A invenção da Escola(JE276) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gladys Mary Ghizoni Teive*   
09-Mar-2014


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            Por Norberto Dallabrida e Gladys Mary Ghizoni Teive*

No próximo mês, no Centro de Ciências da Educação da UDESC, será ministrado, por Julia Varela e Fernando Alvarez-Uría, o curso “Modelo Genealógico de Análise”, que se fundamenta em trabalhos acadêmicos de Norberto Elias, Michel Foucault e Robert Castel. 
Varela e Alvarez-Uría elaboraram uma perspectiva genealógica para compreender a emergência histórica de várias práticas culturais. Na paradigmática obra Arqueología de la escuela (La Piqueta, 1991), esses sociólogos espanhóis propõem a desnaturalização da escola, acreditando que a sua universalidade e eternidade não passam de uma ilusão, e pretendem reler o passado para ajudar a compreender o presente, “rastrear continuidades obscuras” e, sobretudo, constatar que os modos de educação escolar são plasmados por múltiplas e sutis relações de poder e configurações de saber. Neste trabalho genealógico, há uma preocupação sociológica em vincular os discursos e as instituições educativas aos grupos sociais que os propõem e impõem para se legitimarem socialmente.
A instituição escolar moderna foi inventada no século XVI pelos reformadores protestantes e católicos, motivados pelo desejo de manufaturar a alma de seus fiéis. Em torno desse “acontecimento” e de seus desdobramentos, giram os três primeiros ensaios deste livro, que procuram vincar a descontinuidade provocada sobremaneira pela fragmentação do cristianismo europeu e mundial. Varela e Alvarez-Uría analisam com acuidade a emergência das peças da maquinaria escolar espanhola e europeia, que contribuiu para construir a primeira modernidade ocidental. 
 Na verdade, eles defendem que a escola obrigatória, instituída na Europa entre o final do século XIX e o início do século seguinte, teve por finalidade educar, moralizar, adestrar as classes populares para o trabalho manual. Para tanto, vai até o século das reformas religiosas e das guerras de religião para constatar que os dispositivos escolares criados naquela conjunção – a criação do estatuto da infância, a instituição do espaço escolar fechado, a formação de um corpo de especialistas, a individualização dos colegiais que desqualificou formas medievais de socialização – foram esmerilhados e secularizados pelos sistemas estatais de ensino.
Enfim, Arqueología de la escuela desnaturaliza a escola no Ocidente, situando o seu nascimento no bojo das reformas religiosas e a sua ressignificação pelos sistemas estatais de ensino. Por isso, vale a pena (re)ler essa instigante obra histórico-sociológica.
 
 
* Professores da UDESC e autores de “A Escola da República: os grupos escolares e a modernização do ena sino primário em Santa Catarina (1911-1919) (Editora Mercado de Letras, 2011) 
 

Norberto Dallabrida
Sobre este autor:
Professor na UDESC e autor de "A fabricação escolar das elites: O ginásio Ginásio Catarinense na Primeira (Editora Cidade Futura) e O tempo dos ginásios: ensino secundário em Santa Catarina (final do século XIX meados do século XX). Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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