Investimento alto, resultado baixo (JE266) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria Goreti Gomes   
21-Mar-2013


O Brasil é “a bola da vez” do mundo globalizado. Enquanto a Europa, a América do Norte e praticamente todo o mundo experimenta queda no crescimento, decorrente da crise econômica internacional, o Brasil continua a crescer. Mas nem tudo são rosas. 
O país não se preparou para esta nova realidade. As empresas que vem se instalando não encontram profissionais com formação suficiente para assumir os novos postos de trabalho. Resultado, junto com o investimento, trazem os estrangeiros para trabalhar aqui. 
O país não tem infraestrutura e logística para transportar os produtos para exportação e sequer para receber os turistas ávidos por conhecer a potência econômica que continua crescendo a despeito da crise econômica mundial. 
No próximo ano, receberemos a Copa do Mundo e em 2016 as Olimpíadas. Os turistas vem falando inglês. Sequer os aeroportuários acreditam que teremos aeroportos em condições de atender esta demanda. A alternativa será apelar para o tal “jeitinho brasileiro caloroso” de receber turistas internacional e somos bons em mímica. 
Em Santa Catarina, estado que paga um dos menores salários a seus professores e tem as melhores notas no ENEM, a GM instalou sua fábrica e exigiu mestrado e influência em Língua Inglesa dos candidatos às vagas de emprego. Trouxe os profissionais de fora. 
Um novo porto será instalado em Araquari, cidade que tem recebido inúmeras empresas nos últimos anos. O novo portão de entrada e saída de produtos para o mundo, será um complemento aos já instalados portos de Itapoá e São Francisco do Sul. Cidades litorâneas nas quais para se chegar ou sair, tem tido a viagem ampliada de uma para cerca de quatro horas.
Recentemente foi publicada pesquisa apontando o Brasil como o país detentor do segundo pior inglês do mundo. E no final de 2012, o MEC anunciou um  programa para melhorar o ensino do Inglês nas escolas públicas. Já em janeiro 535 professores efetivos fizeram curso de imersão de seis semanas em universidades americanas  para melhorar não somente o conhecimento na língua, mas também a metodologia. 
Em junho, outros 540 professores participarão do mesmo programa. Em cada versão são 20 professores de inglês, efetivos e em exercício em sala de aula por estado. Mas, ao retornarem, estes mesmos professores, embora com mais conhecimento e disposição, enfrentam  problemas estruturais tal como  as empresas encontram nas rodovias, portos e aeroportos brasileiros.
Os estudantes sem disposição para aprender inglês nas salas de aula númerosas, são os mesmos que as empresas esperam contratar para as vagas que exigem conhecimento da língua. Mas os professores (e não somente o de inglês) não dispõe das condições mínimas para ensinar. 
Falta infra-esturutra tecnológica e humana apra transformar a escola em templo do saber. Locais onde se vai para divinizar o saber a aprender. Na segunda semana de março, Os ministros da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome criticam a sistema de cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Os ministros alegaram que o cálculo utilizou índices não confiáveis e por esta razão, o Brasil continua estagnado em relação a educação. Internacionalmente são usados dados de pesquisas específicas, não os pretendidos como reais por órgãos governamentais. 
O governo do estado de Santa Catarina esta veiculando publicidade de que os professores estão recebendo tablets. Ainda não se tem notícia de quantos, qual modelo e qual uso terão estes tablets nas salas de aula. 
E mais, qual será a utilização dos equipamentos em escolas interditadas pela vigilância sanitária por oferecerem risco de segurança à integridade física de estudantes e professores?
Há uma diferença muito grande entre o que se anuncia, entre números produzidos e investimentos governamentais e os resultados que este dinheiro estaria provocando nas escolas. 
Para melhorar a qualidade do ensino é preciso escolas equipadas com aparelhos eletrônicos, gestores capazes e, principalmente, alunos interessados em aprender mais. 
A questão é estrutural, mas é também cultural. Nossos jovens não acreditam em si mesmos, na capacidade de aprender e, os programas governamentais e, muitas vezes a própria escola, ao invés de desafiá-los a transgredir, a transpor os limites do próprio conhecimento; os superprotegem com excesso de zelo. E opções equivocadas para encurtar o caminho entre a sala de aula e a felicidade plena. 
Os investimentos anunciados em infra-estrutura são muitos, mas os resultados ainda continuam pífios. Pois nosso dinheiro está sendo investido no ralo da indiferença e da aparência dos números produzidos e não na certeza dos dados comprovados.

Maria Goreti Gomes
Sobre este autor:
É diretora, editora e jornalista do Jornal da Educação  (ISSN 2237-2164)  e do Jornal do Santos Anjos.   Mestre em Educação e Cultura pela UDESC. Especialista em Jornalismo pela FURJ-INPG. Membro do Comitê de Planejamento Estratégico de Educação, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, do Comitê Regional de Educação da SDR-Joinville. É voluntária na Comissão OAB vai à Escola, da seccional de Joinville.
 
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