A gente tem sede de justiça e honestidade! (JE 285) PDF Imprimir E-mail
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Opinião do Jornal
Escrito por Maria Goreti Gomes   
24-Fev-2015


Há anos ouvimos que o brasileiro não poderia perder a capacidade de indignar-se. Acredita-se que diante de tanta corrupção, roubo do dinheiro público, violência e injustiça que crescem diariamente é impossível continuar parado. Os acontecimentos do início de ano, deixam dúvidas, se o brasileiro teria perdido ou não a capacidade de reação especialmente contra os desmandos do governo federal. 
As eleições de 2014 mostraram que o governo federal conseguiu levar o brasileiro a acreditar nos números manipulados das estatísticas governamentais. No exterior, os números apresentados pelo governo brasileiro já estão desacreditados há muito tempo. Mesmo levantamentos feitos pelo IBGE tiveram os dados alterados ou não divulgados, antes das eleições.
Passadas as eleições, mantido o poder por mais quatro anos, dezenas de funcionários exonerados a pedido por não poderem fazer o seu trabalho corretamente, o brasileiro passou a conhecer, em parte, os dados da realidade do seu país. 
O resultado das eleições mostrou que a capacidade de analisar a conjuntura e estratégias políticas está diminuída nos brasileiros. Este já é um dos resultados do  baixo nível do ensino, que diz estar preparando para a vida. 
Alguém está preparado para pagar mais de 80% na conta de energia elétrica e 15% no litro de combustível? Ou para conviver com um desemprego que subiu de 6 para cerca de 20% em menos um trimestre?
Os partidos de oposição sucumbiram às estratégias de marketing dos atuais detentores do poder e, assim como os brasileiros, aguardam atônitos pela divulgação, amplamente negociada e adiada, dos nomes dos políticos envolvidos na roubalheira do principal patrimônio material do cidadão brasileiro, a Petrobras. 
Até o momento, o brasileiro conseguiu somente iniciar o pagamento de parcelas da dívida de sua maior empresa. Contraída por ter admitido corruptos e corruptores como gestores político-administrativos, a dívida agora está imbutida no preço dos combustíveis e da energia elétrica.  Esta última aumentou mais de 50% por conta da geração por termoelétricas, porque não choveu nos lugares certos. 
Ao contrário do desemprego, que chegou exatamente nos pontos em que a Petrobras deixou de atuar por causa da crise. 
Assim, o brasileiro atônito e sentindo-se impotente, descobriu que está pagando mais pelo combustível e, muito rapidamente pagará mais pelo alimento, pelo transporte, pela moradia e por tudo mais que comprar, pois a economia brasileira é movida sobre quatro rodas. 
O projeto real de “governo=poder” implantado pelo PT e seus aliados no Brasil incluiu modificações inclusive na lei de responsabilidade fiscal proposta e promulgada por eles mesmos.  
Ou vejamos, quando um cidadão gasta acima de sua condição de pagamento, a primeira providência é planejar suas próximas compras e negociar o cronograma de pagamentos da dívida. E se o credor for o governo, não tem negociação. O cidadão terá de apertar o cinto e voltar a viver dentro de seus padrões, administrando o próprio dinheiro e planejando o futuro.
Quando um gestor ou gestora do dinheiro público, eleito ou indicado, gasta acima do orçado, deposita parte do dinheiro público em  contas privadas ou perde o controle sobre o paradeiro do dinheiro público que estava sob sua guarda,  o Executivo manda uma “mensagem” ao Legislativo para mudar a lei. E, imediatamente, passa a executar ações que levarão o cidadão, aquele mesmo que já está apertando o cinto, a enviar mais dinheiro aos cofres públicos. 
Ao mesmo tempo, o administrador da esfera pública passa a “construir a agenda positiva” e a dar desculpas, na tentativa de explicar sua incompetência administrativa. A corrupção, o erro, o roubo, tudo seria culpa dos outros que começaram. O fato dele ter continuado, ampliado, se beneficiado e jamais investigado mesmo estando no poder, não deve ser considerado.
Chegamos ao ponto que não somente a corrupção, mas também  a manipulação de dados e as desculpas esfarrapadas estarem institucionalizadas. “Fizemos aquilo que os outros também fizeram. Definitivamente o impossível parece estar acontecendo. A que ponto chegamos? Ter que  concordar com Paulo Maluf  é imperdoável. O político paulista disse em entrevista há mais de uma década, que o PT está fazendo no governo tudo aquilo que acusava os governos da época em que era oposição, fazerem. 
Nestes momentos de crises surgem os“especialistas” a dizer o que deveria ter sido feito, e apontando os pseudo culpados. Invariavelmente, estes “especialistas” se unem às autoridades responsáveis pela crise para atribuir a culpa à vítima: o cidadão.  
O jogo de empura é tão absurdo que se falta água e energia elétrica é porque o povo desperdiça. Nunca é da falta de planejamento dos governos e das centenas de funcionários públicos pagos para planejar e executar os serviços públicos. O país não diversificou sua matriz energética e colocou sua economia sobre quatro rodas, mas a culpa pela crise de abastecimento é dos caminhoneiros. Se tem rombo na previdência, é porque o trabalhador se aposentou cedo demais.    
O rombo no caixa da Petrobras, equivalente ao orçamento anual do Sistema Único de Saúde(SUS) cerca de US$188 bilhões, é culpa dos trabalhadores das empreiteiras, que pagaram propina para ganhar os contratos, e agora estão com salários atrasados e demitindo em massa.
A gasolina sobe, assim como a violência, a péssima qualidade do ensino, a impunidade, as verbas para os parlamentares e seus familiares, a energia elétrica, o IPTU, a parcela patronal do INSS das empresas, as tarifas dos serviços públicos, o preço dos alimentos, do vestuário, dos imóveis,  do transporte .... 
No país em que os ‘peixes ENORMES’ continuam administrando o dinheiro, as empresas e os serviços públicos como se fossem privados (para si e seus aliados) e continuam por mais de uma década impunes, esquecer de alguma de minhas múltiplas obrigações de cidadã brasileira, não diminuirá em nada a sensação de injustiça e impunidade. 
O cidadão brasileiro honesto tem sede de acabar com esse sentimento de impotência e já não aceita ser apontado como culpado pelo caos que está se instalando nesta república que já nem de bananas é mais, tamanha a crise no setor agrícola. 
Nenhuma crise começa como uma explosão de uma bomba, ela vai se instalando vagarosamente em decorrência das politicas públicas que vão sendo implementadas ano após ano. E se nossos atuais governantes tivessem um mínimo de decência, pediriam demissão imediata e em caráter irrevogável. 
Assim como faz qualquer trabalhador honesto, quando vê constatada a sua incapacidade,inabilidade e impossibilidade de vir a ser apto para o cargo para o qual fora contratado. 

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
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