CONAE deve garantir ensino de qualidade(JE 267) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
09-Mai-2013


Neste mês de abril iniciaram-se as discussões do CONAE 2014. A conferência que dará os rumos e norterá os planos para a educação no Brasil estabelecendo as políticas públicas para a educação nos próximos anos, deve ter a participação de toda a população brasileira, pois não são somente os estudantes, pais, professores e demais profissionais da educação que têm interesse em jogo quando se trata de educação. 
As políticas educacionais de um país afetam toda a comunidade. A baixa qualidade do ensino, especialmente o das escolas públicas, trava o crescimento econômico, social e cultural da população. Faz aumentar o número de vagas A descoberto nas empresas, especialmente as que exigem maior qualificação.  
As empresas não conseguem mão de obra para suprir suas necessidades e por esta razão não podem crescer, diminuem o investimento em tecnologia, diminuem as vagas no mercado formal de trabalho, diminui a produção e a quantidade de empregados. 
A corrente continua com a queda nos salários. Ganhando menos, o trabalhador diminui o consumo. A diminuição do consumo provoca o aumento do desemprego e voltamos ao início do ciclo. É o chamado ciclo vicioso.
As qualidades básicas de um trabalhador seja do setor público, seja do privado são aprendidas na escola. Características como disciplina, proatividade, administração do tempo, determinação, raciocínio lógico, habilidade de trabalhar em equipe, de comunicar-se, de produzir e ler breves relatórios e manuais são básicas para todo e qualquer trabalhador. 
O treinamento técnico específico para a ocupação já são e continuarão sendo  dados na própria função, mas sem as habilidade básicas, ninguém conseguirá aprender a atividade técnica específica.
Portanto, os empresários devem participar para dizer quais as habilidades básicas deveriam ter os estudantes ao concluírem o ensino básico e ingressarem no mercado de trabalho. 
Seguramente essas pessoas que tem a coragem de investir o próprio dinheiro em atividades de risco, têm muito a contribuir para que o currículo escolar e as ações pedagógicas consigam desenvolver os talentos natos em cada uma de nossas crianças e adolescentes. 
Se a escola brasileira conseguir encaminhar o jovem para o mercado de trabalho com algumas certezas sobre o que sabe e o que não sabe fazer melhor, como já acontece na maioria dos países da Europa e nos Estados Unidos, teremos mais profissionais e menos aventureiros nos postos de trabalho. 
Afinal, profissionais que gostam do que fazem são felizes e conseguem melhores salários, pois produzem mais e melhor. E melhores salários, mais empregados, será mais renda e mais qualidade de vida. 
Cidadãos com mais qualidade de vida são mais exigentes, mais cultos e valorizam mais a escola e o ciclo se fecha numa rede que valoriza efetivamente a escola e os profissionais que nela trabalham.   
E onde entra o CONAE? A Conferência Nacional da Educação tem efeito determinante na sociedade na medida em que é o caminho para a participação de todos os segmentos sociais nas discussões e na fiscalização da implementação das políticas públicas para a educação básica e superior do país para os próximos anos. 
Na última década, o Brasil cresceu economicamente e a maioria quase absoluta dos gestores públicos tem investido o percentual do orçamento estabelecido pela Constituição em educação. 
Na maioria quase absoluta dos municípios e estados, o problema não é se inventem, é como investem o dinheiro. Verbas para uniforme escolar, por exemplo, saem da verba da educação, quando deveriam sair da assistência social. 
E os pais tem papel importante nesta discussão, porque é para conseguir o voto deles que os políticos determinam este tipo de investimento. E se os próprios pais tiverem consciência e disserem que o uniforme é problema deles e não da escola comprar, esta política assistencialista e não educacional acabará.  
 Professores têm muito a colaborar pois precisam ter ambiente adequado, tranquilidade e estudantes interessados para poderem ensinar. E esses alunos, só se consegue com a participação efetiva dos pais na escola. 
A valorização da escola e do saber tem que ser um valor insubstituivel  para as famílias. Enquanto os pais e filhos não respeitarem a escola como templo do saber, e os professores, “profetizadores” da sabedoria, não serão respeitados e nem valorizados como precisam ser. 
Respeito e valorização são os únicos caminho para que as escolas brasileiras consigam os resultados qualitativos necessários ao bom momento vivido pelo país. 
Se a CONAE 2014 conseguir traçar as metas e  caminhos para chegarmos ao ensino de qualidade e excelência de que precisamos, conseguiremos não somente os 10% do PIB para a educação,  mas também dizer claramente como e onde os atuais e futuros gestores do dinheiro público deverão gastar nosso dinheiro e efetivamente garantir sempre mais e mais qualidade de ensino. 
 
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