O Centenário do Grupo Escolar Lauro Muller (Maio/2012) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
28-Mai-2012


No próximo dia 24 de maio, a Escola de Educação Básica Lauro Muller vai comemorar o centenário da sua fundação. Esse momento festivo deve proporcionar releituras históricas sobre essa escola pública, procurando iluminar a situação atual do sistema público de ensino em Santa Catarina.
 
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Prédio do Grupo Escolar Lauro Muller, no ano de sua inauguração (1912).
Fonte: Acervo Iconográfico de José Arthur Boiteux - IHGSC
 

 
A festa de sua inauguração, em 1912, foi um acontecimento grandioso que reuniu o governador Vidal Ramos, o Inspetor Geral do Ensino, professor Orestes Guimarães, e as principais autoridades estaduais e locais. Esse dia foi escolhido pelo governador do Estado de Santa Catarina porque era o aniversário da Batalha de Tuiti – o maior combate da Guerra do Paraguai, vencido pelos aliados.
O grupo escolar que tinha como patrono o primeiro governador de Santa Catarina e o político de maior prestígio em nível nacional na década de 1910, localizava-se no centro de Florianópolis.
Sobre o Grupo Escolar Lauro Muller, o governador Vidal Ramos afirmou: “Prestei a maior atenção à construção do edifício destinado a este Grupo, assim como ao seu mobiliário e material de ensino, porque ele deve servir de modelo aos demais, que vão sendo fundados no Estado”. Essas palavras registradas pelo chefe do executivo catarinense indicam o destaque que o grupo escolar da capital catarinense tinha na Reforma Orestes Guimarães (1911-1918), que implantou os primeiros grupos escolares nas principais cidades catarinenses. A distinção social do Grupo Escolar Lauro Muller também era conferida pelo fato de receber as alunas da Escola Normal Catarinense, que ali realizavam as suas práticas de ensino, e também os professores dos grupos escolares e das escolas isoladas e reunidas de Santa Catarina.
A Reforma Orestes Guimarães representou a grande transformação do ensino primário em Santa Catarina e o Grupo Escolar Lauro Muller foi a sua escola-modelo. Por essa razão, segundo o historiador Paulo de Nóbrega, o “Lauro Muller” custou aos cofres públicos estaduais aproximadamente o dobro dos outros seis grupos escolares da Reforma Orestes Guimarães.
Os altos gastos estavam relacionados à aquisição de toda a sorte de materiais didáticos que foram adquiridos nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, as carteiras Chandlers, vindas dos EUA, o laboratório para as aulas práticas de Física e Química e o Museu para as aulas de Botânica, além de uma pequena biblioteca, com obras sobre a Pedagogia Moderna. 
O Grupo Escolar Lauro Muller era a menina dos olhos de Orestes Guimarães e do governador Vidal Ramos, funcionando como sala de visitas para as autoridades que visitavam o Estado, que, ao conhecê-lo, ficavam encantadas com a modernidade escolar catarinense, tal como pode ser constatado no “Livro de Visitas” do Grupo.
Todo esse cuidado para com a escola primária, aliado à preocupação no sentido de que os professores bem ensinassem para que os alunos bem aprendessem, deveria servir de inspiração para a reinvenção da escola pública em Santa Catarina nos dias de hoje. 

* Professores da UDESC e autores de “A Escola da República: os grupos escolares e a modernização do ensino primário em Santa Catarina” (1911-1919) (Editora Mercado de Letras, 2011) 
 
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