Metodologias Ativas-Problematização Contextualização(JE289) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
22-Set-2015


           Novas Formas de Ensinar e Aprender – Compatíveis com o Mundo Atual

 O mundo mudou e muda a cada dia. As verdades mudam, os valores mudam; a forma de encarar a sociedade, a família, o trabalho e as informações aos milhões por segundo. Tudo muda. A escola não muda. Talvez por isso – perdoem o trocadilho – está muda.

A escola perde credibilidade e representatividade social. Os jovens não acreditam mais na escola como elemento transformador da sociedade. A escola se tornou, para adolescentes, um tempo de passagem para um Exame (ENEM). O que era para ser um exame inovador, com questões contextualizadas apenas se tornou mais um exame burocrático, onde a “contextualização” virou um gráfico mixuruco, um texto de algum autor “de esquerda”, apenas para aumentar o tamanho do enunciado. Claro que, venho repetindo: para disfarçar os péssimos níveis de ensino qualquer pessoa praticamente semianalfabeta, que tenha paciência de ver as questões até o fim, que preste atenção aos gráficos, consegue chegar aos 500 pontos e, uma anulada aqui, outra na sorte ali, chega aos 600 pontos sem muito esforço. Isso alivia o quadro ao governo atual e mascara a situação, mas não priva o ensino superior de arcar com as consequências.

Na hora de interpretar um texto na vida real, de entrar por testes no mercado de trabalho, na hora de precisar de cálculos que exijam organização, raciocínio lógico e domínio de habilidades mínimas do saber matemático... os indicadores internacionais provam... O Brasil não consegue sair das últimas posições dos testes internacionais.

Uma das saídas começa pela forma de trabalho em sala de aula. Nossos alunos não conseguem mais ficar o tempo que ficávamos estudando. Não desenvolveram a atenção concentrada de acordo com as características do mundo que vivíamos, mas sim, elaboraram uma atenção mais global, mais difusa, menos concentrada e mais dividida. Isso gera alterações na forma como entendem o mundo e como exploram as informações. Há uma mudança nos processos de assimilação e acomodação dos saberes. A memorização perde muito da sua eficácia, tanto porque memorizar não é aprender (e os professores devem sempre se lembrar disso), quanto pela necessidade das memórias que mais necessitamos e que mais colaboram para as formas de raciocínio no cérebro são a memória afetiva e a memória de serviço, que contribuem diretamente para uma das grandes habilidades necessárias ao aprendizado: o SABER FAZER.

As metodologias ativas, conjunto de práticas pedagógicas desenvolvidas a partir das pesquisas de AUSUBEL, que partem da contextualização, inovam por uma pequena revolução educacional a que se propõe: o professor não é mais o centro do saber. Nem o aluno é o protagonista da aula. A busca pelo saber, a partir de experiências, vivências, curiosidades, contextualizações, passa a ser a tônica do aprender.

Não há mais lugar para saberes enciclopédicos, pois a própria criticidade de nossa sociedade, a própria forma como o desenvolvimento social de nossos filhos se caracteriza nos tempos atuais pressupõe uma metodologia dinâmica, que parta de problemas, que traga dúvidas e não verdades enlatadas, prontas e descontextualizadas da realidade.

O saber pensar atual se dá pelo incentivo à memória afetiva e à memória prática, aplicadas às diversas formas de raciocínio necessárias para a resolução de problemas. E resolver problemas é a síntese da definição de inteligência. Nossas sinapses (interligações neuronais) são o resultado das várias formas de se perceber, analisar e interagir com um estímulo vindo do meio. Não há aprendizado sem significados, sem definições que são construídas na interação e na apropriação de saberes que o grupo constrói, quando um professor estimula o grupo a buscar uma resposta, a perceber um problema que, por natureza humana, nos impele a buscar soluções.

O verdadeiro aprendizado passa pela valorização das características que nossos estudantes trazem. Pois criticá-las não fará diferença. Eles continuarão inseridos em seus contextos atuais, com criticas ou sem críticas. Fazê-los pensar e utilizar as habilidades e recursos que eles trazem em suas experiências com o mundo atual é uma saída mais eficaz, mais produtiva e menos desgastante.

 


Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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