“Nada substitui um bom professor”: notas sobre o dia do professor PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Gladys Mary Ghizoni Teive   
31-Out-2012


Corre no meio educacional que a comemoração do dia do professor no Brasil foi iniciativa dos professores de uma escola pública paulista, na década de 1940.  

Face ao trabalho estafante da docência, sobretudo no segundo semestre do ano, os professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para discutir os problemas da profissão, o planejamento das aulas, trocas de experiências e também para confraternização.

O dia escolhido foi 15 de outubro, um mês antes do encerramento do ano letivo.

Face ao sucesso desta iniciativa, a "parada" do dia 15 de outubro disseminou-se pelo país afora, sendo oficializada como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963, o qual no seu artigo 3º, justificava a razão do feriado para "o enaltecimento da função do mestre na sociedade moderna".

O feriado é comemorado desde então, mas quanto ao "enaltecimento da função do mestre na sociedade" o que dizer?

Nos últimos meses tem sido veiculado nas mídias o resultado de pesquisas realizadas por diferentes órgãos, que denunciam que apenas 2% dos estudantes do ensino médio querem se formar docentes.

Dos que cursam as licenciaturas, como física e matemática, por exemplo, o percentual dos que não desejam seguir a carreira de professor é alarmante.

O que explicaria este cenário? Onde foi parar o prestígio das antigas normalistas, consideradas nos primeiros anos do século XX, como "alicerces da pátria" e "arquitetas do porvir"?

Quando e por quê o professor começou a perder o seu prestígio?

Evidente que a questão não é de hoje, vem sendo tecida ao longo das ultimas décadas e as razões para tal são múltiplas, indo desde os baixos salários, passando pelas más condições de trabalho e pelo trabalho estafante, até questões mais complexas como a dificuldade dos/as professores para trabalhar com os "novos alunos" – as crianças das classes populares - que a partir dos anos 1950 passaram a freqüentar em maior número a escola básica.

Mas, há, também, outras questões, como o fato do professor ter sido obrigado, pelas políticas educativas, a desviar o seu olhar dos conteúdos, das metodologias e da avaliação escolar.

O professor foi paulatinamente tendo o seu território profissional ocupado pelos pesquisadores das universidades, pelos peritos internacionais e pela "indústria do ensino".

E o que é pior: não tem conseguido colocar em prática a abundância de discursos produzidos. Com isso, vem perdendo força e o controle da sua profissão.

Como bem afirmou Antonio Nóvoa, a investigação, o currículo, a gestão, os materiais didáticos e as tecnologias são muito importantes. "Mas nada substitui um bom professor".


Gladys Mary Ghizoni Teive
Sobre este autor:
Professora do Departamento de Pedagogia e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UDESC. Autora de “Política de modernização econômica  e formação de professores em Santa Catarina”; “Uma vez normalista, sempre normalista: cultura escolar e formação de um habitus pedagógico (Escola Normal Catarinense:1911/1935)” e “A Escola da República – os grupos escolares e a modernização do ensino primário em Santa Catarina (1911-1918), em parceira com Norberto Dallabrida.
 
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