Falta de profissionalismo chega ao futebol brasileiro (JE280) PDF Imprimir E-mail
Classificação: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Maria Goreti Gomes   
18-Ago-2014


O Brasil precisa criar sua própria identidade profissional. Para isso será preciso, como acontece com qualquer ser vivo, descobrir e desenvolver suas habilidades naturais. Especialmente porque a derrota por um placar surpreendente de 7x1 num jogo de semifinal da Copa do Mundo de Futebol, mostrou que o propalado talento natural para produzir e exportar jogadores de futebol talentosos, era um equívoco.

A crise crônica de falta de bons profissionais habilitados emperrou a economia brasileira. E esperamos que, o antigo ditado popular, "há males que vem para o bem", se aplique ao País.

Espera-se que a derrota da seleção brasileira para a bem treinada e disciplinada seleção alemã, seja o choque de realidade que faltava aos brasileiros para que percebam que nada é de graça, nem mesmo o talento profissional. Agora, todos estão conscientes de que realmente faltam profissionais no mercado de trabalho brasileiro, inclusive o do futebol.

Esta carência de profissionais vem sendo anunciada pelos empresários há mais de uma década. A crise se agrava cada vez mais porque mesmo que estejam dispostos a treinar os funcionários na área técnica específica, não há candidatos ou os estudantes estão chegando ao mercado de trabalho sem o conhecimento básico mínimo necessário ao aprendizado.

Mas o que seriam os conhecimentos básicos? Apenas o domínio das quatro operações matemáticas e das habilidades da leitura, interpretação e redação na língua pátria – o português. Ou seja, os analfabetos funcionais estão tentando ingressar no mercado de trabalho que já não tem postos para mão de obra sem desqualificada.

Os jovens estão chegando com muitas habilidades de comunicação e argumentação oral e quase nenhuma habilidade prática, funcional e raciocínio lógico. Discurso não produz. Para produzir é preciso saber ligar e operar as máquinas, seja na indústria pesada, seja na agricultura ou num escritório.

E é preciso ler os manuais dos equipamentos e resolver pequenos problemas no processo produtivo, emitindo relatórios com gráficos e estatísticas de produção. Portanto, é preciso ter o conhecimento básico, que a escola não está conseguindo ensinar.

As escolas também sentem a falta de profissionais, especialmente de bons professores e diretores eficientes e comprometidos com a aprendizagem. A instituição criada pela sociedade para dar a formação básica, o alicerce da formação profissional, há décadas está excessivamente preocupada em promover o bem estar das crianças e adolescentes e tem deixado um vazio na formação destes mesmos cidadãos.

Neste cenário, as empresas não conseguem preencher sete, dentre dez vagas disponíveis em seus quadros. Sem profissionais, nenhuma empresa consegue crescer e, não adianta pagar melhores salários, porque não há para quem. Sem crescer, as empresas não abrem novas vagas e, os jovens não conseguem ingressar no mercado de trabalho. Ou seja, o círculo do mercado de trabalho não se fecha e nem se amplia.

A economia brasileira está desaquecendo e a inflação aumentando. Entre as razões, está a disputa por bons profissionais, o que elevou os salários. E, como todos sabem, os salários fazem parte dos custos e, portanto, são repassados ao custo final do produto. Ou seja, a falta de bons profissionais e a taxação excessiva do processo produtivo, dá um nó na economia brasileira.

E agora, que chegou ao futebol brasileiro, a falta de profissionais ganhou mais visibilidade. Se o futebol era o ópio do povo brasileiro, este mesmo povo terá de encontrar a solução para substituir esse ópio. Esperemos que a valorização da escola e do ensino de qualidade seja este ópio. Se a população exercer uma pressão sobre e a escola, esta terá que resgatar sua função social, a de ensinar o básico a nossas crianças e adolescentes.

Talvez o furacão que passou sobre as cabeças dos torcedores brasileiros seja exatamente a crise que estava faltando para que os brasileiros se conscientizem de que é preciso estudar inclusive para ser jogador de futebol. Sócrates (o Doutor, como era chamado), um de nossos grandes jogadores da seleção brasileira, que o diga. Não é preciso ser ignorante, não é preciso ser analfabeto para ser um grande jogador de futebol.

Esta é a hora do brasileiro provar que é criativo. Pois nos momentos de crise é que os talentosos se revelam e encontram as grandes saídas. Esta deve ser a principal lição aprendida a duras penas com a derrota da seleção brasileira. Pois, assim como as pessoas que praticam lutas marciais sabem que, quando você é e sabe disso, não precisa provar a ninguém.

Se você sabe quem e o que é, você não precisa ser agressivo para mostrar que tem controle sobre seu corpo e sua mente. A pessoa que sabe lutar, jamais será truculenta ou violenta porque a humildade caminha junto com a profissionalização.

Quem sabe faz, quem pensa que sabe, tenta mostrar e arruma desculpas.

Agora já sabemos que o que falta para todos os brasileiros, e não só aos jogadores de futebol, é ter metas, planejar, vestir a camisa e perceber que um grande país, uma grande nação, não se constrói com fantasia e muito menos só com alegria.

A seleção campeã mundial de futebol mostrou que para se ter sucesso, é preciso, antes de tudo: disciplina, muito treino e muito estudo. Ou seja, somente o treino de corpo e mente e muito estudo leva ao sucesso, ao alcance das metas de vida.

A persistência passa a ser somente mais um detalhe.

Quem sabe o que faz, se mantém em igualdade de condições com os demais. E não são pequenos tropeços que o deixarão perdido no meio do campo da sua vida. Pois não importa quantas vezes você caia, o que conta mesmo é quantas vezes você se levanta e segue adiante. Reerguer-se é que é ser profissional.


Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Qual a sua opinião?