TODOS NA SUA ESCOLA TÊM HIV! (JE 297) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
15-Set-2016


Ouvi uma conversa entre professores, sobre uma pessoa soropositiva para HIV na minha escola. A professora disse sobre seu medo de ser “contaminada por AIDS”.  E eu, sem perder a chance, disse que todos ali tinham HIV. Ela quase surtou. Expliquei: podem não ter AIDS, nem HIV, mas devemos considerar sempre que qualquer um pode ter este vírus, e não ter medo dele, mas nos precaver.
Ao questionar os demais, vi que poucos sabiam a diferença entre AIDS e HIV. E resolvi mobilizar a escola pelo tema, pois a maior doença, neste campo da saúde, é a ignorância, pois ela é a mãe do preconceito! Se considerarmos que todos podem ter, as pessoas passam a se preservar mais.
De pronto, respondi que a aluna pode ter HIV, que a Professora pode ter HIV, e que só se está livre quem se previne.  E que, caso aconteça uma chance de contaminação, se a pessoa supostamente contaminada faz uso da PeP, Profilaxia Pós-Exposição, não será contaminada com o vírus HIV. Isso se tomar a medicação anti-retroviral por 28 dias, iniciando até 72 horas após a suposta contaminação, seja por relação de risco, sangue contaminado, o que for. Muitos têm relação de risco e nem sabe que pode evitar o HIV pedindo a PeP nos hospitais.
Pouca gente sabe que HIV é diferente de AIDS. Hoje em dia, não se morre mais de AIDS, como nos anos 80 ou início dos anos 90, se a pessoa tomar a medicação diariamente, ou seja desregrada com a medicação, o que causa resistência do vírus à droga. 
Também não se tomam mais o famoso “coquetel”, pois BASTA UMA PÍLULA por dia, chamada 3 em 1 (ou 3x1), que é um conjunto de substâncias que combatem a reprodução do vírus. Um amigo, também contaminado por hepatite, toma 3 pílulas à noite, para poupar danos ao fígado e está indetectável, também. Segue uma vida normal.
Tal medicação faz com que o organismo, mesmo quando a doença já se instaura, inibe a reprodução do vírus, faz com que o corpo produza novamente as células atacadas, as CD4+. 
Na verdade, tecnicamente, a pessoa portadora do HIV passa a ser considerada com AIDS quando suas células de defesa CD4+ baixam de 350 unidades por mililitros de sangue. Ainda assim, muitas pessoas com até 90 células não adoecem, com as doenças oportunistas, que surgem a partir da falência das células de defesa, mortas pelo vírus.
Ter HIV não significa que a pessoa tem AIDS, que é a síndrome da deficiência do sistema imunológico, atacado pelo vírus. 
Uma pessoa com HIV não tem sintomas, se estiver tomando a TARV (terapia anti-retroviral que, além do 3x1, tem mais 33 tipos de terapias, usadas de acordo com as características da pessoa). Há pessoas vivendo com o vírus há mais de 25 anos e saudáveis!
A PESSOA QUE TOMA A MEDICAÇÃO ANTIRETROVIRAL DIARIAMENTE E QUE ESTEJA HÁ MAIS DE 6 MESES INDETECTÁVEL (menos de 20 cópias de HIV por ml de sangue) NÃO TRANSMITE O HIV, MESMO EM RELAÇÃO SEM PRESERVATIVO, APONTAM OS ESTUDOS MAIS RECENTES (Partner, 2014). Isto está ajudando muito a controlar a epidemia. Inclusive os casais sorodiscordantes, aqueles onde um deles tem HIV e o outro não tem, podem transar sem camisinha, ter filhos e levar uma vida normal. 
Algumas pessoas podem ser controladores de elite, que mantém o nível do vírus a praticamente zero no sangue, sem desenvolver a doença e sem precisar de remédios, permanentemente ou por muitos anos, embora esta condição seja mais rara de ocorrer. Mas estas transmitem o vírus, se não usarem camisinha ou se compartilharem sangue ou fluidos.
Atualmente, o governo brasileiro distribui a TARV aos soropositivos (pessoas convivendo com HIV), liberando também o eficaz Dolutegravir recentemente, uma das melhores drogas contra o HIV, com pouquíssimos efeitos colaterais e sem chance do vírus criar mutação resistente. 
E, em breve, a indústria farmacêutica liberará uma vacina, semelhante a que os diabéticos usam, mas que será tomada apenas a cada 8 semanas, sem risco de resistência do vírus, mantendo a pessoa indetectável permanentemente.
Sua escola sabe disso? É hora de acabar com o preconceito e o estigma na escola. Se o preconceito acaba na escola em poucos anos, ele não passa para a sociedade. Mobilize uma campanha de esclarecimento, traga profissionais para palestras, salve vidas! Isso faz a diferença.

Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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