Tricentenrio de Rousseau: a educao comemora? (JE 265) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Norberto Dallabrida   
25-Dez-2012


Em 28 de junho de 2012, comemorou-se o trigsimo centenrio de nascimento de Jean-Jacques Rousseau, nascido em Genebra e considerado um dos mais polmicos filsofos do sculo das luzes. Este canto do jornal dedicado educao em perspectiva histrica, neste ano festivo, no poderia deixar de oferecer algumas reflexes sobre o pai da democracia moderna e o padrinho do movimento escolanovista.

No campo da educacional, um dos livros mais discutidos de Rousseau certamente o "Emlio, ou da Educao", publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes. Com esta obra, Rousseau inaugura um gnero textual conhecido como Bildungsroman, que um termo alemo para designar um tipo de romance de aprendizagem ou formao em que exposto de forma pormenorizada o processo de desenvolvimento fsico, moral, psicolgico, esttico, social e poltico de uma personagem, geralmente desde a sua infncia ou adolescncia at um estado de maior maturidade.

"Emlio" composto de cinco captulos, incluindo prefcio, introduo e breve cronologia sobre Rousseau. Em linhas gerais, h uma densa discusso sobre a lei da necessidade e da utilidade e sobre o que apropriado e bom para a formao humana. Ele apresenta dois estgios do desenvolvimento humano. O primeiro diz respeito ao aprendizado da dor. o estado da idade da natureza razo sensitiva , e da idade da inteligncia razo intelectual. O segundo se refere sada do indivduo da infncia, que seria a idade da energia, da fora vital, sendo que, a partir dos vinte anos, as pessoas viveriam a idade da sabedoria, marcada essencialmente pela problematizao, do pensar mais radical, sobretudo, pela capacidade de estar apaixonado e se apaixonar.

No mundo contemporneo, o movimento escolanovista, que emergiu entre o final do oitocentos e o incio do sculo XX, adotou Rousseau como a principal referncia. Pensadores da Educao como douard Claparde, Adolphe Ferrire e Roger Cousinet conferem ao filsofo genebrino o prestgio de "precursor da Escola Nova". Nesta direo, Rui Trindade conclui: "Haja, ou no, uma leitura imediatista de Rousseau, por parte de alguns pedagogos, o certo que a afirmao da infncia como um perodo especfico da vida dos seres humanos e a afirmao da existncia de uma ordem natural que importa respeitar ou reconhecer em cada criana se converteram, ambas, em afirmaes nucleares do movimento da Escola Nova [...]".

A partir da dcada de 1960, quando as escolas alternativas se pautam na Summerhill, Rousseau novamente revisitado para arejar a democracia na escola. Como nas tradies mais radicais do movimento escolanovista, o conceito rousseauniano de "educao negativa" apropriado para construir experincias escolares participantes e democrticas.

Se a educao comemora? Deveria, pelos menos. Carregamos conosco ainda o sentimento de rebeldia, de dvida e, tal qual o filosfico, de um pensar vigoroso capaz de revolucionar a vida das pessoas com o trabalho cotidiano em sala de aula. Sim, a educao comemora!


Norberto Dallabrida
Sobre este autor:
Professor na UDESC e autor de "A fabricao escolar das elites: O ginsio Ginsio Catarinense na Primeira (Editora Cidade Futura) e O tempo dos ginsios: ensino secundrio em Santa Catarina (final do sculo XIX meados do sculo XX). Endereo eletrnico: Este endereo de e-mail est protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter de estar activado para poder visualizar o endereo de email
 
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