SIM, À REPROVAÇÃO! (JE274) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
13-Dez-2013


Minha posição, já escrita ao longo dos anos nas colunas, palestras e aulas, é de ser visceralmente contra a reprovação. Mas tenho mudado meus conceitos, vendo que a sociedade deu muito espaço à opinião imatura e despreparada para estudantes e profissionais de araque, com visões distorcidas e antiquadas sobre o público com que se lida nas escolas.
Por “sociedade”,  podemos entender os políticos desonestos e ignorantes das questões sociais e emocionais, as ONG’s de defesa de classes “desfavorecidas” e a classe média, formadora de opinião com acesso à mídia, professores-museus do ensino superior, que se formaram vendo o mundo dos livros, mas desconhecem a realidade das famílias brasileiras mais pobres. 
É importante dizer quem não é sociedade, neste país: Professores de escolas públicas, famílias pobres, pesquisadores sérios que contrariam o “mimimi” das doutoras madames, estes não são sociedade. Um pesquisador que comprove a importância da redução da maioridade penal ou que demonstre que a reprovação é hoje um mal necessário, alguém que defenda a palmada em pequenos tiranos quando necessário não é sociedade.  
Trabalhadores das indústrias, especialistas educacionais que enxergam a triste e dura realidade não são sociedade, não formam opinião, não tem voz, nem vez. Que sociedade é esta? 
Talvez a da permissividade, da imbecilidade, do enfraquecimento das relações, da incompreensão das relações de causa-efeito. 
Talvez “sociedade” seja a classe média da zona sul carioca, que vemos nas novelas...
Esta “sociedade”, mais parecendo um conjunto de alienados que vivem em contos de fadas, deu mais voz e vez a doutrinas que impedem punições, que protegem menores infratores, que impedem que se cumpram regimentos de escolas; tenta impedir até as punições e castigos domésticos, geraram distorções na cabeça dos adolescentes quanto a seu papel e seus limites. 
Portanto, sempre fui contra a reprovação, porque ela prejudica o aluno em muitos aspectos: psicológico, relacional e também maturacional, pois reprovam o aluno (criança e adolescente) sem ter-se em mãos laudos de especialistas de equipes interdisciplinares (psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista, por exemplo), sem conhecer os motivos da não aprendizagem, do mau rendimento ou da má conduta. 
Continuo contra a reprovação, quando há defasagem cognitiva ou distúrbios emocionais.
Mas observo que esta “sociedade” que descrevi anteriormente, com sua visão distorcida, criou um grupo de estudantes inconsequentes, impulsionados por pais permissivos, inoperantes e incompetentes na obrigação de educar, que destruíram a já complicada relação aluno-professor.
Alunos que aprontam coisas terríveis, que são indisciplinados, que transgridem, resolvem não estudar e sabem que haverá batalhões de leis e artifícios que os impedirão de serem punidos e de reprovarem.
Estes alunos desleixados, e excessivamente confiantes na saídas mágicas do papai, os que não tem problemas cognitivos, neurológicos ou alguma alteração de personalidade (como o transtorno desafiador opositivo ou o aluno TDA e impulsivo, por exemplo) são frutos dessa “sociedade”, que lhes mostra um mundo descartável, um mundo sem regras para si, apenas aos outros, onde ninguém é punido, onde quem apronta, lucra, devem sim, reprovar, se não estudarem, devem ser punidos quando transgredirem!
Penso que se lance a reprovação o quanto antes, a quem não estudar e se esforçar para atingir boa aprendizagem. 
Aos que possuem limitações, encaminhamentos e diagnósticos precisos facilitarão o desenvolvimento do potencial, desde que os professores sejam preparados. 
Mas alunos e famílias que acham que escola é reformatório e os professores, meros serviçais, estes devem ser punidos, caso seus lindos “geniozinhos” não respeitem as regras e, devem ser reprovados, se não estudarem o suficiente.
Uma sociedade distorcida como a nossa precisa de um choque de Ética e um choque de REALIDADE. 
Sociedade equilibrada começa por escola equilibrada! Mas, antes de tudo, a escola inicia-se pelo respeito ao regimento, às normas e a um Plano Pedagógico adequado. Aí, os espertinhos, frutos dos desajustes sociais, que não se adequarem, terão nova chance de aprender a ser e a viver no ano seguinte. 
Reprovação justa sim, doa a quem doer!


Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psicólogo clínico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educação e Cultura. CRP 12/01950. Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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