O revezamento da Tocha Olímpica visa a promover a paz e tolerância entre os povos(JE296) PDF Imprimir E-mail
Classificação: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Maria Goreti Gomes - Editora   
22-Jun-2016


Ao mesmo tempo em que a Tocha Olímpica, ou a chama da paz, da trégua entre todas as nações, percorre o país, os termos racismo, preconceito, sexismo, homofobia, xenofobia preconceito religioso e outros sinônimos de intolerância às diferenças culturais, étnicas, políticas, de gênero e religiosas passaram  a fazer parte do vocabulário diário das brasileiras e brasileiros.
Acostumados a conviver com negros, imigrantes, políticos de oposição e protestantes, os brasileiros sequer vislumbravam que o preconceito fazia parte do seu dia a dia. 
A cultura da alegria e da boa vizinhança sempre norteou as relações entre os brasileiros de todas as regiões e raças. Brancos, negros, amarelos, religiosos, ateus, nativos ou imigrantes todos dividíamos os poucos bens materiais e imateriais que tínhamos com alegria. 
No entanto, nos últimos anos, a grande maioria dos brasileiros já começa a descobrir-se mais ou menos preconceituosa. E o pior, em alguns casos, intolerante e até mesmo violenta quando se trata de aceitar as diferenças. Seja por palavras, seja por atos julgam-se acima da lei e merecedores de deferência especial por serem dessa ou daquela igreja, por ter fé, por atuarem nesse ou naquele partido político ou terem nascido num berço ou localidade especial. 
Por conta destes equívocos de ego, assistimos ao aumento da discriminação e das manifestações explícitas e violentas de intolerância. Se antes o preconceito era velado, agora a sociedade vive uma fase do “eu assumo que sou” e, por conta do assumir-se, a pessoa manifesta seu preconceito em forma de ações violentas contra o outro. 
Um exemplo dessa nova vergonha nacional é o ataque a uma banda de rock, por jovens reconhecidamente neonazistas, em São Bento do Sul.  Outro, é a quantidade de estupros coletivos.
Com a aprovação de leis mais rigorosas contra este tipo de crime e o aumento da consciência da própria condição de vítima, também cresceu o número de registros oficiais. 
A discriminação vivenciada ao longo da vida, especialmente por mulheres, pobres, negros, indígenas, homossexuais, ateus, não cristãos, agnósticos ou seguidores de igrejas não tradicionais, passaram a ser denunciada e as vítimas a exigir igualdade de tratamento e direitos. 
Não há o que fazer em relação ao sentimento, já que estes não estão sob o domínio da consciência. Afinal, ninguém consegue controlar os próprios sentimentos. 
Então,  o que dizer do sentimento dos outros, mesmo que o outro seja próximo ou consanguíneo. Mas preconceito não é sentimento, é construído culturalmente ao longo de décadas. 
Portanto, se não podemos controlar os sentimentos, não podemos nos envergonhar deles, mas as atitudes precisam ser controladas. Se não há porque envergonhar-se de não conseguir apaixonar-se por um negro ou negra, ou por uma pessoa do mesmo sexo, não há porque envergonhar-se de respeitá-la em sua opção de vida e sexual.  
A população brasileira, que durante anos, apoiou os movimentos em defesa da família e da propriedade dos mais abastados, há algumas décadas, passou a cobrar o seu direito à propriedade também. 
Já não se admite que as gerações atuais continuem a receber as benesses recebidas por seus antepassados. Seja na época em que a coroa portuguesa (e mais tarde a brasileira) doou terras para os capitães hereditários explorarem; sejam as filhas e netas de militares que não casaram oficialmente, para continuar a receber suas   aposentadorias por toda a vida. 
Do mesmo modo, não se pode admitir que os afro-descendentes sejam eternamente discriminados porque seus antepassados eram escravos. Ou os favelados sejam tachados de traficantes ou sujos por causa de sua condição de pobreza material. 
Dinheiro vai e vem, mas a cultura e o preconceito são construída ao longo da vida. E a escola pouco, ou quase nada pode fazer para mudar essa realidade de coisa, a não ser aproveitar eventos que na sua essência promovem a paz entre os povos, como a Olimpíada, para promover a convivência pacífica e tolerante entre os próprios alunos. 
Afinal, o que move a sociedade e a faz crescer ou definhar são as pessoas e suas atitudes em relação aos outros. 
A xenofobia que moveu os ingleses a votarem pela saída da União Européia, é a mesma que faz muitos alunos odiarem seus professores, por simples aversão ou medo de pessoas, que lhe parecem estranhas ou vindas “de outro planeta”. 
O termo é de origem grega, se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode se caracterizar como uma forma de preconceito ou como uma doença, um transtorno psiquiátrico. 
O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através de ações discriminatórias e ódio,  intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou de diferentes culturas.
Nem todas as formas de discriminação contra minorias étnicas, diferentes culturas, subculturas ou crenças podem ser consideradas xenofobia. Em muitos casos são atitudes associadas a conflitos ideológicos, choque de culturas ou mesmo motivações políticas.
Como doença, a xenofobia é um transtorno causado por um medo descontrolado do desconhecido, que se transforma em desequilíbrio. 
Quem sofre este transtorno possivelmente passou por uma má experiência ao estar exposto a uma situação desconhecida que causou terror e deixou marcas que vão interferir na sua vida diária.
O Brasil é conhecido por ser um país que recebeu e recebe muitos imigrantes de vários países com diferentes culturas, sem graves demonstrações de xenofobia. 
No entanto, no século XIX se verificou no Brasil um fenômeno chamado lusofobia, que resultou de um sentimento nacionalista de alguns políticos brasileiros, que tinham como objetivo reduzir a interação de indivíduos portugueses na economia local. 
No Brasil da atualidade, o ‘ódio ou a fobia” aos políticos tem deixado os bons cidadãos fora da direção do país. E o silêncio dos bons é conivente com as ações dos maus.  
A intolerância religiosa tem no terrorismo do estado islâmico seu maior e principal representante, mas há séculos católicos e protestantes (ou evangélicos), ambos cristãos, acusam-se mutuamente de seguir falsos ídolos e preceitos. 
O termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Pode constituir uma intolerância ideológica ou política, sendo que, ambas têm sido comuns através da história. 
A maioria dos grupos religiosos já foi perseguida em alguma época de nossa história, mas a perseguição aos infiéis ou aos fiéis a outras ideias, resultou em prisões ilegais, espancamentos, torturas, execução injustificada, negação de benefícios e de direitos e liberdades civis. 
Durante os movimentos pelo impeachment da presidente Dilma, o preconceito contra a sua condição de mulher foi retratado em imagens da rede social que a denegriam em sua condição de mulher e não por sua inaptidão em administrar. 
O mesmo preconceito foi aflorado no governo Temer, no primeiro momento, quando foi anunciada sua equipe de governo, a inexistência de mulheres entre os ministros foi suficiente para taxá-lo como governo discriminatório. 
Sabemos que mulheres e homens têm modo diferente de administrar um mesmo conflito, mas seria o gênero, o principal requisito para ser um chefe de estado ou mesmo de uma empresa privada?
As mulheres são a maioria nos bancos escolares, estão mais bem formadas e teoricamente melhor preparadas para o mercado de trabalho, mas se um marido fica em casa cuidando das crianças e da casa, enquanto a mulher busca o sustento financeiro da família, o casal também é discriminado. 
Já é tempo dos brasileiros diferenciarem sentimentos de atitudes, atos de pensamentos e preconceito de conceito construído a partir de vivencias e estudos. 
Ser preconceituoso não é crime, crime é ser intolerante e violentar o direito do outro de ser e escolher como e com quem viver e conviver.
Que a chama da paz leve a tolerância, por onde passar. E que este seja mais um dos legados das Olimpíadas ao Brasil, já que os legados materiais (instalações esportivas, de transporte e culturais) serão para a cidade-sede, o Rio de Janeiro.     

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Qual a sua opinião?