Manifestantes passaram de baderneiros a construtores de um novo Brasil (JE269) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
24-Jun-2013


A internet sem dvida o meio de comunicao mais democrtico que existe. Numa rede social, a manifestao livre e, independentemente do local, da profisso, da classe social, da ou da escolaridade, o que conta, o que importa so as crenas e os argumentos usados para defender seu ponto de vista.
Na internet, a manifestao livre e seus interlocutores tambm so livres para interagir ou no. A pessoa tem a resposta imediata da prpria audincia. Vence quem tiver melhor argumento e, esta democracia da internet possibilitou o nascimento da onda de protestos que invadiu o Brasil nas ltimas semanas.
Por isso sempre bom lembrar que apesar de estarem protegidas pela tela do computador so pessoas de carne e osso que esto postando suas opinies e usando as redes sociais para chamar os brasileiros para invadir as ruas.
Entre os dias 19 e 21 de junho, segundo o Mapa Digital das Manifestaes, estudo realizado pelo Grupo Mquinas (PR)/Brandviewer, as manifestaes nas redes sociais impactaram 94 milhes de pessoas.
As pessoas que saram da frente das telas, das redes sociais virtuais para tomar as ruas e defender mudanas drsticas e rpidas no Brasil real dos contrastes, dos impostos abusivos e da corrupo crescente e impune.
A fora do movimento conseguiu tirar os polticos e governantes do bero esplndido em que se deitavam at o ltimo dia 20 de junho; e poder coloc-los no olho da rua da poltica brasileira.
Praticamente um ms aps o incio dos protestos, ainda grande o nmero de especialistas e estudiosos que tentam entender as razes e enquadrar o movimento brasileiro em suas teorias tendenciosas e antiquadas, portanto, totalmente imprprias para avaliar um movimento absolutamente contemporneo, possvel somente numa sociedade digital.
Principalmente os polticos e governantes brasileiros esto ainda tentando entender o que move estes milhares de jovens at s ruas e buscam meios de tir-los de l. As longas caminhadas para pontos simblicos e, o mais incrvel, o constante fechamento de ruas, pontes e rodovias tem tido o apoio da populao.
Embora o movimento tenha nascido pelo Movimento Passe Livre, grande parte dos manifestantes sequer usa nibus. A maioria so estudantes e pessoas de classe mdia que lutam pela coletividade. Exatamente por esta razo, a reduo do preo das passagens em dezenas de cidades e estados no conseguiu barrar o avano das manifestaes.
Ao contrrio, a medida em que vo sendo conquistados avanos, como o arquivamento da PEC 37, outras pautas vo sendo includas no movimento e novos grupos organizados levam suas reivindicaes s ruas. E os manifestantes j trabalham em conjunto com a polcia para isolar os bandidos que se infiltram entre os manifestantes com o objetivo nico de depredar o patrimnio pblico e privado, roubar ou saquear lojas.
Num primeiro momento, o governo, a imprensa e a populao maior de 30 anos e razoavelmente desconectada das redes sociais, pensava se tratar de uma luta por R$ 0,20 na passagem de nibus de So Paulo e no Rio de Janeiro. Somente as dezenas de manifestaes simultneas em praticamente todas as mdias e grandes cidades do pas, no dia 20 de junho, acordaram a Nao Brasileira para a grandiosidade do movimento e a quantidade de reivindicaes juntas que ele trazia em si.
Naquele dia, a presidenta Dilma Rousseff parece ter entendido que, ou tomava as rdeas e colocava todo mundo a trabalhar nas trs esferas do poder e em todos os poderes - legislativo, executivo e judicirio- ou perderia o controle e a governabilidade do pas.
preciso ouvir as vozes da rua, disse em seu discurso. A imprensa teve que voltar seus olhos para o movimento e entender que no se tratava de um grupo de baderneiros, mas de brasileiros que descobriram que lotar as ruas a nica e mais contundente e eficaz maneira de pressionar quem est no poder ou quer chegar l, a implementar mudanas que transformem este num pas numa democracia em seu mais amplo sentido.
O que se espera que, em vez de tomar as decises nos gabinetes fechados e enfiar tudo goela abaixo, os governantes eleitos para gerir e gelar pelo uso adequado do dinheiro pblico, o faam sem tomar para si e nem distribuir o dinheiro pblico entre seus parceiros polticos.
Em vez de subsidiar a compra de carros, passar a subsidiar e melhorar, e muito, o transporte coletivo. Em vez de dar bolsa famlia, bolsa gs ou bolsa e cotas para entrar na universidade, d educao bsica de qualidade- padro FIFA a todos os brasileiros.
Convocar prefeitos e governadores a efetivamente pagarem o Piso Nacional do Magistrio-PNM aos professores, reajustando inclusive os salrios dos professores em final de carreira conforme os percentuais do aumento do PNM. E, a valorizar e apoiar os professores na sua difcil misso de ensinar, aplicando a verba da educao no ensino sem desvios e sem assistencialismo.
E, em vez de importar mdicos para atender nos postos da periferia e pequenas cidades, equipar os postos e hospitais e dar segurana para que os profissionais de sade brasileiros tenham as condies mnimas de trabalhars.
As pessoas de carne e osso, que sentem, pensam, trabalham, estudam, pegam nibus ou no e tm sonho de uma vida melhor descobriram que a educao o nico caminho para sair da pobreza financeira, poltica, cultural e intelectual . E, que a presso popular a nica capaz de acabar com a corrupo e a arrogncia dos governantes e polticos de carreira deste pas.
A presidenta chamou um Pacto Nacional e props inicialmente uma Constituinte e em seguida, um plebiscito para que a populao brasileira seja consultada sobre a necessria e infinitamente adiada, reforma poltica. Mas apesar do dinheiro que ser gasto para realizar a consulta, os deputados e senadores podero ou no acatar as sugestes das urnas.
Seguramente seria mais prudente, contundente, participativo e, principalmente, mais barato, fazer consulta popular por meio das redes sociais e usar inmeros mecanismos da internet para possibilitar a participao popular e obrigar os deputados e senadores a acatarem a deciso da populao.
Os protestos saram da internet, ganharam as ruas e pautaram as aes no somente da presidenta, mas principalmente conseguiram tirar o Congresso Nacional e da letargia.
A PEC 37, que limitava o poder de investigao do Ministrio Pblico, foi derrubada e os deputados trabalharam at de madrugada para discutir projetos que estavam engavetados h anos, como o do passe livre e a destinao de verbas do petrleo para educao e sade.
Pela primeira vez, um deputado em exerccio foi preso por crime de desvio de verbas pblicas.
Entretanto, as aes no tem sido suficiente para barrar os protestos pelo pas e o chamado para o descontentamento chegar s urnas em 2014, contnuo. A cada dia, novos grupos e novas reivindicaes pautam as manifestaes.
Os governantes e os polticos precisam pensar em outros meios e modos de fazer as coisas acontecerem e com rapidez. Sob pena de continuarmos a amargar os prejuzos econmicos e insegurana poltica que o movimento traz ao pas, apesar de seu carter pacfico e justo.

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
diretora, editora e jornalista do Jornal da Educao (ISSN 2237-2164)e do Jornal do Santos Anjos.Mestre em Educao e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membrodo Comit de Planejamento Estratgico de Educao, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentvel de Joinville, do Comit Regional de Educao da SDR-Joinville. voluntria na Comisso OAB vai Escola, da seccional de Joinville.
 
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