O Brasil continua nas últimas posições mundiais em níveis de ensino e produtividade(JE278) PDF Imprimir E-mail
Classificação: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Maria Goreti Gomes   
13-Mai-2014


Um estudo internacional divulgado no  início de maio _ The Learning Curve 2014 (A Curva de Aprendizado 2014) _ o Brasil subiu uma posição no ranking, em relação ao mesmo índice divulgado em 2012. O País está na 38ª posição, à frente apenas do México e  da Indonésia, no índice global de habilidades cognitivas e de habilitações, que classifica o desempenho educacional em 39 países e Hong Kong. 
O relatório explora outros fatores relacionados às mudanças de desempenhos globais de educação e à importância das habilidades pessoais para o século 21. 
A Curva de Aprendizado levantou ainda informações como as habilidades, como leitura e uso de matemática na vida pessoal e nos locais de trabalho. Constatou-se que todos os adultos perdem suas habilidades com a idade, porém, esse declínio é muito mais rápido quando as mesmas não são utilizadas regularmente. 
Sabe-se que as habilidades básicas aprendidas ao longo da educação básica, por meio de atividades que envolvam todos os conhecimentos empíricos e os adquiridos na escola e na vida, e seu uso contínuo, mesmo após completado o ciclo escolar, são essenciais para o contínuo crescimento das habilidades pessoais, bem como para evitar o declínio das mesmas na vida adulta. 
O estudo considera que habilidades como disciplina, pontualidade, respeito por si e pelo outro e pelo meio, e responsabilidade, dentre outras, que irão interferir na produtividade do trabalhador. O uso de habilidades pessoais como disciplina, iniciativa, proatividade, habilidade de leitura e escrita, raciocínio lógico e cálculos no mundo do trabalho; e, as políticas públicas de educação são determinantes, para promover o crescimento e o desenvolvimento de um país.  
Estas habilidades somente melhoram em nível nacional quando os governos, os empregadores, as escolas, os estudantes e os pais dão prioridade a elas. As estimativas da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) indicam que, na última década, metade do crescimento econômico nos países desenvolvidos foi devido a habilidades melhoradas, destacando a importância de impulsioná-las para ajudar no crescimento da economia do país.
Neste ítem, o declínio do nível educacional brasileiro na última década levou o País para as últimas posições também em outras pesquisas, como a de produtividade do trabalhador brasileiro. 
O péssimo desempenho de nossos estudantes  nos testes PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e PIRLS (Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura) e o baixo percentual de cidadãos brasileiros de até 24 anos com curso superior também jogaram o País para as últimas posições. 
O novo Global Index of Cognitive Skills and Attainment (Índice Global de Habilidades Cognitivas e de Habilitações), compilado pela The Economist Intelligence Unit, constatou que mesmo com a escalada de uma posição no ranking, o Brasil está entre os que registraram queda no índice de desempenho escolar e habilidades cognitivas, ao lado de Argentina e México, que também estão no grupo das seis nações com a maior variação negativa em relação à média global(Tailândia, Colômbia, Argentina, Brasil, México e Indonésia).
Os pesquisadores registraram que Coreia do Sul, Japão, Cingapura e Hong Kong ocupam os primeiros lugares no ranking geral da educação devido a uma “cultura de responsabilidade”, na qual professores, alunos e pais se responsabilizam pela educação e a sociedade valoriza os professores e as escolas muito mais do que em outras partes do mundo.
Também neste aspecto, o Brasil corre em sentido oposto. Cada vez mais a escola, em decorrência das políticas públicas que privilegiam o assistencialismo, tira dos pais e passa para a instituição de ensino, responsabilidades como uniforme escolar, alimentação, saúde e material escolar. As famílias, cada vez mais, são ‘desresponsabilizadas’ da educação (e até de prover) suas crianças do mínimo necessário para sobrevivência. 
Disfarçados em programas de renda mínima e educação para todos, os programas governamentais transferem o dinheiro dos impostos para famílias que recebem mensalmente a mensagem: É bom ser pobre, não é preciso trabalhar para ter o essencial em casa. 
Não sem razão, são as mães e não os pais que recebem estas verbas. Pois as mães normalmente abrem mãos de comida e bens materiais em prol dos filhos. Quando os pais, em sua maioria mais egoístas pela própria natureza masculina, antes atenderão as suas necessidades, para somente depois, pensar nos filhos. Há exceções em ambos os casos, mas a regra geral vale para “o conjunto da obra”. E, mesmo assim, as denúncias de corrupção nestes programas são diárias.  
Vale salientar que estes programas têm sido responsáveis pela queda nos índices de abandono escolar e no número de crianças, fora dos bancos escolares, já que a criança é obrigada a frequentar a escola para que os pais recebam o dinheiro. Embora estar na escola não signifique que a criança ou adolescente esteja fazendo sua parte na construção do próprio conhecimento. 
A verdade é que, ao dizer que basta frequentar a escola estamos mais uma vez, abrindo mão da qualidade de ensino e da responsabilização da criança e de sua família em relação ao aproveitamento de mais esta oportunidade oferecida pelo Estado brasileiro a seus cidadãos em risco social. Isto para não mencionar que,  muitas vezes, a escola transgride no lançamento de faltas por  “pena” da criança. 
A Finlândia, que ocupava o primeiro lugar, caiu para a quinta posição, enquanto a Coreia do Sul registrou o índice mais alto, seguida por Japão, Singapura e Hong Kong (China). Já o desempenho dos estudantes da Finlândia nos testes internacionais de conhecimento em matemática e ciência derrubou o país em cinco posições. 
O Reino Unido se mantém firme na 6ª posição devido à melhor pontuação de seus estudantes nos testes PISA e PIRLS e um aumento do índice de formação universitária.
No Brasil, o antepenúltimo da lista, o mercado de trabalho se recente de profissionais que possam usar as novas tecnologias em seu dia a dia. As empresas procuram pessoas com as habilidades básicas e, principalmente, disposição para aprender a usar a tecnologia que se renova diariamente e se impõe, cada vez mais, como único caminho para superar os desafios na competência internacional. 
O uso de tecnologia exige mais tanto dos alunos quanto dos professores, que precisam adquirir uma gama maior de habilidades, e para o quê muitos não têm disposição alguma. Os professores, sentindo-se desvalorizados e, por que não dizer, desrespeitados, não têm motivação para mergulhar de cabeça no mundo das tecnologias e perdem o interesse em desenvolver novas técnicas de ensino. 
Os países e seus governos devem dar importância ao papel dos professores, tratando esta profissão com respeito. Não se trata somente de salário, os professores querem ser reconhecidos como intelectuais que são. Afinal, é fácil ligar o computador e digitar num programa de busca o assunto sobre o qual você pretende pesquisar, o difícil é selecionar entre as milhares de informações qual a mais importante e pertinente ao conteúdo que se está pesquisando. 
Juntamente  com  o  novo  indice,  a  Pearson, empresa responsável pelo estudo, publicou um novo Banco de Dados, contendo 2,5 mil indicadores sociais, econômicos e educacionais de 50 países. 
O Banco de Dados baseia-se em três dos mais respeitados estudos globais sobre educação _ PISA, TIMSS (Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e Ciências), PIRLS – e os associa com as estatísticas nacionais sobre educação, PIB, emprego, índices de criminalidade e outros fatores para criar um conjunto abrangente de informações para uso dos pesquisadores e dos legisladores. Este Banco de Dados está disponível em thelearningcurve.pearson.com. 
Na mesma semana, uma outra pesquisa, feita com estudantes universitários, candidatos a estágio, mostrou que os oriundos do curso de pedagogia são os com menor conhecimento em ortografia. De um ditado de trinta palavras, os rapazes erraram mais do que as mulheres. Os estudantes de engenharia  foram os que mais acertaram (48%) e os de pedagogia, os que mais erraram (cerca de 70%) 
Diante disso, não há muito o que acrescentar. Se os estudantes de pedagogia, os nossos futuros professores das séries iniciais, os alfabetizadores das futuras gerações, são os que menos sabem a língua mãe, como irão ensinar nossos filhos e netos?
Afinal, ninguém pode ensinar aquilo que não sabe. Mas esta já é outra discussão, que deve se eternizar se nada for feito pela efetiva melhoria da qualidade do ensino neste país varonil que,  a partir do próximo mês, irá dispensar aulas, fazer feriado e parar, literalmente, para assistir aos jogos da Copa do Mundo de Futebol. 

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
Advertisement

Qual a sua opinião?