Educao em runas: Descaso com nosso futuro! (JE266) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
09-Mai-2013


Comear o ano analisando fatos tristes e lamentveis no uma situao confortvel. Por isso, tive a ideia de relembrar fatos bacanas de minha vida como professor de escola pblica nos anos 90, e refletir as condies absurdas que levaram nossas escolas runa.
Iniciei como professor substituto em 1992, no Colgio Estadual Martins Veras, em Joinville. Uma escola robusta, construda nos anos 70, mas com um projeto de dois pisos. Havia uma grande vantagem: muitos professores efetivos com vontade de trabalhar e de mudar a Educao, o que gerava nos professores mais novos um belo exemplo de trabalho e de responsabilidade com os alunos. Havia at oposio ao trabalho dos diretores, mas havia dilogo, receptividade s ideias inovadoras, saber ouvir era visto como enriquecedor, mesmo que as opinies divergissem. As diretoras trabalhavam e zelavam. Tudo funcionava!
Em 1993 tambm trabalhei no Colgio Plcido Olmpio de Oliveira. Apesar de antigo, o Plcido tinha, como no Marins Veras, um laboratrio de Cincias (Qumica, Fsica e Biologia), ambos s moscas. Como que os professores no utilizam este espao para tirar as aulas da mesmice terica? Bem, fora as aulas de campo e de laboratrio (lecionava Cincias), as minhas aulas eram chatas e tericas, olhando agora, na distncia e maturidade que o tempo oferece reflexo. Ainda assim, os alunos vibravam com as minhas aulas, pois j utilizava os conhecimentos adquiridos na faculdade, com meus excelentes professores de Psicologia Escolar: aulas vivenciais, aulas contextualizadas, exemplificadas e crticas faziam a diferena! Coloquei em prtica: deu certo!
Entre 1994 e 1996 tive o prazer de ser o professor de Cincias na ento Escola Bsica Francisco Eberhardt, no Rio da Prata, linda rea rural de Joinville, aos ps da Serra do Mar. Uma comunidade rica em histrias e vivncias, em pluralidade cultural, pois cada estradinha isolada guardava tesouros em tradies quase extintas e a escola era um centro de referncia na comunidade. Tudo era limpo, funcionava bem, mesmo sem verbas. O respeito que as famlias tinham pela tradicional escola era repassado aos alunos. Havia devoo pelos professores e pela diretora que, com qualidade e esforo, mantinha a escola nos nveis das melhores escolas particulares. Professores exigidos, prdio supervisionado e bem administrado. Cuidava-se muito da higiene, da pintura, das carteiras, banheiros, da horta e da forma como o contedo era trabalhado.
Tantas escolas que visitei para ministrar palestras e cursos, j formado (incio de 1997), e outras tantas que trabalhei, hoje em runas, interditadas: O Plcido Olmpio est fechado h dois anos, num bairro que necessita de escola de Ensino Mdio e de Cursos Profissionalizantes.
O Francisco Eberhardt foi interditado e notcia nacional, com alunos deslocados para a igreja e para o salo de bailes ao lado da escola, com salas provisrias sem paredes, sem condies dignas, vergonhosas. Uma escola que at 2000 era um modelo; virou uma sucata. Nunca mais ouvi um aluno ou professor dessa escola receber um prmio, fato comum minha poca. Nunca mais o Plcido Olmpio levantou um trofu, pois era polo formador de atletas e de grandes profissionais das artes, da Educao e referncia esportiva.
O Martins Veras virou pronto-socorro de alunos sem escola que passaram a ser deslocados para esta unidade, superlotando a escola, j sem grandes estruturas, at virar sucata, como tantos colgios em nosso Estado.
Onde andava a APP? Onde andava a superviso de patrimnio? Onde estavam os administradores escolares? Onde andava o planejamento educacional? Onde andava a vigilncia e seu trabalho preventivo? E se no interditassem, os alunos estudariam ainda nas sucatas da vergonhosa omisso, do Estado, das famlias, da prpria Vigilncia Sanitria?
Mas, eis um mistrio: Como existem escolas at mais antigas, muito bem cuidadas, limpas, seguras e com aulas vivas? O que difere? A meu ver, Gesto, Competncia e Vergonha na Cara!


Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psiclogo clnico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educao e Cultura. CRP 12/01950. Endereo eletrnico: Este endereo de e-mail est protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter de estar activado para poder visualizar o endereo de email
 
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