Família e Escola: Diálogo de Resgate! (JE 282) PDF Imprimir E-mail
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Colunistas - Psicologia da Educação
Escrito por Gilmar de Oliveira   
16-Set-2014



Retomei a rotina de palestras e visitas às escolas, aqui na Paraíba. E, nas entrevistas que faço para entender a dinâmica da escola no preparo das palestras e cursos, pude notar em várias instituições um fenômeno em comum: o completo abandono que se encontra a relação da família com a escola! Claro, se a família não valoriza a escola, não é o filho que verá a escola como um local importante.
É incrível que o óbvio esperado não esteja acontecendo: pais presentes nas escolas, em reunião, e que acompanham a rotina diária (ler agenda, verificar tarefas, ajudar nos trabalhos), e que comparecem quando chamados à escola. Estes fatos são a cada dia mais raros no universo escolar.
O fato de termos uma sociedade que julga como “muito boa” a escola dos seus filhos (a imensa maioria dos pais de alunos da rede pública pensa assim) já é uma tragédia colossal. O fato de termos escolas em ruínas, professores mal preparados e desvalorizados pelo governo causa um dano ao país semelhante a milhares de bombas atômicas: os efeitos da má qualidade sentem-se por muitos anos, como a radiação. E temos uma classe média que coloca o filho na escola privada como deixa roupas na lavanderia, que despreza a escola, que manda o advogado representar os pais nas falhas disciplinares. Que a escola é boa enquanto o filhinho não reclama ou enquanto a escola não incomoda os afazeres ou o sagrado passeio de fim de semana... é a coisificação do ensino. Como se escola fosse bem material.
O aluno precisa sentir os pais preocupados com a aprendizagem, com o ritmo da aula, com o dever de casa bem feito, com a leitura dos assuntos trabalhados em sala, interessados em ler a agenda, em conferir o capricho com o material. Isso é mostrar ao filho que resultados positivos se conquistam com trabalho, esforço e dedicação. Os filhos precisam sentir interesse dos pais na sua vida escolar, que a escola é importante para os pais. Isto é amor. Ter filhos é exercer o dever de cuidar e formar vidas e mentes.
A escola precisa de pais que verifiquem se há estudo e dedicação em casa. E espera que os pais fiscalizem escola e aluno: se o conteúdo é ministrado de forma correta, notar e incentivar o interesse, a dedicação ou, mesmo não gostando, que os trabalhos pedidos sejam feitos no prazo e bem feitos. Afinal, a vida é assim: prazo, qualidade, luta para obter bons frutos. Ninguém gosta de todas as rotinas da vida ou do emprego, mas precisam ser feitas, goste-se ou não! Mimar o filho, criticar a escola porque deu tarefas no final de semana, dar razão ao queridinho sem antes visitar a escola e entender as razões e estratégias ou as situações de conflito só faz o aluno ver a escola como desprezível. Pior para o aluno. 
O que a escola não precisa é pai e mãe “dono da verdade”, que comparece para reclamar de tudo e de todos quando seu filho rende pouco, sem observar o seu papel no processo de formação do aluno e da pessoa. Curioso: a escola é visitada “rapidinho” por pais “revoltados” quando o professor chama a atenção do aluno, quando a nota baixa aparece. E vem cheios de razão, como se o filho jamais estivesse errado. Mas, entender COMO se construiu a tal nota, qual a responsabilidade sobre alguma má conduta, parece não interessar. Ah, o professorzinho é malvado. O professor criticou a postura pedante e ignóbil da mocinha lindinha do Papi? O professor constrangeu a filhinha, tadinha...  O que tais famílias, hoje com dinheiro, mas sem postura ética estão criando para as gerações futuras? O mesmo que as classes mais pobres estão, achando que as escolas públicas estão boas demais: jovens sem base de vida para enfrentar os desafios do mundo moderno, mais competitivo, exigente e ético.
A família precisa ver a escola como o lugar de ensino e transformação da informação em conhecimento. Lugar de ENSINO. A FORMAÇÃO MORAL DEVE VIR DE CASA! A escola não é depósito de aluno, pois não é obrigação dos profissionais da escola aturar jovens mal-educados, grosseiros, pedantes, que juram ser donos do mundo, ensinar e educá-los. A roupa vem limpa da lavanderia, os filhos não vêm prontos da escola! Muitas vezes, ao chamar os pais à escola, descobrem: o aluno até que “está bem”, frente aos pais grosseiros, estúpidos e desbocados que possui. Também cabe à escola encontrar um canal para deixar isto bem claro às famílias, sem medo de perder alunos ou sofrer pressão política. 
Todos precisam entender que falhas no processo de aprendizagem e eventuais transgressões dos alunos requerem PARTICPAÇÃO E DIÁLOGO FAMÍLIA-ESCOLA. Muitas escolas privadas temem serem mais rígidas por medo de perder alunos, assim como muitos pais, que acham que perderão o amor dos filhos, se forem rígidos.  Ao contrário: o LIMITE TAMBÉM É AMOR. É sentido como amor. Escolas que fazem valer o regimento são mais valorizadas! Ninguém dá valor à escola frouxa; Nem filhos dão valor a pais permissivos e irresponsáveis. A chave? Comunicação! Textos aos pais, reuniões pessoais: aproximação!

Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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