Quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve(JE 270) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
24-Ago-2013


A frase resume bem o percurso da educação no Brasil nos últimos anos. Desde 2010, sem Plano Nacional de Educação, governos, gestores, escolas e até professores e alunos vão levando... 
Como na música de Chico Buarque,  “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema, a gente vai levando essa chama. Mesmo com toda sílaba, a gente vai dourando essa pílula!”.
A chama que todo professor tem em si, poderia ser inflamada com a melhora na qualidade do ambiente escolar e com a aprovação do Projeto de Lei  8035/2010 - o  Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020, apresentado em 20/12/2010 no Senado Federal, que está aguardando retorno da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados,  desde o dia 25/10/2012. 
O retorno, remetido ao Senado Federal através do Ofício 1.928/12 ainda não passou pelo túnel que liga as duas casas no Congresso Nacional, em sete meses. 
Sem Plano Nacional de Educação há dois anos, o Brasil está sem rumo. Parado numa encruzilhada. A cada passo à frente, outro na direção oposta. E, na sala de aula, o professor, solitário, continua tentando ensinar do mesmo modo, para os mesmos alunos desinteressados, indisciplinados, sem metas, sem objetivos de aprendizagem e de vida. 
Enquanto o PNE anterior tinha como meta a universalização do ensino fundamental, para os brasileiros de 7 a 14 anos, e  uma alteração feita na LDB por meio da Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, tornou obrigatório o ensino entre os 4 e 17 anos, nada se tem com vistas a garantir a qualidade do ensino oferecido a todas as crianças e adolescentes que estão obrigados a freqüentar as escolas. 
Enquanto o programa Bolsa Escola visava a garantir que a criança estudasse em vez de trabalhar, o programa substituto, o Bolsa Família visa a dar uma renda extra às famílias que cumprem a obrigação mínima de matricular suas crianças na escola, não se tem notícia de programas que garantam a qualidade do ensino. Até porque, antes de garantir qualidade do ensino, será preciso garantir professor para todas as salas de aula. 
Há anos, o Brasil tem tentado resolver os problemas da educação implementando programas, cuja única diferença para o antecessor, é o nome. Até mesmo a nomenclatura dos níveis de ensino e dos fundos de financiamento vêm sendo mudados ano após ano, mas continuam semelhantes em sua essência. 
A receita é a mesma, discurso e propaganda de valorização do professor sem nenhuma ação efetiva para tornar isto realidade. Ou vejamos, centenas de prefeituras e diversos estados não pagam sequer o Piso Nacional do Magistério,  em R$1.567,00, a seus professores. Há ainda absurdos, como a prefeitura de Juazeiro do Norte (CE), que, em junho deste ano,  reduziu em 25% o salário dos professores.  
Ou seja, estamos fazendo a mesma coisa e esperando resultado diferente. Vale lembrar que para Albert  Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. 
Os testes de conhecimento e pesquisas divulgadas recentemente mostram que a educação é o elo fraco da corrente do desenvolvimento brasileiro.  E... continuamos sem rumo, sem meta  e fazendo a mesma coisa e do mesmo modo, a gente vai levando. Mas esperamos resultados diferentes.   
Em Santa Catarina, a situação não é diferente. Sem Plano Estadual de Educação-PEE, que deveria estar em consonância com o PNE, no final de 2012 , foi implantado o Fórum Estadual de Educação para organizar o CONAE e... consolidar o PEE. 
Ao mesmo tempo, nas próximas semanas, o Conselho Estadual de Educação deve lançar uma nova normativa para a avaliação escolar. 
Entre as modificações, espera-se, esteja o fim da recuperação paralela, que na prática foi transformada em avaliação para substituição da nota baixa dos alunos.
Sem saber para onde vai, o país viu seus jovens tomando as ruas e pedindo educação e saúde padrão FIFA, ou padrão internacional. 
A resposta foi a mesma de sempre: promessas de investimento maior na educação. Mas, o dinheiro será investido em que mesmo?
Não é de projetos ou investimentos futuros que o brasileiro precisa. Neste momento, aqui e agora, antes de mais nada, é preciso planejamento para investir corretamente o dinheiro público. 
Planejamento, meta, objetivo e ação efetiva e eficaz são o único caminho possível para a educação e o Brasil. Discursos e projetos politicamente corretos produzidos por marketeiros não resolvem, não mudam o rumo e sequer amenizam a falta de qualidade do ensino. 
E não é jogando o peso nas costas dos professores que políticos e gestores se eximem da culpa. Projetos politicamente corretos mascaram a verdadeira causa da baixa qualidade de ensino. 
Albert  Einstein disse, “tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Tudo isso é posto em sua mão como sua herança para que você receba-a, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos”. 
E o quê o professor, a escola está depositando nas mãos de seus “filhos” para que passem adiante? Qual herança as universidades têm depositado ‘nas mãos’ dos professores brasileiros durante a sua formação, para que eles possam depositar ‘nas mãos de seus filhos intelectuais’? E estes, futuros professores, deixem como herança a seus futuros alunos? 
É, trata-se de uma roda viva. Enquanto o Brasil não souber o quê, como e nem a quem entregar o conhecimento herdado das gerações anteriores e sequer souber aonde quer chegar, mesmo com o nada feito, com a sala escura, com um nó no peito, com a cara dura, não tem mais jeito, a gente não tem cura, mesmo sem saber até quando, a gente vai continuar levando...


Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
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