”Ecos de Memória” e estratégias de preservação na EEB Jerônimo Coelho (JE297) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Tânia Regina da Rocha Unglaub, Graziela Peruch Rosso e Sandra Correa Maria de Souza   
15-Set-2016


A realização dos jogos olímpicos no Brasil faz-nos pensar sobre a emergência dos esportes e sua importância no mundo contemporâneo. O campo esportivo foi inventado em meados do século XIX, na Inglaterra, com a competição marcada pela constante superação mediada pelo cronômetro. 

Os jogos olímpicos modernos começaram a se realizar na Grécia, em 1896, e, desde então, espraiaram-se até os dias que correm, ganhando visibilidade em nível global e envolvendo diferentes dimensões sociais.

Na histórica da educação, é instigante pensar como a instituição escolar se apropriou dos esportes. No Brasil, durante boa parte do século XIX, a escola era da ordem da instrução, isto é, da transmissão de conhecimentos, tanto no ensino primário como no secundário. 

Com a implantação do modelo do grupo escolar, no início do regime republicano, surge uma preocupação com a educação integral, que envolvesse as dimensões intelectual, física e moral. Nesse momento histórico, a educação corporal era realizada sobretudo por meio dos exercícios ginásticos, diferenciados para alunas (mais leves) e alunos (mais pesados e de corte militar).  

A escolarização do esporte emergiu, segundo o livro “A escola e o esporte: uma história das práticas culturais”, de Meily Linhares, na década de 1920, particularmente nos debates da Associação Brasileira de Educação (ABE), cuja questão central era a regeneração da sociedade brasileira por meio da educação nacional. 

O mote da ABE “energizar o caráter” incluía a prática esportiva, que implicava o respeito às regras, a lógica da constante superação e, nos esportes coletivos, capacidade de trabalhar em equipe. No entanto, o grupo católico da ABE criticava o uso de roupas sumárias nos esportes, que poderiam acarretar problemas de ordem moral. 

Assim, ao longo do século XX, os esportes invadiram cada vez o ambiente escolar, tanto na disciplina Educação Física, incluída no currículo do ensino secundário somente em 1931 quanto nos intervalos das aulas e nos finais de semana. No Brasil, o futebol foi o primeiro e o esporte mais praticado nas escolas, seguido pelo basquetebol, voleibol e handebol. De outra parte, o rúgbi não foi apropriado na grande maioria das escolas brasileiras, mas em outros países, como a Inglaterra e a França, esse esporte foi efetivamente escolarizado. 

Assim, no mundo escolar, há memórias emocionantes de jogos avulsos, de torneios interclasses e de disputas entre colégios, certamente marcadas por brigas e desentendimentos, mas, sobretudo, por momentos de disputa democrática, de frenesi e de prazer.  

Na obra “Entre Memória e História”, Pierre Nora observa que, tal como as “conchas na praia quando o mar se retira da memória viva” são os “lugares de memória”. Estes lugares, consagrados por meio de rituais, celebrações, arquivos, ... Operações! São desenvolvidos/construídos com a necessidade de preservar ‘vestígios’ de um passado que, num movimento de vai e vem, como as ondas, torna-se parte da história a partir do singelo trabalho do historiador da educação.Sozinhos, eles ecoam o esquecimento de algo que já viveu, todavia, mesmo sendo jorrados por novas ‘ondas’, não reproduzem aquilo que um dia foi. No entanto, guardam ‘memórias’ de um tempo que, apesar de ‘morto’, quando observado sob a égide do presente, ‘ecoa vozes’ que nos possibilita problematizar e desvelar fragmentos que oportunizem o contar da história dos fazeres e saberes escolares. Nesse sentido, a EEB Jerônimo Coelho é considerada pelo Projeto ‘Ecos de memória da cultura escolar por múltiplas linguagens” como um “lugar de memória”. Fez parte dos primeiros sete grupos escolares implantados entre os anos de 1911 e 1918 pelo movimento de modernização do ensino catarinense chamado “Reforma Orestes Guimarães”. E guarda fragmentos que contribuem com o narrar da história da educação catarinense.O projeto faz parte de um programa de extensão e tem o apoio institucional da UDESC por meio da sua Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade. Conta com a parceria do subprojeto do PIBID-CEAD/UDESC – financiado pela CAPES – e participação do Programa de Pesquisa da FAED/UDESC. Essa ação visa oportunizar espaços de reflexão sobre os ecos de memória do patrimônio escolar por meio de múltiplas linguagens para a construção da memória da história da educação.Participam da ação professores/pesquisadores, acadêmicos de graduação e pós- graduação, comunidade escolar e voluntários da sociedade lagunense. Juntos desenvolvem estratégias na busca da preservação da memória da escola como patrimônio histórico.  Uma das metas do projeto é a organização de uma sala de memória. Os álbuns fotográficos e quadros de época estão passando pelo processo de higienização e catalogação. Paralelamente ao projeto, o acervo documental da escola com 163 livros e pastas, passou pelo processo de catalogação e organização. Os alunos da EEB Jerônimo Coelho já tiveram a oportunidade de manusearem esses acervos e participaram de rodas de conversas com ex-alunos, professores e ex-professores.  O término do semestre culminou com evento cultural tendo lançamento do livro sobre a trajetória de João dos Santos Areão, que chegou em Laguna em 1912 para dirigir recém construído Grupo Escolar Jerônimo Coelho. A obra foi organizada pela professora Gladys Mary Teive. No evento, os alunos apresentaram poesias e dramatizações e hinos de autoria de Areão usando uniforme de época. O evento também fez parte da construção da memória da história da educação. apresentam-nos uma instigante releitura do século XIX por meio do mote do ensino primário e secundário. Ela é oportuna e salutar para a historiografia da educação catarinense.

Autoras: Tânia Regina da Rocha Unglaub (Professora da UDESC), Graziela Peruch Rosso (Doutoranda em Educação - UDESC)  Sandra Correa Maria de Souza (Professora da EEB Jerônimo Coelho)


 
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