PDE ainda s um discurso (Edio Abril/2007) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
08-Mai-2007


Desde o ano passado, os discursos sobre as aes governamentais em prol da melhoria da qualidade do ensino pblico tm sido mais freqentes e veementes. Tudo comeou com a corrida pela cadeira de presidente da repblica.

Mas em maro deste ano, a vontade de se manter no cargo, levou o ministro da Educao Fernando Haddad a lanar o Plano de Desenvolvimento da Educao-PDE, seguindo o rasto do Plano de Acelerao do Crescimento PAC, j que no existe desenvolvimento econmico, sem educao de qualidade.. Assim como o PAC, o PDE um discurso bem elaborado e politicamente correto.

Neste primeiro momento, o PDE de Haddad conseguiu atingir seu objetivo: o ministro da educao continua o mesmo. Com educao e sade no se brinca, justificou Lula. E, com as outras pastas o governo pode continuar brincando?
Objetivos polticos partidrios parte, preciso verificar as linhas e entrelinhas do tal PDE. Afinal, quem, em s conscincia, seria capaz de rebater um plano que pretende melhorar a qualidade do ensino pblico no Brasil, mesmo sem conhec-lo?

A primeira apario pblica do tal plano foi numa audincia pblica que contou com a presena do ministro da Educao, no dia 27 de maro, na Comisso de Educao e Cultura da Cmara dos Deputados. O plano prope uma mudana de cultura e de perspectiva da educao brasileira, porque a partir dele vamos trabalhar metas de qualidade que devem ser atingidas pelos municpios, estados e pelo pas, disse o Ministro naquele ocasio.

De l at o fechamento desta edio do Jornal da Educao, apesar de inmeras tentativas, pesquisas na Internet e de solicitar diretamente assessoria de Imprensa do MEC, a cpia (escrita) do PDE, tudo que conseguimos foi a informao de que no estar disponvel at o final do ms de abril, quando dever ser lanado pelo ministro e pelo presidente.

Ento, assim como tem feito a imprensa nacional, nos resta especular sobre qual PDE foi explicado em detalhes aos deputados da Comisso, no final de maro? De onde esto vindo as informaes de que o PDE prev reduo de recurso de 40% para 20% para ONGS que promovem aes de alfabetizao de adultos?

Quem estaria plantando a notcia de que seriam construdas 400 novas creches por ano no Brasil, de que seria implantado um sistema geral de avaliao de desempenho dos alunos, inclusive os de oito anos, das escolas e dos professores? Os diretores deixariam de ser indicados por polticos? Qual seria a origem da informao de que o MEC contrataria especialistas para ajudar as prefeituras com dificuldades de gerenciamento de projetos?

De qualquer modo, mais uma vez a educao est no discurso de polticos e empresrios, na pauta diria dos jornais e na boca do povo. Como so todos adultos, provavelmente ningum est brincando.

O PDE vem provocando discusses entre sindicalistas e administradores pblicos e polticos, mas e se ainda no est no papel, no est pronto para ser enviado imprensa por escrito, como tantas discusses e pontos foram apresentados a pblicos to distintos como os empresrios paulistas e os deputados federais? E o mais grave, como o Ministro deu detalhes do plano que ainda no existe?

Penso que nem mesmo Freud explicaria esta faanha, s mesmo a poltica brasileira dos atuais mandatrios da repblica: muito discurso e pouca ao. Muita poltica e pouca transpirao.

E o Brasil continua igual. Nas escolas nada mudou, nada chegou, nem sabemos ainda quanto os municpios recebero do FUNDEB, s que a maioria perder dinheiro.
E os discursos continuam inflamados: se a criminalidade aumenta, porque falta escola; se o pas no se desenvolve e no cresce, porque falta escola para formar bons profissionais; se a evaso escolar aumenta, faz-se logo um plano assistencialista ...

Iniciamos o ano com um novo Fundo, e o segundo bimestre, com um novo plano para a educao brasileira, mas por enquanto, o nico plano que saiu do papel, foi o plano de aula dos professores que continuam em situao exatamente igual a de dez anos atrs, quando foi instituida a nova LDB e a Dcada da Educao.
Ou seja, no cumprimos as metas e j estipularemos novas.

 
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