Avaliação não é vingança! (JE284) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
17-Dez-2014


Cabe ao professor, sempre que faz uma avaliação, verificar se os objetivos que ele traçou com a turma para aquela unidade foram realmente trabalhados de forma a gerar compreensão e contextualização. Termos estes que andam juntos. Compreensão é, em sucinta definição, o resultado das interações cognitivas (equilibração, acomodação e assimilação, em Piaget) que dependem da forma como o professor maneja o grupo para conseguir conduzi-lo a ver sentido naquilo que foi exposto. A contextualização é a capacidade do aluno em dar um sentido prático e vivencial do conhecimento adquirido em sala. De nada adianta, queridos leitores, haver compreensão de um conhecimento, a aquisição de uma habilidade, se esta não é reconhecida na prática, no momento onde o conhecimento se faz necessário. E todos aprendem, dentro de seus limites e capacidades. Avaliar é conhecer estes pontos!
Se o professor não trabalha com o grupo os objetivos de cada conteúdo, o aluno não desenvolve interesse no assunto, pois de cara não sabe lá muito bem para que serve aquele conhecimento. Mais que passar um título e repetir a introdução do capítulo (“ao final desta unidade o aluno deverá ser capaz...”), desenvolver uma dúvida, mostrar a utilidade prática do conhecimento, mostrar notícias, problematizar de modo prático e vivencial é trazer o aluno para dentro da produção do saber. Ele vê sentido! No momento da avaliação, o aluno deve saber o que o professor precisa medir. Veja o que eu escrevi:  não me referi ao que o professor quer saber: me referi ao que o professor precisa medir na compreensão e principalmente na contextualização do assunto. Aprender é desenvolver habilidades e discernir onde elas serão úteis, na melhor forma de aplicar de modo competente o conhecimento.
Professor: você está trabalhando de forma que o aluno entenda a praticidade do conhecimento adquirido? Você está elaborando a prova de forma a medir quanto o aluno consegue desenvolver das habilidades trabalhadas em sala frente a um desafio onde tais saberes se inserem? Você, querido professor, está priorizando avaliar o que o aluno sabe, o que aprendeu e é capaz de usar ou pensa a prova para cobrar justo o que o aluno não sabe? Avaliação, afinal, é medir ou é julgar? É medir ou vingar? 
Muitos professores, agora no bimestre final ou nas provas de exame final, pensam nos alunos que o incomodaram, nos alunos desinteressados e desleixados, nos famosos “preguiçosos” e claro, nos indefectíveis bagunceiros. Pensam que algumas questões salvam os que ficaram em exame por poucos pontos e pensam nas questões mais elaboradas como aquelas que servirão de “gancho”, de “âncora”, para comprovar sua impressão que aquele aluno merece reprovar, seja por ser “imaturo” ou por ser “irresponsável” ou porque acha que se deve “punir os preguiçosos”.  Reprovar só piora a situação!
Sempre é bom lembrar: é necessário gastar muita energia para um aluno não seguir a conduta coletiva, de aprender e se desenvolver. Esforço vindo do sofrimento. Ou seja: o aluno que desvia da aprendizagem e da conduta do grupo, seja com ares de deboche, seja com choro, seja com preguiça ou apatia, está numa situação de incompreensão de uma saída, está pedindo ajuda e cabe ao professor e aos especialistas traçarem um plano de identificação do quadro e de recuperação ao aluno. Lembre-se, Mestre: o não-aprender, a preguiça e a indisciplina são linguagens avisando que algo não está bem, seja na casa, na sala, no desenvolvimento cognitivo, emocional ou social da criança.
O que o professor ou a escola fez para que tal situação fosse detectada e superada? Nada? E ainda assim é o aluno que merece reprovar? Onde está o laudo? Onde está o acompanhamento? A recuperação? Um plano de trabalho com os pais, desde o início das notas baixas? Se não há um destes itens, um apenas, não se deve reprovar um aluno! 
Avaliação não é vingança! Cada avaliação precisa favorecer e reforçar a aprendizagem, deve causar prazer e não angústia. Se o aluno não aprende, motivo há. Identificar as causas do déficit é resgatar um futuro, é dar oportunidade de vida. Afinal, a avaliação mal feita e a reprovação são armas que comprovam a falha do processo educacional, o atestado de incompetência da escola e do professor que não souberam “ler o aluno”. Bom Trabalho neste final de ano. Boas e merecidas Férias!


Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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