QUALIDADE DE ENSINO E QUALIDADE PROFISSIONAL(JE276) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
13-Mar-2014


“O que está acontecendo?” Esta célebre pergunta deve estar assombrando a cabeça dos bons professores nos últimos anos! A cada ano que passa, sentimos que os alunos nos chegam mais desinteressados, com menos base, com menos preparo para o ensino. 
E a cada ano, trabalhamos mais, fazemos mais cursos e vemos nossos colegas professores cursando pós, extensão, mestrado... E tudo o que fizemos, parece inócuo. 
Os alunos chegam cada vez mais “crus” e desinteressados, parece que ninguém mais se interessa pela escola. Claro, os culpados de sempre do imaginário educacional aparecem na frente dos dedos apontados, a meu ver, por clichê: televisão, videogame, computador, famílias desestruturadas. Isso contribui sim, e muito, para a queda na atenção, no raciocínio, no interesse e na vontade de aprender. 
Também já disse neste espaço que a escola é chata sim, que a maioria dos professores nem sabe lidar com o seu público, nem vem da universidade com preparo para compartilhar de forma eficaz seu conteúdo. Mas, ainda assim, há outra coisa, algum motivo que não percebemos...
A minha leitura é que a estrutura de sociedade que temos, competitiva e capitalista, não é percebida na escola, desmotivadora e socialista. A forma de percebermos os desafios da escola não estimula o mérito. Paramos para observar, planejar, discutir toda a questão da inclusão, tudo sobre as minorias, a integração dos desvalidos, daqueles que aprendem pouco, que tem poucos recursos materiais, sociais, financeiros, intelectuais, físicos. Nada mais justo! 
Mas não paramos para discutir qualidade, exigências maiores, em termos de qualidade, a quem pode render mais. Nem incentivamos constantemente o sucesso, a melhor nota, quem leu mais, quem buscou mais conteúdos complementares, os vencedores de concursos, tanto alunos quanto professores. 
Nossos alunos não conhecem os esforços dos professores com especialização ou mestrado, não sabem para que serviram seus estudos na graduação, especificamente, nem como os educadores chegaram à escola. Nem o produto, a qualidade profissional, nem o processo, o esforço e a dedicação como ferramentas! 
Dos pais, a maioria das crianças usufrui das benesses, já nascem com os pais mais estáveis, portanto, não viram a luta e as vitórias, apenas o conforto. E isso deseduca. Mostrar o valor das coisas, ensinar e mostrar a finalidade, premiar o mérito! 
Não é nada bom, claro, apenas mostrar a danação que foi chegar à formatura, mostrar o horror de ficar noites sem sono. Isso espanta os alunos e eles dirão: “Deus me livre, não quero isso pra mim!”. 
É preciso quebrar a cultura de quem estuda é um otário, tão em voga na conversa dos alunos. Igualmente importante é ver professores sendo grandes exemplos, também! 
Mas o professor brasileiro, a meu ver, precisa abandonar a síndrome de vira-latas, de profissão decadente. Elevar a autoestima, sua autoimagem, não associar fracasso profissional com mau salário. Fazer o melhor, sempre, ou fará jus a um salário de fome, se ensinar apenas pelo que recebe de salário. 
Educar novas gerações com qualidade é tirar do poder políticos parasitas e o assistencialismo derrotista, tão em moda. 
Se oferecermos modelos, como escolas japonesas, coreanas, americanas e alemãs, de cultivar e valorizar exemplos de profissionais de sucesso, trazer tais pessoas a eventos e palestras, ofereceremos parâmetros de comparação aos alunos. 
Nos países desenvolvidos, educa-se para querer o melhor nas  escolas, na TV, nas famílias. O aluno brasileiro vê exemplos de malandros que se dão bem, de pessoas que lucram aparentemente sem esforço, vê arte sem qualidade e seus “artistas” molambentos ostentando, gente medíocre ficando rica “da noite para o dia”. 
E nas escolas, se esforçar para quê? Todos passam mesmo, ninguém reprova, é assim que pensam os alunos! E quando reprovam, não há diagnóstico profissional, nem serviço de apoio efetivo, embora fiquem todos em cima do aluno com baixo rendimento. Os alunos passam a perceber que só se dá valor e atenção para os que não aprendem. 
Precisamos mostrar as conquistas, as maravilhas de aprender mais, da recompensa pelo esforço, das vantagens de saber e de usar o conhecimento para crescer como pessoa, cidadão e profissional! Exemplos educam, fazem sonhar, motivam. Mas precisa-se premiar o mérito, entre bons professores e bons alunos!

Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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