Homofobia (JE295) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Fernando Bastos   
05-Jul-2016


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Nos últimos anos, 25% dos gays da União Europeia sofreram algum tipo de agressão. Existem pelo menos sete países que aplicam a pena de morte aos homossexuais. A cada dois dias, um homossexual é assassinado no Brasil. 
A homofobia tem origem na crença inexorável de que Deus odeia a homossexualidade. Ora, se Deus fosse contra os homossexuais, por que os criaria? Qual seria o problema de alguém se interessar por uma pessoa do mesmo sexo? Nenhum. Da mesma forma que o relacionamento hétero, quando feito entre adultos responsáveis, não traz nenhum problema para a sociedade, o amor homossexual também não causa danos a ninguém. 
Sabemos pelos estudiosos que em algumas culturas antigas o amor homoafetivo foi praticado, tolerado e exaltado como o modelo de afeto que mais se aproximava de Deus. Homens casados tinham seus amantes, sem que isso afetasse sua honra. Somente o lesbianismo era desestimulado, porque para os governantes, ele afastava a mulher de suas principais funções: gerar filhos e deixar a casa em ordem para o marido.
Com o advento do judaísmo, a religião começará uma guerra implacável contra os homossexuais. Para os dirigentes israelitas, relações entre pessoas de igual sexo representavam um perigo para seu povo, por um motivo simples: não gera descendentes, e a nação de Israel precisava crescer; mais gente, mais mão de obra no futuro e mais soldados para o exército. Então, para eliminar a prática, criou-se uma lei punindo homossexuais com a pena de morte (Levítico 20,13), e para dar mais credibilidade à lei, divulgaram que se tratava de mais uma lei entregue por Deus ao povo hebreu.
Delegar a autoria de uma legislação a um deus era comum em tempos antigos. Sabemos que o Pai dos códigos pertence ao rei de Ur (Suméria), cerca de 2040 a.C. Ele anunciou que recebera as leis diretamente do principal deus sumério, pois sabia que assim o povo teria mais respeito pelas leis. Outro monarca que chamou um deus para ajudá-lo na elaboração de seus estatutos foi Hamurabi (séc. 17 a.C.).
Esses reis foram ajudados por um deus para criar suas legislações? Claro que não. Mas o povo, inculto e fácil de ser enganado, aceitou, como cordeiros, que estava diante de regras caídas do céu. E, para que ninguém se atrevesse a descumprir aquelas leis, foi anunciado que o infrator seria preso, e sofreria terríveis castigos, aqui na terra, e depois no além, e aí a coisa seria pior.
A história de Moisés recebendo os Dez Mandamentos de Deus no monte Sinai é um mito. Hoje, não há um estudioso sério que acredita que a lei mosaica tenha sido entregue por Deus a Moisés. 
A lei contra a homossexualidade pertencia à mesma classe de leis bíblicas que punia de morte o filho alcoólatra, quem trabalhasse no sábado, adúlteros, quem oferecesse sacrifícios a outros deuses, o estrangeiro que se aproximasse do santuário, quem rejeitasse a sentença do sacerdote ou do juiz, etc. Todas elas foram abandonadas graças ao surgimento do Estado laico, que acabou com o poder da Igreja de julgar e condenar à morte quem desejasse.
Líderes religiosos exortam os homossexuais a rejeitar sua natureza, para que tenham o direito à Salvação. Ora, por que eles são tão obstinados em condenar as relações homoafetivas, mas ignoram outras leis bíblicas? Um peso e duas medidas? Por que esses religiosos, tão atentos em seguir a “Palavra de Deus”, se esmeram tanto em infernizar a vida dos homossexuais, mas esquecem de fazer o mesmo com outros que desrespeitam as “leis do Senhor”? Por exemplo, aqueles que trabalham no sábado (a lei manda matá-los), os desenhistas e escultores (Deus proíbe a confecção de imagens), os estrangeiros, os bastardos e os que têm defeitos nos testículos que entram em igrejas (a lei proíbe que se aproximem do altar), as mulheres que falam dentro da igreja e usam penteados glamorosos e brincos (o apóstolo Paulo mandou-as ficar caladas e usar o véu, em nome do Senhor). 
Tudo é interesse. A Igreja sobrevive de doações e dízimos, de forma que se fosse seguir a lei ao pé da letra, teria que restringir o acesso de muitas pessoas em seu meio, o que significaria um risco para seu futuro. Assim, fechou os olhos para muitos infratores, mas se manteve inflexível com os homossexuais, pelo mesmo motivo dos antigos sacerdotes hebreus: eles não procriam, e os sacerdotes precisam de bancos cheios no domingo. Mais gente, mais dinheiro na cestinha.

Fernando Bastos
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