Mediocridade ou Midiocracia? (Ed.264-pg 9) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gilmar de Oliveira   
31-Out-2012


Achei por acaso um desses artigos que recortamos da internet, salvamos e nunca mais lemos. O articulista LuliRadfahrer, professor da USP, consultor internacional em Comunicao Digital e Tecnologias, que escreve no site da folha.

Tal artigo (Uma Longa Adolescncia, publicado em www.folha.com em 02/01/2012) me fez pensar sobre o enorme abismo que existe entre a forma de educar nos pases desenvolvidos (e at os que esto no mesmo patamar do Brasil, como Mxico e Colmbia) e a forma que impera. na grande maioria das escolas nacionais

Como ainda arcaica nossa forma de querer ensinar! Muito pouco se ensina, nosso ritmo lento e nossas ferramentas educacionais atrasadas impressionam negativamente qualquer estrangeiro. O que vejo nas escolas que visito que, mesmo os educadores que se utilizam de computadores nas salas e ambientes tecnolgicos, exploram muito pouco os recursos disponveis.

Um viajante do passado no reconheceria este mundo digital, mas reconheceria a escola como igual quela do seu tempo.

Fomos educados a resistir ao novo, aceitar a verdade como algo que no muda, a preservar o antigo. Lembram-se dos aparelhos de casa? ramos proibidos, enquanto pequenos, de mexer nos botes do rdio e da televiso.

Hoje em dia, as crianas tocam, interagem e operam os aparelhos sem cerimnia. Chegam s escolas mais familiarizadas com computadores do que com lpis de cor, mal diferenciando, como diz Radfahrer, o Google de Deus.

Os educadores precisam entender que nossos alunos j nasceram inseridos numa outra lgica, num contexto digitalizado, onde no h mais medo nem de quebrar o aparelho, nem de explorar novidades, principalmente as tecnolgicas, que j esto nos lares ou no desejo dos alunos. Nada de futuro, pois isso j presente.

O saber dinmico; necessita de ferramentas igualmente dinmicas para ser repassado com interesse. Exige esforo, ateno e atualizao para serem entendidos e aplicados.

Professores de sucesso esto sempre um passo frente dos alunos porque sabem que atualmente s atrai a ateno o que inusitado e multimdia. Ir contra esta tendncia enxugar gelo. E s se aprende quando se desperta curiosidade e desejo, quando chamamos a ateno para um desafio, numa linguagem (canal) compreensvel

As formas de exposio do conhecimento, hoje muito mais dinmicas e claras (apesar de mais resumidas, pouco profundas), precisam ser vistas como parceiros e no mais inimigos do conhecimento.

O uso dos recursos digitais presentes em celulares, tablets e computadores precisa ser prtica constante, usados como ferramentas educacionais, um recurso que aproxima o aluno da informao e a transforma em conhecimento.

Professores que j fazem isso em seu cotidiano ganham o respeito dos alunos, que passam a valorizar as aulas e buscar mais conhecimento.

A devoo docente para o "copismo", "resumismo" e "questionarismo" impressiona e ainda reina, em 2012!

Mas... Como os professores podem fazer melhor, se atualizar, se os polticos "cuidam" da Educao?

Nossos mestres, saturados de cursos incuos, fazem cara feia a qualquer curso ou novidade que venha "de cima", por preguia, desiluso ou baixa autoestima.

Ao mesmo tempo em que lhes faltam tempo e vigor para pesquisarem, falta-lhes dinheiro para adquirir instrumentos ou capacitao por conta prpria (nem devem; dever do Estado!).

Aqui na regio, os politiqueiros usam o dinheiro da Educao para comprar uniformes, mochilas e material escolar, mas falta verba para oferecer cursos e aparelhos adequados nova forma de ensinar ou mesmo pagar melhor aos professores.

a podrido da politicalha atrapalhando a Educao e recebendo aplausos do povo abobalhado, babando por uniformes xexelentos (onde algum lucra no esquema), sem lembrar que pagam por eles.

a dependncia dos cidados a um Estado paternalista e eleitoreiro. Como disse um amigo, alemo: "Triste do pas onde os pais no conseguem oferecer nem material, nem uniforme aos filhos. Pior ainda quando at conseguem, mas ningum se ope a receb-los do Estado!".

Ser que alguma tecnologia conseguir nos salvar? Afinal, mediocridade ou midiocracia?


Gilmar De Oliveira
Sobre este autor:
Psiclogo clnico e institucional; especialista em Neuropsicologia e Aprendizagem e Mestre em Educao e Cultura. CRP 12/01950. Endereo eletrnico: Este endereo de e-mail est protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter de estar activado para poder visualizar o endereo de email
 
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