MAIS UM GRUPO ESCOLAR FESTEJA O CENTENÁRIO (JE 268) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Norberto Dallabrida   
31-Mai-2013


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Alunos do Grupo Escolar Vidal Ramos – 1913 Fonte: Acervo do Museu Histórico Thiago de Castro


Por Gladys GhizoniTeive e Norberto Dallabrida[1] 

 No próximo dia 20 de maio, o quarto grupo escolar implantado no Estado de Santa Catarina completará 100 anos. Trata-se do Grupo Escolar Vidal Ramos, de Lages, a  cidade-polo do Planalto Serrano Catarinense. Seu nome foi uma homenagem ao governador que empreendeu a mais espetacular reforma da instrução pública do estado, conhecida como Reforma Orestes Guimarães, que reestruturou o ensino primário catarinense.

O monumental prédio, em estilo palaciano, o único com dois pavimentos, foi construído, como os demais, no centro da cidade, ao  lado da igreja matriz. Esta monumentalidade dava-lhe destaque no cenário urbano da cidade, materializando o poder da família Ramos na Primeira República, que dominava a política regional e estadual. A fotografia acima, revela parte das festividades que a inauguração do grupo teve na cidade natal do governador, que na época era  o político lageano de maior prestígio em Santa Catarina, pois ocupava pela segunda vez o executivo catarinense.  

No seu discurso, Vidal Ramos defendia que o grupo escolar deveria proporcionar a democratização quantitativa da educação escolar no Estado, afirmando: “[...] estes pavimentos foram feitos para serem pisados, tanto pelo calçado do rico como pelo pé descalço do pobre. Aqui todos são iguais perante o mestre; aqui todos têm o mesmo direito, porque se os ornamentos deste edifício foram feitos com o ouro dos ricos, as paredes que o sustentam, foram argamassadas com o suor dos pobres”.

Hoje sabemos que os pobres demorariam a pisar nos grupos escolares catarinenses, frequentando, quando muito, as escolas isoladas e ou reunidas, que evidentemente não tinham as mesmas condições não só físicas quanto pedagógicas dos grupos escolares, considerados a “Escola da República”.  E, quando os filhos  daqueles que construíram as suas paredes puderam lá pisar em maior número,  o “Colégio Rosa”, como também era conhecido em Lages, já não possuía o mesmo glamour e o prestígio das primeiras décadas, tal como aconteceu com os  demais grupos escolares implantados pela Reforma Orestes Guimarães.

            De modo que em 2011 a sua deterioração física era tal, que precisou ser fechado e  seus alunos, professores e funcionários foram alojados em novas instalações. Hoje o “Vidal Ramos” passa por uma profunda restauração para abrigar um centro cultural. 


[1] Professores da UDESC e autores de “A Escola da República: os grupos escolares e a modernização do ensino primário em Santa Catarina (1911-1918) (Editora Mercado de Letras, 2011).

 


Norberto Dallabrida
Sobre este autor:
Professor na UDESC e autor de "A fabricação escolar das elites: O ginásio Ginásio Catarinense na Primeira (Editora Cidade Futura) e O tempo dos ginásios: ensino secundário em Santa Catarina (final do século XIX meados do século XX). Endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
 
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