No Brasil há mais gente escrevendo do que lendo (Abril/2012) PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal da Educacao   
25-Abr-2012


Ao falar sobre A escrita dos blogs, na 9ª Feira do Livro, o jornalista e blogueiro Sérgio Rodrigues, especializado em literatura e língua portuguesa, alertou que  pelas pesquisas, no Brasil há mais gente escrevendo do que lendo. E acrescentou ainda que há algo de muito errado nisso. É dispensável explicar as razões que nos levam a concordar com o jornalista.



 
Se em seus dez dias, a Feira do Livro de Joinville atraiu cerca de 60 mil estudantes e vendeu pouco mais do que 100 mil unidades, há realmente algo de errado.
Muitas escolas aproveitaram a Feira para solicitar trabalhos a seus alunos. Algumas prepararam seus estudantes para fazer perguntas aos escritores, mas poucos certamente tiveram a destreza de incentivá-los a se prepararem para comprar livros, afinal os escritores e as editoras também, precisam vender livros para sobreviver. 
No Brasil, em que ainda se paga muito em  impostos e taxas para publicar um livro. No qual a maioria dos autores precisa bancar a edição da própria obra. E se as escolas não tiverem um programa efetivo de incentivo ao hábito da leitura, desenvolvimento psíquico e intelectual dos alunos, seguramente os professores de língua portuguesa jamais darão conta de fazer isso sozinhos. 
A consciência da necessidade de se desenvolver o hábito da leitura já existe em praticamente todos os estabelecimentos de ensino. O problema é que não há continuidade dos programas desenvolvidos nas séries iniciais. 
Pesquisas mostram que os adolescentes leem bem menos do que as crianças. Mas se leem na infância, porque quase param de ler na adolescência?  Será que o desencantamento com os livros aparece aos 10 ou 12 anos?  Provavelmente não. 
Vale lembrar que a maioria dos programas de incentivo à leitura são de contação de história, ou seja, a criança conhece a história por transmissão oral teatralizada, mas não lê o livro e não dá asas à própria imaginação. 
Se a diversão e o prazer com o livro são possíveis sem a leitura, pra que ler? É mais fácil ouvir a história.
Mas, então deveríamos parar de contar histórias e fazer as crianças lerem? Não e sim.
Como tudo na vida, é preciso ter medida e limites para se parar de fazer contação. Talvez a solução seja exatamente estabelecer que a contação seja somente para as crianças em fase de alfabetização. 
Uma vez alfabetizada a criança precisa ler pela leitura e pelo prazer que ela traz. Ouvir histórias elimina do estudante a possibilidade de criar mentalmente o cenário, a feição dos personagens, o figurino, a cena, enfim, mergulhar na história e na própria imaginação. 
Para incentivar a leitura, os professores, e não somente os de português, podem sugerir que o  estudante, após ler,  conte as histórias aos colegas.
E assim, o prazer dos aplausos e da admiração dos colegas, se transformarão num segundo prazer pela leitura. 
Afinal, quem não se emociona ao perceber-se o centro das atenções. Deste modo, além de desenvolver o hábito da leitura, aprenderiam verdadeiramente a ler e a arte da oratória, ou seja, passariam a autores do próprio desenvolvimento e não simplesmente espectadores das apresentações de outros apaixonados pela leitura  e pelo que fazem.   
Ler pela leitura não é só ler, é aprender a ler lendo. E, mais do que tudo, aprender  a gostar de ler. E nunca é demais lembrar: gostamos somente daquilo que conhecemos e sabemos fazer.
E se o prazer da leitura pode vir a ser o prazer dos aplausos e da admiração dos colegas pela história contada, porque não fazer exatamente isso e, indo além, ainda  estaremos fertilizando sua imaginação e respeitando as múltiplas inteligências de nossas crianças e adolescentes.  
 
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