PRA FORA DA SALA, AGORA! (JE286) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
21-Mai-2015


Talvez eu insista na mesma cantiga; creio eu, numa musiquinha estridente: o preparo de um professor faz toda a diferença! Digo esta redundante verdade porque estava pensando o quanto seria divertido se proibissem de vez a segunda “arma” mais usada pelos mestres: a expulsão da sala de aula.
Digo a segunda “arma”, pois a primeira e mais usada é o “descontar pontos”, seja direto no diário, seja numa prova tão difícil que nem um Nobel responderia. 
Quase em todas as escolas do Brasil é epidêmica a mania de expulsar aluno a sala, de “mandar para a secretaria” ou “diretoria” ou “se acertar com coordenadora ou orientadora”, ou seja, tira o “monstro ameaçador” da sala de aula, como se resolvesse o problema.  
O pior da história é que os motivos são os mais absurdos: não fazer a tarefa, rir sabe-se lá do quê, mascar chiclete, não trazer o caderno. Mesmo com motivos considerados graves, o professor é o soberano da sala e não deve, em hipótese alguma, passar sua autoridade e domínio de turma para um profissional que não está na escola para resolver picuinhas, rebeldias pontuais, como um bombeiro que sai apagando as fogueiras da escola. Aliás, bombeiros de verdade não apagam o fogo, previnem incêndios, com ações planejadas.
Expulsar o aluno rebelde e indisciplinado é um ato que atesta a incompetência do professor. O aluno muitas vezes quer mesmo é sair da aula, que vê como chata ou não tem maturidade para perceber a importância do tema. 
Cabe ao professor trabalhar de modo preventivo no engajamento do aluno com as temáticas, com os métodos, com uma forma mais elaborada de se lidar com o coletivo. 
Sim, cabe ao professor. Antes que as rupturas disciplinares aconteçam, o planejamento deve envolver os especialistas da escola: mapeamento dos alunos com baixo rendimento, identificação das causas, observação dos alunos com históricos disciplinares ruins, identificação das lideranças de cada sala, trabalhos de integração professor-aluno, dos alunos entre si são práticas eficazes. O trabalho de aproximação dos pais com seus filhos no ambiente escolar é outro exemplo de trabalho feito com planejamento que facilita muito o relacionamento interpessoal, que dá a escola a verdadeira face d centro de convivência com o novo, com o saber e com novas formas de pensar.
Mas como os especialistas poderão trabalhar no desenvolvimento de projetos, como poderão identificar os alunos que precisam de ajuda e como podem operar de fato seus trabalhos com o tal planejamento, se os mestres mandam alunos a granel para que os orientadores, que nada tiveram a ver com a situação fiquem lotados de alunos e suas agendas recheadas? 
E lotados para resolver o que não precisam, pois o professor que age sem ameaças, de forma divertida, que trabalha com grupos ativos dentro de sala, que resolve com uma boa conversa ou com atividades de trabalho em conjunto não encontra resistência ou problemas disciplinares.
E quando se percebe que algo não vai bem na vivência emocional do aluno, que ele não reage de forma a colaborar consigo mesmo, é imperativo que se encaminhe o aluno para a avaliação de um especialista (psicólogo que trabalhe com temas educacionais ou um psicopedagogo), pois quanto mais cedo se intervém, melhores são os resultados na recuperação, no resgate do aluno para reaprender.
O que não se pode é rotular o aluno, é punir gratuitamente, reprova-lo ou repetidamente tirar de sala sem saber o que há de errado a ponto de leva-lo a uma conduta contrária à maioria dos alunos. É típico da natureza humana aprender, seguir o coletivo. A ruptura, por mais debochada que seja a postura do aluno, indica sofrimento e pedido de ajuda, assim como a preguiça. São mitos a quebrar.
É aí que entra a necessidade do preparo: professor tem de ter é repertório, professor bom é inusitado. É irreverente, tem resposta forte na ponta da língua, Ao mesmo tempo, o professor bem preparado, com espírito desarmado, bem humorado, cativa os alunos, traz o limite e a concentração necessários para efetivar um aprendizado coerente.  Além de resolver problemas e manter o aluno vidrado na aula, seu exemplo educará sem perder o controle nem a admiração da turma.

Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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