presentes. 
E, seguindo a tradição dos jogos olímpicos desde a Grécia da antiguidade (776 a.c.) a paz reinou durante os dois meses de competições.    
A preocupação com a segurança, especialmente no que se refere a atentados terroristas e à ação das quadrilhas que atuam na Cidade Maravilhosa, nos dias que antecediam os jogos, deu lugar a sensação de segurança, de paz e a convivência pacífica com as diferenças culturais e pessoais. 
Apaixonados por esportes e por pessoas, os atletas, espectadores, força de trabalho remunerada e voluntários trabalharam alegremente e com muito profissionalismo para fazer do evento um grande encontro pela humanidade em paz. 
No Brasil, as Olimpíadas fizeram aflorar o amor pela superação. A torcida brasileira, pouco presente nas arquibancadas, em parte por questão econômica, em parte porque deixou para tentar comprar (ou ganhar) os ingressos na última hora, simplesmente porque duvidava da organização do evento, adotava o atleta ou time que iria apoiar e ‘fazia um espetáculo à parte” em cada partida. 
Se antes da cerimônia de abertura, a disposição dos voluntários que aguardavam ansiosos pela convocação, recebia um banho de água fria de amigos e familiares, após o impactante espetáculo de arte, o incentivo e reconhecimento, tornava ainda mais grandiosa a tarefa dos mais de 50 mil voluntários, de 150 países, selecionados para atuar nas Olimpíadas e Paraolimpiadas em mais de 150 países. 
A simplicidade, a criatividade, a atuação humana e até mesmo a ausência de tecnologia, humanizaram a cerimônia de abertura que encantou a “gregos e troianos”. 
Desde a abertura até a cerimônia de encerramento da Paraolimpíada, a cidade do Rio de Janeiro foi um pólo irradiador de energia humanizadora para todo o mundo, a capital mundial da paz. 
Aliás, nunca é demais lembrar que desde o início de sua história, a competição mundial é um período de trégua entre as nações, mesmo as em  guerra declarada. 
A magia do fogo olímpico renovou a energia dos cariocas e de quebra, a dos brasileiros e estrangeiros que vieram conhecer o Brasil. E o conheceram num dos momentos mais conturbados e delicados da vida política e econômica. 
E até mesmo nesse campo, o maior evento do mundo deu sua contribuição aos brasileiros. Além dos dólares que chegaram nos bolsos dos turistas e movimentaram a economia, grande parte dos contratados para trabalhar na organização e logística da Rio 2016, era de profissionais desempregados. 
Centenas estavam há quase dois anos sem receber um salário e nem mesmo os últimos meses de trabalho tinham recebido, especialmente os que prestavam serviços à Petrobrás. 
A maioria dos trabalhadores contratados (motoristas, profissionais de computação e administração, gerentes das mais diversas áreas, cozinheiros, etc..) tem nível superior e domínio do inglês. Esta disponibilidade de mão de obra especializada contribuiu para o sucesso do evento. Além de vestirem “a camisa olímpica”, estes profissionais auxiliaram em todas as áreas e principalmente, na comunicação e resolução de problemas. 
Para entrar nos locais de competições, era preciso fazer o check in, ser da força de trabalho (remunerado ou voluntário), atleta ou estar com o ingresso e credencial nas mãos. Após passar pelo detector de metais, a revista individual era rigorosa.
Os estrangeiros, habituados a este de controle de acesso a locais públicos, não reclamavam de nada. E nem mesmo das longas caminhadas para chegar aos estádios e nem da carência de pessoas para atendê-los em inglês ou na língua nativa, até porque a maioria veio disposta a aprender português. 
Quem estranhou e perdeu parte dos jogos, foram os brasileiros que ainda não tem o hábito de sair de casa bem mais cedo para ter tempo hábil e aguardar calmamente na fila.  Foram os brasileiros que reclamaram dizendo-se constrangidos por ter que passar por detector de metais para acessar o local das competições, aeroportos e atrações relacionadas aos jogos.
Os profissionais altamente qualificados e os voluntários, também em sua quase totalidade muito qualificado e, principalmente, motivados, recebiam a todos com um sorriso. Assim, as filas eram  mais um espaço privilegiado para fazer novos amigos. Pura diversão.  
Vale esclarecer que é a cidade e não o país, que realiza os jogos, mas que, por ser o principal destino turístico dos estrangeiros no Brasil, o Rio de Janeiro foi mesmo a porta de entrada. Dificilmente um espectador e os voluntários estrangeiros vieram só para as competições. Em sua quase totalidade, os turistas aproveitaram para conhecer outros estados e atrações. Foz do Iguaçu, São Paulo, Salvador  e Brasília foram alguns dos destinos mais visitados. 
A realização da Rio 2016 em solo brasileiro ajudou a levantar a autoestima de todos os brasileiros e a imagem do País lá fora. Os brasileiros sentiram o prazer de perceber que o país sabe fazer, e muito bem, um evento de tal magnitude. Após a cerimônia de abertura, as críticas e protestos deram lugar a alegria de dever bem cumprido, de eu sei, eu posso... 
Os menos informados e os “políticos espertos” tentaram vincular o governo federal ao evento, tirando vantagem, não conseguiram. 
O governador do estado do Rio de Janeiro usou a necessidade de reforçar a segurança da capital durante os jogos, para conseguir algum dinheiro que amenizou momentaneamente o rombo do seu caixa. 
Entretanto, tanto o governo federal, quanto o estadual, pouco ou nada fizeram para a realização das Olimpíadas e das Paralimpíadas. Coube a eles garantir a segurança, como o fazem em todo e qualquer evento e no dia a dia da cidade. 
Organizado pelo Comitê Olímpico Internacional-COI, com o auxílio dos comitês nacional e o local, os governos do estado e federal entram somente com o que  chamamos de representatividade política. E a presença física destas autoridades nos cerimoniais tem caráter eminentemente protocolar.  
A autoridade responsável era mesmo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.  Que, apesar do sucesso dos eventos, teve que pedir desculpas por sua “língua afiada”. 
Aplausos e vaias para as autoridades políticas durante as cerimônias de abertura e encerramento lembravam as dificuldades por que passava o país. 
A Cidade Maravilhosa que foi o centro do poder do país até a fundação de Brasília, é também o berço da Petrobrás. E, portanto, tem uma das populações mais politizadas do país. 
A metrópole reflete com maior intensidade os efeitos da crise política e econômica.   O carioca médio não queria as olimpíadas em sua cidade, pois além da precariedade das finanças do estado e do país, precisou conviver com os canteiros de obras por seis anos. Portanto, independente dos acontecimentos e investigações de corrupção, a cidade teve seu dia a dia constantemente alterado pelas obras de preparação das Olimpíadas. 
As obras de implantação dos BRTs, do VLT e da nova linha do metrô, ligando o centro da cidade à Barra da Tijuca mudaram drasticamente a paisagem e a mobilidade urbana. Além da organização e do sistema de transporte funcionar muito bem, nenhum caso de Zika foi registrado. 
O primeiro “cala a boca” aos incrédulos espalhados pelo mundo, inclusive na cidade sede e no Comitê Olímpico Internacional, foi a cerimônia de abertura. Simples e bela, a abertura sem muitos recursos tecnológicos retratou um pouco de cada Brasil inserido dentro de um único país de dimensões continentais.  
Voluntários do mundo todo, que bancaram a hospedagem e alimentação, trabalharam muito e bem. 
Mas os elogios à organização, mobilidade, alegria e beleza simples e simpática da cerimônia de abertura continuarão a chegar por muito tempo. 
O legado desta Olimpíada para o Brasil não será somente em forma de ginásios e equipamentos que incentivarão a prática de esportes.  Depois desse evento, a imagem do país como destino turístico seguro, foi construída definitivamente. O brasileiro agora é, inclusive para os estrangeiros, um povo capaz, organizado, acolhedor e alegre.

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
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